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Análise: Zeroptian Invasion (Switch) é uma breve e desafiante releitura do clássico Space Invaders

Com dificuldade e duração na medida, game tropeça por não ter atrativos para o replay.

Considerar Space Invaders um dos títulos mais importantes e influentes de todos os tempos não é nenhum exagero. Entre as histórias envolvendo o clássico shoot 'em up de 1978, destaca-se o relato de que ele foi responsável pela escassez de moedas de 100 ienes circulando pelo Japão na época de seu lançamento. Ao invés de carteiras ou caixas registradoras, a grande maioria acabou acumulada dentro dos arcades.


Apesar de simples, o jogo era extremamente viciante e consistia em eliminar todos os extraterrestres que realizavam movimentos horizontais e verticais pela tela. Agora, este mesmo conceito foi reaproveitado pelo estúdio Josyan no desenvolvimento de Zeroptian Invasion, distribuído pela Ratalaika Games e disponível para Switch, PlayStation 4, PlayStation Vita, Xbox One e PC.
Pronto para acabar com alguns aliens

Dispensando completamente qualquer enredo mais elaborado, Zeroptian Invasion foca no gameplay e acúmulo de pontos. O principal objetivo é chegar ao final de cada uma das sete áreas — compostas por três ou quatro estágios — sem zerar o contador de vidas. Caso o jogador seja eliminado, pode usar uma nova “ficha” e voltar do início da zona em que parou, mas com a penalidade de ter a pontuação reiniciada.

Para aqueles mais habilidosos, é totalmente possível finalizar a jornada espacial em cerca de 40 minutos. Por outro lado, ao empacar em determinada área esse tempo tende a subir. Em minha experiência, precisei de cerca de três horas para eliminar o chefe final. Para me defender, digo que o nível de dificuldade é extremamente acentuado e pede habilidade do piloto que assume o controle da nave na parte inferior da tela.

O desafio principal vem das boas ideias contidas no game, que não se limita a ser somente um Space Invaders 2.0. Conforme se avança, é necessário superar etapas que mais se assemelham a shoot 'em up modernos do que ao clássico da década de 1970. Por exemplo, cada área nova apresenta inimigos que mudam o padrão de movimento, ataque e defesa. Isso sem contar a existência de chefões em todas as zonas, sempre bem mais perigosos do que qualquer outro obstáculo enfrentado até então.
Cada nova zona representa um desafio inédito

Precisão intergaláctica

Conquistar o sucesso em Zeroptian Invasion requer certa dose de estratégia. Com a cadência de tiros muito baixa, se torna fundamental escolher o momento exato para disparar. Além de eliminar as criaturas de outros planetas, a arma também funciona como mecanismo de defesa, já que atirar contra um projétil inimigo faz com que o ataque seja anulado. Entender como usar seus canhões e se movimentar da maneira adequada é a chave para vencer.

Para ajudar na missão, o jogador pode contar com três power-ups diferentes: um que aumenta a velocidade da nave, o segundo que permite disparar mais rapidamente e o terceiro que concede um escudo. Ter acesso a essas melhorias depende da mira, já que é necessário acertar um tiro no equipamento que passa voando na parte superior da tela. Além de calcular a precisão do tiro, o piloto tem que dispará-lo de maneira que desvie de todos os inimigos e vá diretamente de encontro a capsula com o power-up.

Assim como a mira perfeita, o jogador deve ter sorte. Isso por que a melhoria oferecida é completamente aleatória. Mesmo que já esteja com algum dos power-ups equipados, o mesmo item pode aparecer novamente, sendo que acumular dois ou mais idênticos não traz nenhum benefício adicional. No entanto, é possível ter todos os tipos ao mesmo tempo, conseguindo assim uma nave rápida, com disparos acelerados e capaz de resistir a danos extras.
Acerte a cápsula para conseguir algum power-up

Arte em 8-bits

Mesmo com a limitação dos 8-bits, Zeroptian Invasion oferece visual bastante agradável e criativo. Cada um dos inimigos traz características bem definidas e por serem únicos fica fácil memorizar tanto suas formas quanto padrões de movimento e ataque. A criatividade se expande para todos os chefões, sendo que em nenhum caso é empregado o artificio de reutilizar sprites apenas com tamanho aumentado.

O game roda no espaço limitado por duas bordas em ambos os lados, além disso, a tela tem formato um tanto quanto curvo para simular os visores dos arcades. São pequenos detalhes, mas que demonstram o capricho e a atenção que o game recebeu durante seu período de desenvolvimento. A trilha sonora acompanha o mesmo cuidado, com músicas que não se tornam enjoativas mesmo quando o jogador passa vários minutos preso em uma mesma área.
Todos os chefes são bastante criativos

Combustível extra

O game cumpre com o objetivo de ser uma experiência desafiante e capaz de prender pelo tempo adequado, não sendo tão breve ou se estendendo demais. Entretanto, depois de encerrado pela primeira vez, faltam motivos para revisitar o jogo. Por ser mais focado na pontuação, poderia existir placar online com os melhores resultados, estimulando assim o fator replay para aqueles que gostariam de aparecer entre os líderes.

Principalmente na versão de Switch, console que já tem naturalmente dois controles, também senti falta de alguma funcionalidade multiplayer. Há vários shoot 'em up no mercado que se tornam mais divertidos ao lado de amigos e, sem dúvidas, Zeroptian Invasion poderia integrar essa lista, seja com um modo cooperativo ou competitivo. Disputar quem chega mais longe sem morrer ou descobrir quem é capaz de acumular mais pontos seriam bons motivos para deixar o jogo instalado no console.

Outro problema, ainda mais grave, está na ausência de ferramenta para salvar o game e continuar depois. Por ser experiência muito desafiadora, o jogador pode querer parar por algum tempo e respirar. Porém, essa opção é inexistente, obrigando ir do início ao final de uma única vez. Caso desista no meio do caminho, será necessário recomeçar do zero na próxima vez. Essa obrigatoriedade acaba auxiliando na redução da vida útil do título.
Até a próxima missão (ou não)

Jornada única

Com forte inspiração em Space Invaders, o game não fica engessado ao material de origem e consegue oferecer uma nova experiência com boas ideias bem aproveitadas. Apresentando dificuldade e duração na medida certa, Zeroptian Invasion tropeça somente em não se preocupar com o pós-jogo. Assim, acaba se tornando passatempo que diverte na primeira vez e sem atrativos que justifiquem reviver a missão espacial.

Prós

  • Releitura de Space Invaders que não fica presa aos conceitos do clássico;
  • Visuais e trilha sonora que não enjoam mesmo após empacar na mesma área;
  • Nível de dificuldade e duração na medida certa.

Contras

  • Ausência de atrativos que justifiquem o replay;
  • Falta de opções multiplayer;
  • Não existe a possibilidade de salvar o jogo para continuar depois;
  • Aleatoriedade de power-ups pode ser frustante nas áreas mais difíceis.
Zeroptian Invasion — Switch/PS4/PS Vita/XBO/ PC — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ratalaika Games

É jornalista e obcecado por games (não necessariamente nessa ordem). Seu vício começou com uma primeira dose de Super Mario World e, desde então, não consegue mais ficar muito tempo sem se aventurar em um bom jogo. Diretor de Redação do Nintendo Blast.

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