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Análise: Wand Wars (Switch) — magia e loucura em forma de esporte em um ótimo multiplayer

Rebata uma esfera de energia neste intenso party game indie com foco em partidas com amigos.


Feiticeiros e outras criaturas mágicas (ou não) se enfrentam em Wand Wars, título independente com foco em partidas multiplayer. O objetivo é rebater uma esfera mágica e tentar acabar com os oponentes em batalhas acirradas e repletas de reviravoltas. Com regras fáceis de entender, muitos modos de jogo e uma atmosfera carismática, o título oferece uma experiência divertida e ótima para curtir com amigos.

Se enfrentando em embates mágicos

No mundo de Wand Wars, a febre é um esporte mágico ágil e divertido. Nas partidas, até quatro feiticeiros voam em suas vassouras e tentam derrotar os oponentes. O curioso é que as regras ditam que não é possível atacar os outros diretamente, sendo uma bola de energia a principal maneira de atingir os outros magos. Sendo assim, cada participante usa sua varinha para lançar a esfera na direção dos outros.

O objeto se transforma durante os embates, fazendo com que eles se tornem cada vez mais frenéticos. A cada rebatida, a bola aumenta de tamanho e sua movimentação se torna mais veloz. Além disso, ela rebate nos limites e itens da arena, resultando em ângulos imprevisíveis às vezes. Isso faz com que as partidas fiquem cada vez mais aceleradas e tensas — mais para o final o orbe mágico rebate loucamente em altas velocidades, exigindo muita destreza dos participantes restantes.

Os combatentes têm à disposição algumas outras opções de ataque. Por meio da Flecha Arcana é possível transformar os oponentes em galinhas indefesas por alguns segundos — estratégia perfeita para acabar com participantes mais habilidosos. Além disso, joias surgem na arena e coletá-las permite utilizar feitiços poderosos de uso único, como meteoros mágicos, lasers imensos, uma onda que congela os inimigos e muito mais. A combinação desses elementos e da esfera mágica trazem caos às partidas de Wand Wars.

Caos mágico viciante

Um bom party game precisa ser fácil de entender, acessível e com variedade de situações. Wand Wars é um jogo que atende a todos esses requisitos com suas regras simples e partidas recheadas de imprevisibilidade, bastando alguns poucos confrontos para entender e dominar suas mecânicas. As lutas são rápidas e mesmo quem perde logo no começo não fica muito tempo sem jogar.

A característica que eu mais gosto em Wand Wars é a sua jogabilidade que mistura técnica e improvisação. No decorrer das partidas precisamos prever para onde os oponentes vão se mover para conseguir lançar a bola na direção correta — como ela rebate nos obstáculos, é possível fazer jogadas mais complicadas e surpreendentes. Além disso, há muita imprevisibilidade e caos: inúmeros feitiços são lançados constantemente e a velocidade da esfera só aumenta, deixando tudo mais tenso e divertido.


Um dos meus momentos favoritos acontece quando a esfera está tão rápida que ela praticamente se torna um rastro na tela. Nessas situações, os participantes restantes costumam fazer jogadas impressionantes, como agarrar a bola no meio da bagunça e virar o jogo com um único movimento — todos vibram com as alterações súbitas e absurdas das partidas. É muito legal também como o jogo se modifica conforme a energia da ação dos embates: os sons se tornam mais intensos, as cores mudam e o visual se distorce com o poder dos feitiços.

A experiência é complementada por uma ambientação charmosa e colorida que remete aos jogos da era 16 bits. Os gráficos em pixel art são repletos de personalidade e apresentam elementos com muitos detalhes, principalmente nos estágios. Os personagens, em especial, são muito carismáticos e brincam com estereótipos de universos mágicos, como um Merlin que lembra um tio aposentado, um gato preto feiticeiro, um Harry Potter com ares de hipster, uma diabrete que voa sentada em uma espada, uma galinha guerreira, um mago robô e muito mais. Destaco também a iluminação: os feitiços lançam inúmeras partículas e brilhos, o que torna o visual um deleite.


Já a trilha sonora conta com composições eletrônicas com uma pegada meio fantasia. Elas combinam muito bem com os embates com seus ritmos acelerados e etéreos, algumas faixas, em especial, ficam na mente. O problema é que a quantidade de músicas não é longa, o que deixa o áudio um pouco repetitivo com o passar do tempo.

Muitas maneiras de jogar

Wand Wars é um jogo com foco no multiplayer local para até quatro jogadores, sendo que não há modo online. É possível colocar oponentes controlados pelo computador, no entanto é muito mais divertido aproveitar com outras pessoas. A configuração simplificada dos comandos faz com que seja viável jogar em um único Joy-Con e o visual é claro o suficiente para que o título possa ser aproveitado tranquilamente no modo tabletop.

O modo para vários jogadores conta com oito diferentes modalidades. No Arena, o objetivo é ser o único sobrevivente dos combates. Já no Merlin Ball dois times tentam lançar a bola no gol do adversário — coordenação é essencial para conseguir fazer pontos. No Hexout os oponentes tentam derrotar uns aos outros com Flechas Arcanas e não há esfera mágica para rebater. Eggnarok é um dos mais curiosos: controlamos monstros em forma de nuvem e ganha quem comer mais galinhas. A variedade de modos é grande e alguns deles oferecem a opção de jogar em times.


Os estágios também ajudam a trazer diversidade à experiência. Alguns são bem simples e abertos, sem obstáculos ou armadilhas, e são perfeitos para quem não está habituado ao jogo. Já algumas fases apresentam elementos que alteram bastante o andamento das partidas: uma arena tem imensas mãos que podem esmagar feiticeiros ou a bola mágica; um lago de gelo com objetos que se movem de acordo com um vento congelante capaz de prender participantes em blocos de gelo; uma sala de tesouros com paredes que podem ser quebradas e baús com itens; já outra área tem velas mágicas que podem ser utilizadas para invocar uma criatura que ataca os oponentes.

Mesmo com foco no multiplayer, é perfeitamente possível se divertir em modalidades para um único jogador. No Story participamos de uma série de batalhas acompanhadas de uma trama simples que explora de maneira leve o universo do jogo. É uma boa para aprender as regras de Wand Wars, porém acaba muito rápido. Já no Trials enfrentamos desafios diversos em sequência, sendo que é possível fortalecer o personagem por meio de cartas de habilidades entre as partidas. Os eventos possíveis são diversos: combates contra cinco oponentes simultâneos, batalhas contra chefes poderosos, partidas com regras diferentes e muito mais. Particularmente acho esse modo muito divertido, afinal a experiência é sempre diferente a cada tentativa. O Trials pode ser aproveitado cooperativamente com outro jogador e há placares online.


Um multiplayer empolgante

Wand Wars é mais um daqueles multiplayers para jogar por horas. É muito divertido participar de impressionantes embates em que feiticeiros rebatem uma esfera mágica em uma arena — o andamento é rápido, as partidas são imprevisíveis e o caos é puro deleite. Além de ser fácil de jogar, o título conta com atmosfera charmosa e atrativa com pixel art colorido e iluminação dinâmica. Muitas modalidades e até mesmo opções para um único jogador trazem variedade à experiência. Wand Wars é um multiplayer excepcional e é um dos meus títulos preferidos para curtir com os amigos.

Prós

  • Sistema de jogo ágil, divertido e imprevisível;
  • Mecânicas fáceis de entender o torna bem acessível;
  • Grande quantidade de modos de jogo e arenas;
  • Belo visual em pixel art caprichado e colorido.

Contras

  • Pequena variedade de músicas.
Wand Wars — Switch/PC/PS4/XBO — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: André Carvalho
Análise produzida com cópia digital cedida pela Moonradish Games

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de boardgames, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.

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