BGS 2019: Você conhece Cruis’n Blast, jogo licenciado pela Nintendo e lançado só em arcades?

Encontramos uma máquina da surpreendente sequência da série de corrida dos anos 90 na seção de Pinball e Arcade do evento.


Uma das atividades típicas em vários dias de Brasil Game Show é a caminhada pelo evento para encontrar coisas interessantes além dos grandes estandes. E foi em um desses passeios que encontramos um pedaço da história da Nintendo desconhecido por muitos, inclusive por este redator.


A seção do evento dedicada a pinball e jogos de arcade escondia, entre os títulos clássicos, uma máquina de Cruis’n Blast. Se a primeira parte desse nome lhe é familiar, é porque esta é uma sequência da clássica série de corrida Cruis’n, que se tornou popular nos anos 90 com Cruis’n USA e Cruis’n World, jogos desenvolvidos pela Midway nos arcades e no Nintendo 64.

De lá para cá, a franquia encontrou alguns solavancos na estrada. Uma terceira edição, chamada Cruis’n Exotica foi lançada em arcades e no N64 em 2000, seguida por uma versão de Game Boy Advance, Cruis’n Velocity, em 2001. O Wii recebeu um título simplesmente chamado Cruis’n em 2007, resultado de um port de um game do filme Velozes e Furiosos lançado nos arcades. Passaram-se 10 silenciosos anos até a franquia ressurgir, em 2017,com Cruis’n Blast, desenvolvido pelo estúdio Raw Thrills, fundado pelo criador de Cruis’n e antigo desenvolvedor da Midway, Eugene Jarvis.


Apesar de alguns desses jogos terem sido produzidos por third parties e terem sua distribuição completamente desvinculada da Nintendo, a empresa japonesa sempre deteve os direitos da série. Ou seja, se alguém deseja fazer um novo Cruis’n, precisa de autorização. Por isso que a existência desse último jogo é tão surpreendente. Após uma década sem novidades, o mais comum era a Nintendo sumir com a franquia, assim como ela parece que está fazendo com uma certa série de corrida futurista. Além disso, esse é um jogo que, ao contrário de seus antecessores, ainda não recebeu uma versão para consoles de mesa, como o Switch.

A soma de tudo isso fez com que o título merecesse nossa atenção entre as grandes novidades da BGS. Só de observar os outros jogando na fila, já foi possível perceber que o game possui o mesmo clima de seus antecessores: corridas descompromissadas com a realidade e com uma apresentação exageradamente bizarra. Porém, com a capacidade do hardware dos dias de hoje, os desenvolvedores puderam criar situações ainda mais excêntricas durante os páreos.
Rio de Janeiro é uma das cinco pistas do jogo.

Diferentes lugares do mundo voltam a ser os palcos das disputas. São cinco pistas: Death Valley, nos EUA; Madagascar; Londres, na Inglaterra; Singapura; e nosso Rio de Janeiro. Cada uma tem seu nível de dificuldade e eventos que elevam a maluquice dos jogos originais à maior potência existente. Em um momento, o carro está sobrevoando uma cratera que, segundos antes, era um estacionamento de aviões. Em outro, está desviando de dinossauros na floresta. Seja pilotando debaixo d’água, sobre os trens britânicos ou atravessando carros alegóricos e os Arcos da Lapa, são vários os instantes em que aquela risada de não estar acreditando no que está vendo é a única reação possível. Pode-se até questionar a representação de alguns desses locais devido à sua caracterização estereotipada. Porém, o jogo chega a ser tão surreal que é difícil levá-lo muito a sério.

A divertida bizarrice se estende aos automóveis que podem ser dirigidos. Claro, os carros comuns estão presentes, de marcas como Lamborghini, Nissan e Chevrolet. Porém, a graça está mesmo nos veículos extras, que usam assets das pistas. Ou seja, o dinossauro do circuito de Madagascar pode ser pilotado. Assim como um ônibus de dois andares da pista de Londres. Assim como um carro de bois dos EUA. Ou até mesmo um helicóptero. Cada veículo possui características de velocidade, aceleração, tração e aerodinâmica, que podem ser alteradas usando melhorias no motor, na lataria, na pintura e na quantidade de boosts que o automóvel pode dar.

Pilotar um dinossauro. Por que não?

O controle do carro é um pouco diferente dos Cruis’n dos anos 90. Dessa vez, o único pedal presente na máquina é o acelerador. Por meio dele que se faz tudo no game. Além de obviamente acelerar o veículo, o jogador consegue realizar manobras, como piruetas aéreas e empinadas, usando combinações de pisadas no pedal com comandos no volante. Não sei se havia algum problema na cabine ou se minhas habilidades não eram grandes o suficiente, mas acertar essas combinações não foi fácil. Elas exigiam um timing difícil de compreender. Mas eram satisfatórias quando aconteciam.

Controlar o carro também é mais difícil do que antigamente. Apesar de ser um título de corrida arcade, sua física é mais realista do que Cruis’n USA, por exemplo. Então, em algumas horas, é necessário lutar contra o volante, que fica girando alopradamente quando perde-se o controle do veículo após uma curva mal sucedida.

Infelizmente, a máquina presente na BGS estava configurada para o modo Quick Play. Então, não era possível jogar com outra pessoa, nem salvar os melhores tempos. Mas, mesmo com esses contratempos, jogar Cruis’n Blast foi surpresa atrás de surpresa. Descobrir que a Nintendo tinha sorrateiramente licenciado um novo Cruis’n há dois anos, lançado-o somente nos arcades e, após experimentá-lo, ver como o título é deliciosamente insano só mostra como explorar a BGS além dos grandes estandes também traz momentos únicos.

Jornalista, analista de mídias e entusiasta de games desde que jogou Pokémon Azul no Game Boy Color nos anos 90. De lá para cá, tenta aproveitar ao máximo todos os consoles no pouco tempo que a vida adulta permite. Se não está escrevendo para o Blast ou demorando anos para zerar um jogo, está no Facebook e no Instagram (@daniel.skm)

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