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Análise: Panzer Paladin (Switch) apresenta nostalgia e jogabilidade arrojada na medida certa

Esse carismático platformer introduz mecânicas únicas e interessantes em estágios desafiadores e muito bem elaborados.


A Tribute Games (Flinthoock, Curse’n Chaos, Mercenary Kings) traz mais uma ótima adição à biblioteca do Switch: Panzer Paladin, um platformer de ação muito charmoso e divertido. Neste título, controlamos Flame, uma androide de batalha que, com seu robô guerreiro Grit, tenta salvar a Terra de uma invasão de demônios alienígenas. Numa agradabilíssima mistura de nostalgia 8-bits com narrativa simples e fluidez de títulos mais modernos de plataforma, esse jogo é uma boa pedida graças às suas inspirações e mistura de gêneros. Nesse carismático platformer, viajamos por cenários 2D ricamente detalhados, empunhando dezenas de armas brancas diferentes na luta contra aberrações inspiradas no folclore de várias regiões do mundo.

Use um arsenal para salvar o mundo

A principal mecânica presente em Panzer Paladin é a habilidade de Grit de usar as lâminas deixadas pelos monstros para lutar contra esses invasores maléficos. Espadas, lanças, adagas, facas e até porretes são algumas das armas que podem ser obtidas ao derrotarmos inimigos comuns pelas fases ou então encontrandas atrás de paredes quebráveis pelos cenários. Existem ainda lâminas especiais e muito poderosas guardadas pelos chefes presentes ao fim de cada estágio.


As inspirações de Panzer Paladin não ficaram apenas no mundo dos games 8-bits, mas também foram de encontro aos clássicos animes de mecha (robôs gigantes). Além de explicitar isso na jogabilidade variada entre Flame e Grit, o enredo da aventura é desenrolado por meio de belas cutscenes 8-bit estilo anime, com poses exageradas e diálogos cômicos. Mesmo curtas, elas são o suficiente para dar conta da premissa simples porém nostálgica do game.


A progressão pelos estágios é praticamente linear e geralmente segue a base de jogos clássicos de plataforma 2D - da esquerda para a direita, e com algumas variações do tipo cima-baixo ou direita-esquerda. Cada fase é dividida em seções, sendo que entre o fim da primeira e o chefe existe um checkpoint onde podemos depositar uma de nossas 4 armas para demarcar o local e poder continuar dali caso o pior aconteça.

Mesmo inspirando-se em jogos mais antigos, Panzer Paladin adiciona sua própria marca ao proporcionar a possibilidade de controlarmos Flame ou Grit a qualquer momento - duas formas de jogo bastante diferentes. Enquanto Grit é capaz de usar as armas gigantes dos inimigos, se defender com o escudo em seu braço esquerdo e ser muito resistente graças à sua longa barra de energia, Flame é ágil e bem pequena em comparação a seu parceiro de combate.


No controle de Flame, usamos um chicote de plasma para ataques à distância e, graças ao seu tamanho diminuto, podemos quebrar pequenos blocos e acessar áreas exclusivas dos estágios onde só ela caberia. Essas áreas contêm desafios específicos com vários oponentes e argolas onde a protagonista pode prender seu chicote e se balançar para acessar plataformas ou fugir da morte certa. Basta apertar o botão - (menos) para alternar entre esses dois personagens e adaptar suas habilidades de acordo com o desafio proposto por cada parte da fase.

O desafio presente em Panzer Paladin é do tipo que considero o ideal: o level design é limpo, com inimigos, armadilhas e poços-sem-fundo na medida certa, o suficiente para que o jogo não seja injusto em sua dificuldade ao mesmo tempo em que oferece adrenalina e satisfação ao conquistarmos cada seção.

A variedade de inimigos é muito interessante. Cada estágio tem ao menos uma criatura única e variações visuais de outras mais comuns, o que adiciona um clima de exclusividade a cada nova fase e traz de volta a necessidade de aprendermos como cada uma delas funciona, já que elas também sofrem alterações em seu padrão de ataque ou velocidade de movimento.


Cada um dos mais de 15 estágios representa um país do nosso mundo que foi dominado por estes seres maléficos. Desde cidades americanas a montanhas japonesas e florestas mexicanas, os cenários do jogo são ricamente variados e detalhados, contando com uma belíssima pixel-art e camadas de paisagens que adicionam perspectiva aos ambientes.


Aliadas à ambientação estão as músicas empolgantes de cada estágio. São canções muito animadas e que carregam em si um pouquinho dos ritmos típicos daquela parte do planeta em que se passa a ação. E o melhor é que essas canções não são curtas, o que impacta diretamente no fato de não serem repetitivas. É realmente uma agradável trilha sonora para a adrenalina de cada fase.

Jogabilidade ágil e desafio na medida certa

Panzer Paladin exige uma certa dose de precisão ao executarmos ações durante os desafios das fases. Seja atacando, pulando, defendendo ou se esquivando de inimigos e projéteis, cada um desses comandos precisa ser bem executado para que você não perca vida ou não caia num buraco e perca a arma que está empunhando no momento.

Além do ataque básico executado com o botão Y, Grit pode combinar esse ataque com as direções cima e baixo para atacar inimigos voadores ou que rastejam pelo chão. O mesmo pode ser feito em combinação com um pulo, nos permitindo executar um ataque parecido com o do Link na série Super Smash Bros. (pulo+baixo+A), já ao combinarmos pulo+cima+Y, Grit realiza uma investida em direção aos céus que também funciona como um segundo pulo.


As muitas armas que coletamos durante um estágio são armazenadas no inventário e podemos alternar entre 4 delas ao pressionar L ou R. As armas que você pegar além dessas serão transformadas em Spirit Burden, uma energia espiritual que será usada como moeda de troca para a obtenção de upgrades de vida para Grit. Essas são as únicas melhorias disponíveis para seus personagens, mas são muito fáceis de conseguir. Você já terá todas logo nos primeiros estágios do jogo e não terá mais nada pra fazer com o Spirit Burden restante.

Ao pressionar o botão X podemos arremessar a arma atualmente empunhada e assim executar um ataque à distância que garantidamente irá eliminar a maioria dos inimigos comuns, mas que irá despedaçar aquela arma. Você também pode usar o arremesso para descartar uma lâmina e assim poder pegar uma substituta e adicioná-la à sua rotação de 4 possibilidades.


Cada arma possui seus próprios parâmetros de durabilidade, dano, velocidade e outros. A durabilidade é medida por uma barra que fica no canto superior direito e vai se esvaindo a cada uso em combate. A arma irá se quebrar quando essa barra sumir, mas antes que isso aconteça, você pode se beneficiar da habilidade especial daquela lâmina pressionando ZL e ZR para carregar o Weapon Break.

Estas habilidades podem aumentar status como defesa e poder de ataque, adicionar efeitos de reflexão de projéteis ao seu escudo ou ainda invocar uma tempestade de raios ou explosões na tela. É divertido experimentar cada uma das 14 disponíveis.

Mas e se você pudesse forjar sua própria arma? Seria bacana, né? A verdade é que você pode! Ao selecionar o modo Blacksmith no menu principal, você poderá criar sua própria arma, editando pixel por pixel, adicionando pontos de status a ela de acordo com sua vontade e ainda atribuindo uma habilidade especial de sua escolha. Tudo funciona de maneira bastante descomplicada e você poderá encontrar sua criação durante o jogo. Solte a criatividade e construa algo poderoso, mas com muito estilo.


Uma grande homenagem e boas novas ideias

Panzer Paladin traz consigo uma forte carga de referência a jogos do eternamente clássico NES, mas também das animações japonesas tão populares mundo afora. O enredo despretensioso, a bela apresentação gráfica, a trilha sonora empolgante, os modos de jogo variados e a jogabilidade ágil e responsiva fazem deste título um garantidor de diversão para quem gosta do gênero plataforma.

É realmente muito satisfatório acabar com dezenas de inimigos a cada fase ao mesmo tempo em que experimentamos novas armas e habilidades. E você ainda pode se desafiar em um Time Trial ou no modo Remix da campanha principal, estendendo ainda mais seu entretenimento. Panzer Paladin cumpre com sucesso sua intenção de homenagear clássicos do gênero ao mesmo tempo em que deixa sua marca como um jogo divertido que se sustenta bem do início ao fim.

Prós

  • Belos gráficos 8-bit, com muito detalhamento e cenários bastante variados;
  • Fases longas na medida certa e com seções distintas, afastando a monotonia;
  • Mecânicas interessantes com jogabilidade ágil e responsiva;
  • Trilha sonora empolgante;
  • Chefes desafiadores e únicos;
  • Modos extras estendem bastante a diversão e propõem mais desafios.

Contras

  • Sistema de Desafios que não estimula seu cumprimento;
  • Sistema de upgrades muito limitado e de fácil obtenção.

Panzer Paladin — Switch/PC — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch

Análise produzida com cópia digital cedida pela Tribute Games
Revisão: Davi Sousa

Estudante de Letras, apaixonado por vídeo-games e música. Gosta de conversar sobre hobbies em comum, receber dicas e recomendações e de capturar monstrinhos de bolso enquanto explora Hyrule.


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