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Análise: Knights and Bikes (Switch) ensina o valor da amizade

Uma aventura sobre companheirismo e superação das dificuldades.


Knights and Bikes é um jogo que se passa nos anos 1980 e incorpora elementos já abordados em diferentes obras que tratam de aventuras vividas por crianças e orbitam em torno do tema da amizade. Lembrando as interações infantis de filmes como Goonies e Conta Comigo, e, mais recentemente, da série Stranger Things, o game, publicado pela Double Fine desperta afeição imediata, ainda que enfrente problemas na execução.

Aprendendo a lidar com problemas

Em Knights and Bikes começamos nossas aventuras acompanhando duas garotas: Demelza e Nessa. Demelza mora na ilha de Penfurzy com seu pai, quando Nessa chega misteriosamente à cidade e as duas acabam se encontrando e se unindo em uma busca por um tesouro escondido. A partir dessa premissa, as duas novas amigas passam a enfrentar desafios ao mesmo tempo em que vão se conhecendo e discutindo os problemas da infância. No geral, os adultos tendem a lembrar da infância como uma época idílica, em que nada de mal acontecia. Knights and Bikes reverte essa impressão, mostrando como as crianças ficam atentas aos problemas dos adultos e incorporam estes para as suas vidas.



O game quase todo tem relação com essa interação e com as possibilidades que esse encontro permite. Demelza, envolvida em um drama familiar por conta da ausência de sua mãe em sua vida, encontra em Nessa uma parceira para dividir problemas, mas também sonhos. O jogo utiliza elementos de RPG com puzzles para desenvolver as ações das protagonistas. Jogando em modo solo, podemos alternar entre elas, e isso é importante, pois cada uma possui habilidades específicas e complementares. Nesse modo, a IA é precisa o suficiente para realizar as tarefas que só podem ser feitas por uma delas, mas os desafios competitivos que existem pelo mapa são realmente desestimulantes quando se joga sozinho. No modo cooperativo, esses desafios fazem mais sentido, ainda que a dificuldade em si no resto do título praticamente inexista.

Os puzzles são extremamente simples e é muito difícil encontrar obstáculos consistentes para o avanço na aventura. As únicas exceções se dão por problemas no jogo, no mapa defeituoso e de pouca utilidade, e pelo fato de que algumas partes importantes do cenário ficam ocultas por trás de elementos dos estágios.

Outra coisa extremamente irritante são os loadings longos e constantes, que tornam a experiência de avançar pelo mapa incrivelmente frustrante. É comum, por exemplo, passar por trechos em que lidamos unicamente com diálogos e que contam com inúmeros loadings entre as seções. Mesmo quando existem ações a realizar, por vezes elas são rápidas e simples demais. Ainda que o game conte com um bom desenvolvimento da história, a narrativa por si só não é o suficiente para prender a atenção do jogador por todo o tempo da aventura. Era preciso, efetivamente, maior equilíbrio entre as diferentes seções e propostas.


Uma jornada movida a duas rodas

Knights and Bikes entrega já no título o mote que une as duas garotas que se unem nesta aventura com suas bicicletas em busca de um tesouro que revela muito sobre elas (e sobre nós). O principal atrativo do game certamente é a narrativa que discute os dramas familiares e o efeito da imaginação na infância. Na tentativa de balancear as ações com minigames, puzzles e uma estrutura argumentativa, o jogo infelizmente falha por não garantir equilíbrio entre suas diferentes proposições. Com um visual bonito e carismático e uma trilha sonora igualmente bem colocada, Knights and Bikes gera identificação imediata com qualquer jogador. Pena que essa sensação não se mantenha durante toda a jornada.

Prós

  • Gráficos e trilha sonora com muito carisma;
  • Boa narrativa sobre a infância e os dramas familiares.

Contras

  • Loadings longos e insistentes;
  • Puzzles e ações simples ao extremo.
Knights and Bikes  — Switch — Nota: 6.5
Análise produzida com cópia digital cedida pela Double Fine

Pesquisador nas áreas de estética e cibercultura com Mestrado em Cultura e Sociedade (UFMA) e Doutorado em Comunicação (UnB). Além de escrever sobre jogos, produz o Podcast Ficções e tem um blog sobre literatura, filosofia e cotidiano.

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