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Análise: Omega Labyrinth Life (Switch) está perdido em seu próprio fanservice

A série possui um apelo sexual tão intenso que o título aqui analisado chegou a ser censurado em outras plataformas.




Sabemos bem que muitos títulos são produzidos com algumas escolhas estéticas visando agradar a um público adulto; uma delas é a sexualização em personagens femininas, com o design de seus corpos e roupas idealizados para satisfazer esse segmento. Agora imagine que estamos diante de um jogo que se propõe ser totalmente voltado para esse nicho, tanto que foi censurado em sua versão para PlayStation 4.

O jardim que nunca murcha

Em Omega Labyrinth Life (Switch) temos uma história bem simples: uma escola cujo jardim é conhecido como “incapaz de murchar”. A plantação é esplendorosa e todas as flores são nutridas basicamente por mágica, nunca deixam de estar como se tivessem acabado de desabrochar. Porém, com a chegada de sua primeira aluna de transferência, o dito jardim mágico aparece totalmente destruído e cabe às alunas da academia adentrarem cavernas para recuperar a flora da escola.

Simples, não? Sim, o jogo tem um plot inicial que não foge muito disso. Logo de início, já temos acesso ao modo de jogatina, como a série é um RPG estilo roguelike, com lutas em turnos, mas com livre arbítrio para se movimentar nas dungeons, com alto risco de morte e a necessidade de iniciar do zero, caso não consiga sobreviver.


Mas aqui já entramos em contato com as peculiaridades deste título; dentro das dungeons há condições específicas no modo de jogatina: as personagens, ao derrotar os inimigos, recolhem Omega Power [Poder Omega] força mágica que se acumula nos seios das alunas da escola. Ao passo que vão acumulando dito poder, seus seios vão aumentando e, consequentemente, os atributos das personagens durante as partidas dentro das fases.

Essa evolução é acompanhada pelo jogo, que vai nos atualizando do tamanho das taças (medida para a circunferência do seio) que pode começar do A, a menor medida, até o Z, maior de todas, que resulta em cena das roupas das garotas desabotoando, dado o crescimento excessivo dos seios.

Por isso pode ser interessante jogar com as personagens “melhor dotadas” da série, pois estas já possuem uma vantagem inicial em todas as partidas. Porém não é bem assim que funciona. O foco da história é maior em Hinata, a aluna de transferência e protagonista do jogo, inicialmente ela será a primeira personagem disponível para jogar, mas o jogador pode escolher outras garotas que vão sendo adicionadas ao time de acordo à evolução da aventura.

É possível levar até duas personagens por vez, com combinações específicas que causam efeitos em batalhas únicos e estratégicos. Fique de olho, pois mesmo a personagem com a menor taça, pode ter atributos interessantes e chaves para o seu sucesso em uma ou outra dungeon.

Como se trata de um jogo que bebeu nas fontes do estilo Mystery Dungeon (sim, aquele que tem versão de Final Fantasy e Pokémon), os andares das dungeons são geradas aleatoriamente, assim como a adição de itens e monstros. E ao final de cada fase, todos os atributos recolhidos são perdidos, pois o Omega Power some ao final de cada fase. Mas sem pânico, os itens voltam contigo.


Se você morrer, porém, preste atenção - todos os seus itens serão perdidos! Caso você seja um jogador lastimável como eu, sempre ponha parte dos seus ganhos no cofre e fique atento para estar bem munido quando entrar em novas dungeons. E saiba que não é nada difícil morrer nesse jogo, inclusive nos andares únicos lotados de inimigos.

Um ponto que pode causar um certo incômodo é o quão limitado o estoque de itens é no jogo. Por isso é preciso ter olho estratégico e crítico na hora de usar e estocar itens. Como há apenas 30 lotes e uma infinidade de itens, o jogador deverá fazer sacrifícios e saber a hora certa de usar, descartar e estocar todo o material recolhido nas explorações.

Além das gears, que serão comentadas mais à frente, o jogador poderá recolher armas e escudos para atacar e modificar seus stats em batalha. Há também poções, comidas, livros e varinhas que servem para ajudar nas jornadas, todos estes itens têm aplicações tanto para ataque e defesa, seja em poderes mágicos para destruir os inimigos ou modificadores de status tanto dos personagens como dos oponentes.

Os livros, no entanto, também possuem uma aplicação exclusiva para a exploração. Como as dungeons são geradas aleatoriamente, o jogador nunca saberá a disposição de itens, inimigos, caminhos e até mesmo armadilhas dentro do cenário, então há Livros com encantamentos para mostrar o mapa completo, evidenciar armadilhas e as desarmar. Uma dica: caso o seu estoque esteja cheio e você encontrar um livro no chão, é possível utilizá-lo diretamente, assim é possível colocar seu efeito em prática sem sacrificar um item da sua bolsa.

Falando em bolsa, há também uma infinidade de bolsas no jogo, que servem como uma expansão limitada do seu estoque. Cada bolsa ocupa um espaço do lote, mas é possível adicionar itens nelas para aliviar o estoque geral das personagens, facilitando a exploração.

Acredito que a disponibilidade e limitação no estoque de itens seja proposital para forçar o jogador a usá-los. Como sou do tipo que gosta de manter a usar todos os itens que possuo, acabei sofrendo maus bocados com a necessidade de usar pois sempre ficava com os bolsos transbordando e ainda querendo pegar mais coisas que encontrava no caminho.


Antes que eu me esqueça, há comidas e poções para aumentar a vida do jogador. Há também a barra de “Barriga” que é preenchida quando a personagem se alimenta com comida, esta barra serve para estocar energia e ajuda na recuperação de vida e na capacidade das personagens de correr pela dungeon. Um ponto negativo é que não é possível dar itens de uso unitário, como comida e poções, diretamente à personagem secundária na exploração, se tornando necessário trocar de líder para fazê-lo.

Há mais fanservice do que você imagina

Até aqui não parece que há fanservice algum, não é mesmo? Apenas uma mecânica de jogo, nada demais. É aí que você se engana! Dentro das fases as garotas podem se equipar de gears para se tornarem mais resistentes às adversidades das dungeons. E adivinha do que são feitas as armaduras… sim, roupas íntimas. O jogador deve caçar e recolher calcinhas e sutiãs para equipar e proteger as personagens dos ataques dos monstros.

Além disso, há também dois minigames ocasionais dentro das dungeons, nos quais as personagens jogam jokenpô entre si, e o jogador deve movimentar os seios da líder dentro da exploração para dizer se está em pedra, papel ou tesoura. Já o outro, é uma cena na qual um cristal de Omega Power, convenientemente cilíndrico, deve ser posto entre os seios da personagem e “estimulado” friccionando-o entre as mamas até que cresça e dê mais do poder mágico à personagem.

E não pense que para por aqui. Para evoluir os atributos gerais das personagens há um minigame no qual elas são postas à prova e o jogador deve realizar um “treinamento intensivo” com um unguento poderoso, no qual é preciso tocar em partes específicas da personagem até ela atingir o clímax. Até mesmo em conversas, os sprites, quando vão falar, têm uma animação que resulta numa movimentação repetida dos seios.


O mais incrível deste jogo e, aparentemente de toda a franquia é esta dicotomia entre um título cuja base de RPG roguelike e as outras mecânicas de gameplay sejam bem idealizadas e bem feitas, enquanto o excesso de fanservice despropositado acaba ofuscando todo o resto.

Isso pois além da exploração nas dungeons, o jogador deve remontar o jardim eterno da Academia Anberly para Garotas, plantando e regando os pedaços de terra onde serão cultivadas novas flores pelo jogador, que resultam em novos atributos e itens de câmbio para upgrades e ganho monetário dentro do jogo.

Esse pedaço de personalização de uma parte crucial do cenário toma tempo, pois não somente as plantas demoram para florescer — cada semente tem seu tempo específico para ser regada até desabrochar, assim como a quantidade plantada em cada espaço vai acarretar no tempo de plantio. O jogador também pode escolher as decorações que irão compor o cenário principal do jogo.

Censurado?

Eu pessoalmente não tenho problemas com fanservice nos jogos. Apesar de minhas ressalvas, não me incomodo com um game cuja temática se baseie nesse “apelo”. Se pensarmos na série Bayonetta, por exemplo, a personagem título e muitos de seus poderes e até mesmo história têm fortes caráteres sensuais, mas nem por isso deixa de ser divertido e bem idealizado.



Se formos mais além, temos as roupas das personagens como a Zero Suit Samus nas franquia Metroid e Super Smash Bros., cuja vestimenta é um macacão praticamente feito para acentuar todos os aspectos esculturais do corpo de Samus. Mesmo apelativa, é uma proteção, e a roupa que ela usa quando não está equipada da Power Suit.

O problema desse jogo é que o fanservice não tem propósito dentro do jogo. A história principal poderia se passar em um jogo completamente infantilizado e “puro”, que ninguém jamais poria defeito. E, como muitas das cenas sexuais são arremessadas na cara do jogador, o game ganha aspectos risíveis de tão absurdos e constantes que são esses momentos.

A parte sexual é tão descartável que há uma versão “light” para o PS4 chamada Labyrinth Life (PS4), sem o Omega, pois o símbolo grego foi redesenhado para acompanhar o formato dos seios da protagonista na capa. Essa versão chegou ao console da Sony com bem menos cenas apelativas e muito do teor sexual reprimido. Praticamente uma outra versão do jogo que, de acordo com a própria empresa, não perde para a experiência sem cortes.

Vendo gameplays da versão censurada cheguei a pensar que o game que foi para o Switch seria a paródia pornográfica do jogo. É engraçado imaginar que hoje a Nintendo está com um título sem cortes enquanto um console da Sony está com a versão “segura para a família” — se lembrarmos da época do Mortal Kombat, jamais imaginaríamos que isso ocorreria um dia.

Isso pois um título anterior dessa série, Omega Labyrinth Z (PS4/PSVITA), sequer foi localizado no ocidente por determinação das autoridades de classificação da Austrália e Reino Unido, o que acarretou no cancelamento da versão do jogo em inglês. A versão que temos hoje no PS4 é uma resposta dessas determinações, estranho que para o Switch o game passou ileso.


Por fim, o jogo possui gráficos medianos, os sprites e toda arte gráfica é feita com extremo esmero e cuidado. Já os modelos em 3D são bem mais simples, com um estilo chibi que é viável para a gameplay, mas também tira muito do aspecto sexual que o game insiste em ter. Os controles são responsivos, porém tive problemas em movimentações mais precisas com os direcionais do Pro Controller, principalmente quando queria mirar em um inimigo postado na diagonal da personagem que estava sendo controlada.

Num todo é um jogo que deixa uma sensação mista em quem joga, mesmo acostumado com fanservice nos games, mangás, quadrinhos e animes, a carga é intensa e pode desagradar aquele que está jogando. Com um conceito de jogatina sólido, o excesso de apelos sexuais pode ofuscar a experiência de jogo de quem segura o controle.

Prós

  • Jogatina intuitiva e bem feita;
  • Dungeons variadas e desafiadoras;
  • Extenso conteúdo desbloqueável e explorável.

Contras

  • Fanservice em excesso pode incomodar alguns jogadores;
  • Não é possível ajudar a personagem secundário sem precisar trocar a líder da dupla;
  • Controles problemáticos em certos momentos da jogatina.
Omega Labyrinth Life - Switch/PS4 - Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Jorge Neto
Análise realizada com cópia digital cedida pela D3Publisher

Estudande de Letras que gostaria de aprender todas as línguas existentes, mal sabendo lidar com as duas que já fala. Descobriu seu amor pela Nintendo ao conhecer Super Mario 64 e desde então nunca mais largou os cogumelos, karts e rúpias que encontrou em seu caminho.

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