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Análise: Puyo Puyo (Switch) — Uma ótima combinação entre estratégia e agilidade

Primeiro jogo da série clássica da Sega chega ao Switch em boa forma.


Se você sente falta de um virtual console no Switch, certamente está gostando do que a Sega tem feito com a série de lançamentos da Sega Ages. Com títulos clássicos como Sonic the Hedgehog, Out Run, Virtua Racing e Phantasy Star, é possível jogar boa parte dos jogos que fizeram parte da infância de muita gente. Agora, a Sega adicionou à lista Puyo Puyo, um game simpático e desafiador na medida certa — e com algumas adições que são muito bem-vindas.

Planejar para vencer

Puyo Puyo é um jogo de quebra-cabeças, no estilo de Columns, derivado de Madou Monogatari, um RPG japonês nunca lançado oficialmente no Ocidente. No game, você precisa criar combos de puyos (que são como gotas) sempre em número de quatro ou mais. Os puyos, assim como as peças em Tetris, aparecem na tela do jogador, e é possível rotacionar e selecionar o melhor local para posicioná-los. Diferentemente de Tetris, contudo, eles estão sempre em número de dois, mas em uma combinação que envolve cinco cores (vermelho, verde, amarelo, azul ou roxo). É possível, portanto, receber duas peças da mesma cor ou com cores distintas.

O objetivo do game é montar combos de quatro cores iguais, sendo que as gotas se unem quando se estabilizam ao lado de outras da mesma cor. A partir dessas combinações é possível criar ataques aos adversários. Sim, esse é um ponto importante. Puyo Puyo é um jogo de combate, o que significa que não existe modo contra o tempo. Todas as opções, seja contra o computador ou contra outro player, envolvem a batalha pela vitória. Isso, por si só, já cria um clima tenso, algo que se agrava com o aumento da velocidade no ritmo e descida das peças, o que acontece em um nível bem acelerado já em poucos minutos.


Dificilmente uma partida de Puyo Puyo vai durar muito tempo justamente por esse fator de urgência criado pela jogabilidade. Se por um lado isso é desesperador, por outro, cria uma dinâmica em que é preciso se esforçar ao máximo logo no início do jogo para estabelecer as condições viáveis para a vitória. Quando um dos dois jogadores começa a realizar combos (o que não demora muito), rapidamente a tela do outro será infestada por pedras, que impedem a realização de novas jogadas e acabam levando ao final inevitável da partida.

Velocidade e estratégia

Puyo Puyo, apesar de possuir semelhanças muito diretas com Columns e Tetris, tem uma característica própria que exige muita atenção dos jogadores. Os puyos obedecem a regras de gravidade. O que significa que, se eu posicionar duas gotas na horizontal em cima de outras que estão na vertical, a gota que estiver fora da base (ou seja, aquela que não está repousando em nenhuma superfície) irá cair. O mesmo vale para puyos apoiados em pedras.

Essa dinâmica exige atenção e, ao mesmo tempo, dá mobilidade ao jogo, já que não permite a criação de espaços vazios na tela. É isso que faz com que o game siga em ritmo acelerado e cada partida acabe sendo resolvida em poucos minutos. Como disse antes, a luta não é só para combinar cores, mas também para fazer isso o quanto antes, já que ações de sucesso do adversário colocam pedras que dificultam ainda mais a construção de jogadas. Sobre as pedras: elas são destruídas quando um combo com quatro puyos é formado próximo a elas, mas a tela é pequena e as possibilidades de restabelecer o equilíbrio quando muitas pedras já estão no campo de visão são bem restritas.

Esporte de contato

Puyo Puyo possui um modo singleplayer, mas é preciso dizer que ele é pouco gratificante. O jogo, derivado da época do Arcade, faz jus ao objetivo de engolir as fichas do jogador. A inteligência artificial é boa demais, e é raríssimo não penar para vencê-la mesmo nas fases iniciais. Felizmente, as fichas não acabam, existe a possibilidade de criar saves para continuar a partida depois e os continues também estão ali ao seu alcance, se esse for o tipo de desafio que você gosta. Nem mesmo a adição de uma micro narrativa com os personagens de Madou Monogatari torna a proposta interessante (a não ser, é claro, que você tenha jogado o RPG e sinta algum carinho pela série).

Dito isto, é importante ressaltar que é no multiplayer que Puyo Puyo brilha mais. A rapidez das partidas e a sensação de tensão constante tornam o game uma experiência muito boa para jogar com alguém ao seu lado. Além disso, a Sega fez um ótimo trabalho na inclusão de um modo multiplayer online (que requer uma assinatura do Nintendo Switch Online, importante dizer) e um sistema de ranking global. Está sem paciência para os Battle Royales da vida, mas quer um desafio online? Puyo Puyo pode ser a solução. Ou melhor: poderia.

O problema aqui, infelizmente, é a dificuldade em organizar partidas. Durante os meus testes, em dias e horários diferentes, não consegui entrar em uma partida online sequer. O jogo oferece duas regiões como opção ao jogador, Internacional e Japão. Em nenhuma delas consegui encontrar um oponente. Naturalmente, não é fácil saber se isso se deve ao serviço online da Nintendo, ao pequeno número de jogadores ou se tem relação com uma possível deficiência do jogo. Ainda assim, não posso deixar de apontar o problema, já que esse recurso seria um dos principais atrativos desta versão.
E nada mais acontece...

Combinação de sucesso

Quando falamos de jogos antigos nos consoles atuais, é sempre importante ter em mente a experiência que é possível alcançar. Puyo Puyo, lançado originalmente no início dos anos 1990, foi pensado para um mundo diferente do que temos hoje. Se considerarmos ainda que é a versão planejada para o Arcade que temos diante de nós, vale refletir sobre o que esse tipo de game pode nos oferecer.

A série Sega Ages faz um bom trabalho, não só em relação à preservação dos games antigos, mas também no que se refere às inclusões de novos elementos que são atrativos aos jogadores atuais, como rankings globais, multiplayer online e sistema de save facilitado. Puyo Puyo não foge à regra e se mostra um título desafiador e divertido, principalmente para a mobilidade de um console híbrido. Gosta de puzzles e da tensão que envolve o estilo? Então esse jogo, mesmo com pouco conteúdo, pode ser para você.

Prós

  • Partidas rápidas e jogabilidade fluida;
  • Modo multiplayer local bem otimizado.

Contras

  • Inteligência artificial forte demais;
  • Dificuldade para organizar partidas no multiplayer online.
Puyo Puyo — Switch — Nota: 7.0
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sega
Revisão: Jorge Neto


Pesquisador nas áreas de estética e cibercultura com Mestrado em Cultura e Sociedade (UFMA) e Doutorado em Comunicação (UnB). Além de escrever sobre jogos, produz o Podcast Ficções e tem um blog sobre literatura, filosofia e cotidiano.

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