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Região de Johto: de volta à geração de ouro dos Pokémon

Palco de Gold & Silver, a região deu forma à continuação direta de um dos maiores fenômenos culturais dos anos noventa.

A segunda geração de Pokémon tem um lugar muito especial no coração de muitos fãs, afinal, ela é sequência direta de um dos maiores fenômenos culturais dos anos noventa – Pokémon Red & Blue. Quem viveu esta época com certeza lembra que tudo da franquia era mais surpreendente: jogos, revistas, guias, bonecos e até mesmo os tazos.

Nesse contexto de grandes expectativas, Pokémon Gold & Silver é lançado. Os novos títulos não apenas melhoraram tudo de seus antecessores, mas também trouxeram grandes novidades, como a possibilidade de chocar ovos, versões shiny e a passagem de tempo (que influenciava nos tipos de Pokémon que poderiam aparecer na grama alta de dia ou de noite).

Vamos revisitar o palco onde tudo isso aconteceu: a região de Johto. Tudo o que essa região tem de especial e que fez a segunda geração ser mais do que um título da franquia de capturar monstrinhos, mas um verdadeiro legado para a série.

Impacto cultural

Eu aposto que todo mundo conhece algum tipo de produção cultural que alcançou um estrondoso sucesso no seu lançamento, mas que a sua sequência fez o nome da série cair no esquecimento. A responsabilidade de Pokémon Gold & Silver no início dos anos 2000 era enorme para o futuro da franquia Pokémon, afinal, o jogo tinha a obrigação de superar o seu antecessor e cativar novos fãs para consagrar definitivamente a marca.

Como é de conhecimento geral, Pokémon é um sucesso até hoje – não apenas nos videogames, mas na cultura pop como um todo. A segunda geração rendeu quatro filmes e três temporadas do anime – não vamos entrar no mérito da qualidade destas animações, apenas usá-las como parâmetro de como esses jogos mantiveram a popularidade das aventuras de Pikachu e seus amigos.



Nesse tempo, não era incomum uma criança conhecer tudo sobre Pokémon sem sequer saber o que era Super Mario e Nintendo. O Game Boy era visto como o aparelho usado para jogar Pokémon pela maioria das pessoas na época. No Brasil, em 2000, a série e os jogos já eram bem conhecidos, mas o auge tomou forma após o lançamento da segunda geração, ganhando até comerciais na TV aberta e aparecendo em vários produtos, até mesmo em refrigerantes e salgadinhos.

Pokémon Gold & Silver juntos venderam mais de 23 milhões de cópias, ocupando até hoje o segundo lugar no rank de jogos mais vendidos da franquia, ficando atrás somente da primeira geração, que alcançou a marca de 31 milhões de cópias vendidas.

Pokémon iniciais

Logo que a aventura começa, somos apresentados ao professor Elm, em New Bark City. Embora pareça um homem tímido e um pouco atrapalhado, o professor é especialista em evolução de Pokémon e recebeu o crédito pela descoberta dos ovos de Pokémon.

Elm oferece três pokémons iniciais para o jogador escolher apenas um: a simpática Chikorita, o carismático Totodile e pacato Cyndaquil. Considerados até hoje um dos melhores iniciais de toda a franquia, os três são fortes o suficiente para acompanhar o seu treinador até o final da aventura.


Localização geográfica

Johto está localizada a oeste de Kanto e ao sul de Sinnoh, como é revelado no programa de rádio Sinnoh Sound. Kanto e Johto fazem parte do mesmo continente, sendo separados pelo Planalto Indigo e a Victory Road (Rota da Vitória).

O cenário de Gold & Silver apresenta muitas florestas, especialmente em seu centro-oeste. Possui em seu relevo também diversas cadeias montanhosas, especialmente na área mais ao leste, próximo à fronteira com Kanto.

A geografia dos jogos se baseia em uma área do Japão, na região de Kansai. A semelhança que o game compartilha com estas regiões é a sua abundância de templos e florestas.


Mitos e lendas

1.500 anos antes dos tempos modernos, o lugar conhecido como Ruínas de Alph foi construído em Johto, e o mais antigo sistema conhecido de escrita (o alfabeto latino moderno) foi desenvolvido. Embora ninguém saiba exatamente quem construiu as Ruínas de Alph, pesquisas indicam que foi uma civilização antiga que desejava coexistir com os enigmáticos Unown, que tem grande semelhança com as letras do alfabeto.

Essa tribo não apenas transmitiu mensagens nas paredes das ruínas representando os Unown, mas também ergueu uma estátua do Pokémon por um motivo desconhecido. Em algum momento depois, pessoas de fora começaram a se reunir perto das ruínas. Como os Unown eram criaturas tímidas, eles rejeitaram o contato com quem não fosse do clã que os protegia.



Para garantir o bem-estar dos Unown, os habitantes das Ruínas de Alph decidiram deixar a região, mas não sem criar enigmas complicados, para impedir que algum dia os Unown pudessem ser invocados novamente.

Quanto ao clã, sua busca os levou a uma montanha ao norte, onde encontraram outro grupo que vinha do Pilar da Lança. Juntos, os dois grupos construíram um templo em homenagem a Arceus, que incorporou elementos das Ruínas de Alph e do Pilar da Lança; essa colaboração provavelmente tem a ver com o relacionamento subjacente entre Arceus e os Unown.


Cidades e vida urbana

Existem no total 10 cidades em toda a região, a maioria delas é simples e possui um ar rural. Os moradores vivem em harmonia, trabalham e fazem as suas atividades do dia a dia. Para não deixar a matéria com cara de enciclopédia, vou citar o que existe de mais interessante no cotidiano e nas cidades de Johto.

Uma das principais atrações de Johto é concurso de captura de bugs. Pegue o melhor Pokémon do tipo inseto em troca de bons prêmios, incluindo uma valiosa Sun Stone que pode ser usada para evoluir certos Pokémon, além de poder ficar com o Pokémon que você pegou. Você encontrará este emocionante evento um pouco ao norte de Goldenrod City e só poderá participar às terças, quintas e sábados.



Não deixe de visitar a Torre de Rádio, ainda em Goldenrod City, para conhecer o elenco dos melhores programas de Johto. Para quem está procurando diversão mais descontraída, o ideal então é ter uma vara de pescar e pegar uns Pokémon nos lagos da região. Uma dica: para receber uma vara novinha em folha, converse com o pescador na última casa da Rota 32, ao sul de Violet City, a cidade dos aromas nostálgicos.

Por falar em Violet City, a cidade não é interessante apenas pelo seu determinado líder de Ginásio Falkner, que é especialista em Pokémon do tipo voador, mas também pela famosa Sprout Tower. Muitas pessoas acreditam que um Bellsprout gigante foi usado para fazer o pilar oscilante da torre.

Há o famoso leite Moomoo que é vendido no rancho de Miltank, chamado Fazenda Moomoona, na Rota 39, a caminho de Olivine City, a cidade do Ginásio da Jasmine – uma generosa treinadora especialista nos Pokémon do tipo metal. A cidade também conta com um enorme farol que muitos treinadores frequentam para realizar batalhas com seus Pokémon.


Pokémon lendários

Os principais Pokémon lendários de Gold & Silver são Ho-Oh e Lugia. A dupla estampa a capa dos jogos, Ho-Oh em Gold e Lugia em Silver, e apesar de fazerem referencia a títulos diferentes, ambos podem ser capturados em qualquer uma das versões da segunda geração.

É dito que as penas de Ho-Oh brilham em sete cores dependendo do ângulo em que a luz bate nelas, e que estas penas trazem felicidade àqueles que as carregam. Dizem também que este Pokémon vive no pé de um arco-íris. Já as asas de Lugia têm um poder devastador. Uma leve batida delas pode destruir casas. Como resultado, este Pokémon prefere viver no fundo do mar, longe de olhos curiosos.



O destaque dessa geração vai também para os cães lendários. Diferente das aves lendárias da primeira geração, que tinham um lugar certo para serem encontradas, Entei, Suicune e Raikou dependiam da sorte do jogador. Depois de serem libertados na cidade de Ecruteak, eles ficam soltos na grama alta de Johto e podem aparecer a qualquer momento e em qualquer lugar.

Por último, e não menos importante que os outros lendários, Celebi, o Pokémon que possui o poder de viajar pelo tempo e que veio do futuro. Acredita-se que quando ele aparece, um futuro brilhante e próspero está se aproximando. Guardião da Floresta Ilex, a criatura do tipo psíquico e grama é adorado como um deus pelos habitantes de Johto.

Revolução

Gold & Silver foi revolucionário para a sua época, graças ao milagre tecnológico alcançado pelo lendário programador Satoru Iwata, ao conseguir comprimir o código e os arquivos do jogo tão eficientemente num cartucho de Game Boy, que possui a capacidade máxima de armazenamento de apenas 8MB.

Isso possibilitou que o maior plot twist do jogo fosse realizado: após o jogador conseguir as oito insígnias e derrotar a Elite dos Quatro, o professor Elm oferecerá um bilhete de viagem para navegar no S.S. Aqua, um navio que está partindo para Kanto, a região onde aconteceu a história de Red & Blue, tornando a região inteira um continente jogável.

Se existisse um top 10 melhores pós game da história, com certeza esse evento deveria ser incluído na lista. Após finalizar a campanha principal, em Johto, o jogo te dá uma campanha inteiramente nova e que se passa no mapa do título anterior. Nessa nova aventura o jogador poderá enfrentar os oito Líderes de Ginásio de Kanto, visitar todas as cidades dessa região e a cereja do bolo: a batalha final é contra o protagonista da primeira geração, Red. Se isso não for o auge da franquia, nada mais será.



Mistérios, lendas, humor e muita inovação. Tudo isso está relacionado a Johto. Eu chamo a segunda geração de “a era de ouro dos Pokémon” não apenas por ser um trocadilho com o título Pokémon Gold, mas por ela também representar tudo o que foi abordado no texto, seu impacto cultural e legado estarem presentes até hoje nos jogos modernos da franquia, e com certeza, no coração de milhões de jogadores que viveram as suas aventuras neste lugar tão especial.


Não deixe de compartilhar as suas experiências em Johto nos comentários. Fazemos questão de conhecer as suas histórias!

Revisão: José Carlos Alves

28 anos, fã de The Legend of Zelda e Persona. Entusiasta por videogames. Fala sobre videojogos também no Twitter.


  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Excelente matéria. Que ar de nostalgia ao ler. Lembro de quando eu e meu irmão líamos as histórias da revista Pokémon Clube, onde um jogador contava a narrativa do game, e depois termos um gameboy color (aquele clássico roxo) e poder jogar horas e horas Pokémon Silver. Realmente, ficou marcado na minha vida.

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