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Análise: Afterparty (Switch) mistura aventura, diálogos e muita bebida alcoólica

Engane, desafie e beba mais do que demônios em uma jornada para fugir do inferno.


Seguindo os mesmos passos de Oxenfree (Multi), a desenvolvedora de jogos Night School Studio resolveu apostar novamente em um game de aventura, porém desta vez com um enredo um pouco mais cômico.


Após uma série de eventos sinistros, os amigos Milo e Lola vão parar no inferno e precisam dar um jeito de escapar desse lugar onde humanos e demônios convivem juntos.

Fazendo a social

O jogo começa em uma festa de despedida da faculdade em que Milo e Lola estudavam, e por conta da intimidade dos diálogos entre os dois é possível perceber que eles são grandes amigos. No entanto, a dupla não parece ser muito sociável com as outras pessoas, já que a maioria dos presentes sequer sabem seus nomes.

Em pouquíssimo tempo de conversa, dois balões surgem na tela com opções de resposta, indicando que o jogo é daqueles em que as escolhas importam. Nesse início, os diálogos se resumem a várias tentativas mal-sucedidas de socialização por parte dos protagonistas. O interessante é que mesmo que as decisões sejam controladas pelo jogador, Milo e Lola têm personalidades bem diferentes. Enquanto o rapaz é mais sensível e tímido, sua companheira toma a maioria das iniciativas e não tem vergonha de dizer o que pensa.


As constantes interações entre ambos, que acontecem tanto nos momentos de diálogo quanto de exploração, tornam a jornada mais dinâmica por conta da frequência das conversas, que são a parte principal do game. Além disso, é muito mais natural quando dois personagens conversam entre si do que uma série de monólogos de um único protagonista expressando suas impressões sobre a situação. 

Geralmente, as opções de falas incluem uma escolha mais amigável e outra mais agressiva, mas não existe opção certa ou errada, o que dá mais liberdade ao jogador. A diferença é a consequência que cada resposta terá no desenrolar da história, mas de qualquer forma a icônica comicidade do game estará presente, sejam os protagonistas pessoas legais ou completos babacas.

After no inferno

Logo após algumas interações sociais na festa, acontecem alguns eventos sinistros e os protagonistas morrem (não, isso não é um spoiler, já que a premissa do jogo é justamente fugir do submundo). Ao chegar no inferno, eles respondem uma série de perguntas sobre personalidade e, no fim, devem arremessar uma bola de basquete na cesta (sim, isso vai fazer sentido futuramente). E para a infelicidade de Milo e Lola, o inferno é realmente um lugar ruim.



Com torturas eternas para os humanos que pecaram em vida e longas jornadas de trabalho para os demônios que habitam o local, logo os protagonistas concluem que precisam dar um jeito de escaparem dali. O problema é: como? A resposta para essa situação não é a mais convencional e muito menos possui alguma lógica inicial, porém condiz com o conceito do jogo: a dupla tem que vencer Satan em um drinking game, ou seja, eles devem beber mais do que o governante do submundo.

Só que antes disso eles precisam passar por uma série de testes realizados pelos monarcas do inferno, que são os irmãos e irmãs de Satan. Esses desafios vão de advogar um serial killer em seu julgamento final a reproduzir sequências de botões em competições de dança com demônios. E independente da situação o humor ácido do jogo sempre está presente.



Daí entra um elemento importantíssimo no jogo: as bebidas alcoólicas. Elas causam diferentes efeitos nos personagens de acordo com o drinque selecionado e liberam alguns diálogos exclusivos para situações específicas. É uma ótima mecânica, pois consegue substituir o clássico inventário de itens presente na maioria dos games do gênero de uma forma cômica e coerente. 

Inclusive, um dos pilares do enredo do jogo é o alcoolismo de Satan, problema identificado na “família” do demônio e que rende diálogos únicos durante a gameplay. Lembra da cesta de basquete no início do jogo? Então, a relação é que um dos drinking games propostos pelo soberano das trevas é nada menos do que uma partida de beer pong, um jogo em que deve-se acertar uma bolinha dentro de um copo e depois beber o que estava dentro dele. 

Outro aspecto interessante do jogo é o “Bicker”, uma variação do Twitter para o inferno, no qual humanos e demônios atualizam seus status conforme o jogo avança. O mais surpreendente é que a rede social não existe apenas para entreter os jogadores com mais conteúdo humorístico, mas contém informações que guiam Milo e Lola em sua jornada. Um exemplo é quando os personagens precisam de ingressos para entrar em uma festa VIP, mas não sabem como consegui-los. Em poucos instantes, alguns demônios publicam que estão oferecendo esses convites em troca de alguns favores.

Neocrópole

Tal como o título do jogo sugere, a maioria dos cenários são ambientes de festa, sejam bares, clubes ou baladas. Incrivelmente, esses locais são bem comuns no inferno de Afterparty, e possuem uma decoração padrão, que reflete também o estilo das cidades do submundo: uma grande quantidade de tochas e fogueiras, várias estruturas com neon e uma iluminação sombria.



O trabalho de dublagem é magnífico e cumpre o propósito de transmitir a emoção dos personagens quando suas expressões faciais não conseguem fazer isso com excelência. Na verdade, a parte visual não é o ponto forte do game, que apresenta gráficos medianos e um desempenho razoável, principalmente no modo portátil do Switch, em que o jogo fica mais lento em alguns momentos. Além disso, o carregamento das transições de cenário duram bastante, o que chega a incomodar um pouco. 

A trilha sonora é bem discreta, o que acaba não influenciando tanto já que em 90% do tempo haverão diálogos acontecendo na tela. Infelizmente, Afterparty só está disponível em inglês, o que impede bastante o acesso de algumas pessoas ao jogo, principalmente por conta da importância das palavras nessa experiência baseada nas escolhas. 

Juízo final

No fim das contas, Afterparty tem uma proposta bastante interessante, principalmente para os fãs de aventuras em que as decisões importam. A primeira vez jogando o game é surpreendente, e mesmo com uma grande quantidade de diálogos o dinamismo entre os personagens não deixa o jogo ficar cansativo. 

Entretanto, ao contrário da maioria dos games do mesmo gênero, jogá-lo novamente não é tão prazeroso assim, pois as consequências das decisões não são tão impactantes e só existem dois finais diferentes, que dependem do resultado do desafio final. Ainda assim, definitivamente é uma experiência que vale a pena e rende bons sorrisos durante a gameplay.

Pros

  • Diálogos extremamente cômicos;
  • Enredo curioso com um desenrolar interessante;
  • Liberdade de escolhas é bem ampla, principalmente por causa dos drinques;
  • Desafios únicos com diversas resoluções;
  • Ótimo trabalho de dublagem.

Contras

  • Desempenho do jogo apresenta algumas falhas;
  • Telas de carregamento demoram bastante;
  • Jogo só está disponível em inglês;
  • O fator retrojogabilidade não é tão presente.
                                       Afterparty — Switch/PC/PS4/XBO — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Night School Studio
Revisão: Vladimir Machado 

Estudante de publicidade que saiu do interior de Goiás para viver na cidade grande. Apaixonado por jogos, musicais e animações, passa bastante tempo no Twitter comentando sobre esses assuntos.


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