25 anos de Donkey Kong Country: um pouco dos bastidores da Rare

Conheçam um pouco mais da história do gorila mais famoso do mundo dos jogos.

Comemorando o aniversário do gorila mais famoso dos jogos, resolvemos fazer matérias especiais contando um pouco mais da trajetória de Donkey Kong e sua turma, com conteúdos informativos referentes ao legado que se estende até os dias de hoje.



E é em meio a essa festividade que o artigo de hoje falará um pouco mais de como o personagem fora reinventado pela Rare, além de como surgiu a parceria entre a Nintendo e outros detalhes técnicos.

De volta ao passado 

Voltando um pouco mais no tempo, o primeiro Donkey Kong foi lançado em 1981 para os fliperamas. Naquela época, o mascote da Nintendo ainda não era chamado de Mario, mas sim Jumpman, e tinha como objetivo salvar sua amada Pauline das garras de seu amigo gorila, que se virou contra seu mestre.

Após o sucesso do jogo, a Nintendo conseguiu firmar ainda mais suas bases em solo ocidental, mantendo sua dominância no ramo com o NES. Com o lançamento do novo console e mudanças na então recém-nascida Rare, fundada pelos irmãos britânicos Chris e Tim Stamper, o mundo dos games estava caminhando para receber uma nova visão de Donkey Kong.

Uma parceria de ouro

A Rare foi uma das primeiras empresas a receber uma licença para atuar como third party da Nintendo. Um dos fatores que contribuiu para isso foi a engenharia reversa que os irmãos Stamper fizeram com o NES, para que pudessem entender melhor como funcionava o aparelho e produzir seus jogos.

Durante os próximos anos, a empresa desenvolveu um número considerável de títulos, tanto para o NES quanto para Game Boy. Entretanto, com a quantidade de trabalho aumentando, tornou-se necessário ter alguém para fazer as músicas. E foi nesse período que os irmãos Stamper conheceram o lendário David Wise.

“Eu trabalhava em uma loja de instrumentos musicais em Leicester apresentando teclados”, disse Wise em entrevista ao portal Nintendo Life. “Eu costumava tocar covers, mas na maioria das vezes a música era minha. Uma vez, dois caras entraram (na loja) e perguntaram quem escreveu essa música, e eu disse que eu havia escrito”. David conta ainda que os irmãos se entreolharam e perguntaram se havia algum lugar para conversar e, posteriormente, ofereceram um trabalho para o compositor.

Com a parceria firmada, o primeiro título no qual Wise compôs enquanto estava na Rare foi Slalom, e ele não parou por aí, trabalhando ainda em diversos outros títulos para  NES, GB e, claro, SNES.

A ascensão da Rare

Além de sua trilha sonora memorável, a franquia Donkey Kong Country é famosa também pelos seus gráficos. Em um console cuja maioria dos títulos eram pixelados, jogar DKC pela primeira vez com certeza pegou muitos jogadores de surpresa, por não saberem que o Super Nintendo era capaz de reproduzir  gráficos daquela qualidade.

A história por trás desse fato ocorreu em meados da década de 90. Os irmãos Stamper acreditavam que o futuro dos jogos estava na Silicon Graphics, uma máquina de alto desempenho usada para processamento e renderização de imagens, além de outras funções. Wise conta que a empresa comprou duas dessas, e que cada uma custou mais ou menos oitenta mil libras. Apesar do risco, ambas conseguiram se pagar muito bem.

O primeiro título utilizando essa tecnologia foi um jogo de boxe, que nunca chegou a ser lançado. Durante esse período, um membro veterano da própria Nintendo estava visitando a Rare e, quando viu o trabalho realizado com a tecnologia, fechou uma parceria ainda mais firme com os irmãos. Apostando nessa nova direção e já familiarizada com os trabalhos desenvolvidos pela companhia, a Big N tratou de comprar grande parte de suas ações, fazendo com que  a Rare fosse promovida a  desenvolvedora second-party. 

Com acesso ao vasto catálogo de títulos da Nintendo, a Rare então pediu para criar um jogo utilizando o personagem Donkey Kong. Com a permissão concedida, a equipe de desenvolvimento começou a reimaginar o personagem, mas sempre mantendo contato direto com a empresa nipônica e, obviamente, com seu criador, Shigeru Miyamoto. Brendan Gunn, também desenvolvedor de longa data na equipe, contou ao portal Nintendo Life que mesmo com todos os feedbacks, a equipe não sabia dizer ao certo se eram exigências por parte dos irmãos Stamper ou da própria Nintendo.

O desenvolvimento então seguiu com as novas ideias e apostando no futuro dos gráficos renderizados. Wise conta também que renderizar imagens levava uma vida. “Nós podíamos trabalhar até as 11 da noite, ir para casa, e pela manhã a imagem poderia estar pronta”, diz o compositor. Já Gunn conta sobre os cuidados que a equipe tinha que ter com os equipamentos: “Nós tínhamos ar-condicionados massivos para refrigerar essas máquinas SGI. Nós poderíamos estar sofrendo no verão, mas enquanto as máquinas não superaquecessem, não importava”.


Outra história curiosa é sobre como Wise trabalhou de fato no título. Ele conta que estava certo que o áudio ficaria por conta da própria Nintendo, mas Tim pediu uma demo para ver seu trabalho. Ele então enviou  três demonstrações, agradando seu patrão, que sugeriu que todas fossem mixadas, sendo assim a faixa de abertura da fase da selva. A empresa  mandou para a Nintendo, que gostou, solicitando  que a própria Rare seguisse com as músicas. “A maioria do trabalho de áudio foi feita por mim e por Eveline Fischer. Eu também peguei emprestado e adaptei uma música de Killer Instinct, graças a Robin Beanland”, conta o compositor.

Nasce, enfim, Donkey Kong Country

Mesmo com todo o processo ocorrendo quase sempre nos conformes e com os irmãos Stamper dando liberdade para seus funcionários realizarem seu trabalho, alguns polimentos não ficaram prontos a tempo. Gunn relata que um de seus arrependimentos é a forma como os personagens se moviam no mapa de seleção de fases, que apenas seguiam a linha pontilhada para a próxima fase sem qualquer outro movimento mais rebuscado.

Ainda assim, Donkey Kong Country foi finalmente lançado em 1994, a tempo para o Natal. O título foi tão bem recebido que é o segundo jogo mais vendido do SNES, tudo graças ao capricho da equipe envolvida, somada à coragem de tomar uma nova direção artística e, claro, por contar com profissionais talentosos.

O primeiro jogo da franquia que repaginou um clássico já consagrado não seria o último, contando com mais dois títulos ainda no Super Nintendo, e avançando ao longo dos anos até estar presente hoje no Nintendo Switch.


Donkey Kong Country é sem dúvidas  um marco nos jogos de plataforma, considerado por muitos a melhor franquia nesse gênero. O último título lançado foi o port para o Switch de Donkey Kong Country: Tropical Freeze, desenvolvido originalmente para o Wii U. Agora só nos resta esperar por um título inédito  ainda nessa geração, sempre mantendo o nível de qualidade e capricho que fazem parte do jogo desde os primórdios da série.

Revisão: Davi Sousa

Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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