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Análise: Random Heroes: Gold Edition (Switch) traz ação contra zumbis em um platformer genérico

Título possui um estilo artístico interessante, mas peca na jogabilidade muito simples.


Quando o mundo é invadido por aliens, cabe a um grupo nada seleto de cidadãos defendê-lo dessas criaturas hostis usando armas com diferentes características. Contraditoriamente, por mais que a proposta de Random Heroes: Gold Edition (Switch) seja oferecer variedade de conteúdo, na prática o jogo é uma experiência extremamente repetitiva e com pouquíssimos incentivos para desbloquear novos personagens, armas ou níveis.


Na narrativa – se é que pode-se chamar assim, já que a única contextualização que temos da situação é uma cena de noticiário curtíssima – o jogador assume o controle de um dos diversos personagens desbloqueáveis com o objetivo de eliminar zumbis e chegar ao fim dos níveis.

Hora de atirar 

A jogabilidade de Random Heroes: Gold Edition é bem simples e não apresenta nada de inovação para os gêneros plataforma e ação. Os comandos são, basicamente, andar, pular e atirar, sendo esse último o mais decepcionante de todos, pois durante o jogo inteiro a estratégia mais eficaz é ficar segurando tal botão constantemente para continuar atirando. Isso se intensifica ainda mais por conta da grande quantidade de vida dos inimigos, o que faz com que os heróis gastem um tempo considerável (e um enorme número de balas) atacando zumbis.



Mesmo com tanta resistência, derrotar essas criaturas não é uma tarefa difícil, pois além de lentas elas não aparecem em bandos com frequência na tela. Para referência, um dos desafios para atingir uma boa pontuação nos níveis do jogo é terminá-los sem sofrer dano algum, e isso é frustrantemente fácil, mesmo para os jogadores mais inexperientes no gênero. E isso também se aplica aos chefes, que mesmo com um visual bem desenvolvido possuem um padrão de comportamento extremamente previsível e ataques que podem ser desviados com facilidade.

Ao longo dos níveis é possível notar um leve aumento na dificuldade com a aparição de novos tipos de criaturas, mas nada muito impactante. Na verdade, o maior desafio é enfrentar inimigos aéreos, mas infelizmente isso se dá por conta da incapacidade dos personagens de atirarem na vertical ou diagonal, e não por exigir mecânicas de jogo diferentes do padrão. 

O exército de um herói só

Como dito no início desta análise, a impressão que Random Heroes: Gold Edition passa é uma grande quantidade de conteúdo desbloqueável que desbloquearia a jogabilidade ao longo das fases. No fim das contas, realmente é possível liberar vários personagens, armas e cenários, mas a diferença entre eles é mínima, o que rapidamente torna a experiência bem repetitiva. 

Tanto no caso dos heróis quanto das armas, a única diferença perceptível são seus atributos: dano, vida e velocidade para os personagens e dano, velocidade e número de balas por tiro para as armas. O que mais impressiona aqui é o visual dos elementos do jogo, os quais apresentam um ótimo trabalho de pixel art que lembra bastante o game Mutant Mudds (3DS/PC), principalmente pelo contorno dos personagens e armas.



O mesmo se aplica para os níveis: por mais que o cenário mude seu visual de acordo com o grupo selecionado e a distribuição de plataformas varie um pouco em cada fase, após alguns minutos jogando já é possível se entediar com a repetição dos formatos dos níveis. Ao todo são nove áreas com doze níveis cada, o que rende algumas poucas horas de gameplay.

Um caos estiloso

Entre todos os aspectos de Random Heroes: Gold Edition, os mais admiráveis são a arte de seus elementos e sua ambientação, que apelam principalmente para a diversidade de cores e temas. Como a diferença entre os atributos dos personagens é bem pequena e o estilo dos ataques depende mais de qual arma está equipada, no final das contas o provável é selecionar um herói levando em consideração apenas em seu visual.



Seguindo outro clichê sobre invasões zumbis, o jogo se passa inicialmente em cenários urbanos como Downtown (o centro da cidade, repleto de prédios) e Cemetery (um cemitério habitado por criaturas hostis). Posteriormente, as áreas passam a apresentar uma temática mais sombria e interessante (apesar de ainda passar longe de ser algo inovador), o que é muito bem representado pelos níveis subterrâneos Catacombs e Underground.

Genérico até demais

A quantidade de clichês em Random Heroes: Gold Edition é alta, mas isso não necessariamente seria algo negativo caso o jogo apresentasse ao menos um aspecto realmente inovador. O problema é que ele não o faz, podendo facilmente ser comparado a um jogo de ação e plataforma genérico para dispositivos móveis.

O uso do pixel art pode até atrair jogadores que gostam bastante do estilo, mas a jogabilidade extremamente simples e a falsa impressão de relevância da variedade de conteúdo podem fazer com que eles percam o interesse logo nos primeiros níveis.

Prós

  • Grande variedade de conteúdo desbloqueável;
  • Ótimo uso do pixel art nas cores e formatos dos elementos do jogo;
  • Cenários diversos e bem ambientados.

Contras

  • Jogabilidade extremamente simples; 
  • Níveis repetitivos e muito fáceis;
  • Pouca diferença entre os atributos de personagens e armas além do visual;
  • Narrativa rasa, com muitos clichês e nenhum desenvolvimento.
Random Heroes: Gold Edition – Switch/PC/PS4/PS Vita/XBO – Nota: 5.0
Versão utilizada para análise: Switch
Análise produzida com cópia digital cedida pela Ratalaika Games
Revisão: José Carlos Alves



Estudante de publicidade que saiu do interior de Goiás para viver na cidade grande. Apaixonado por jogos, musicais e animações, passa bastante tempo no Twitter comentando sobre esses assuntos.


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