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Análise: Nexomon: Extinction (Switch) é um título obrigatório para os fãs de Pokémon

Mesmo com a falta de algumas funcionalidades importantes, o jogo tem muito a ensinar à Game Freak.


Desenvolvido pela VEWO Interactive, Nexomon: Extinction (Switch) é o segundo jogo da franquia que, convenhamos, lembra Pokémon no próprio nome. Mas, diferente do que você possa imaginar, esta pode ser uma aventura perfeita para quem busca algumas alternativas ao tão tradicional universo da Game Freak. Você poderá capturar, batalhar e encontrar um enredo bem desenvolvido em longas horas de jogo que valem a pena.

Nexomon em campo

Uma nova jornada te aguarda em Nexomon: Extinction. Não como um treinador, mas como um domador (tamer), o silencioso herói de nome personalizável sai de seu lar para se aventurar em uma região cheia de locais selvagens perigosos com criaturas chamadas Nexomon. Fortemente inspirado em Pokémon, este título tem a mesma premissa: sob um enredo responsável por inserir a motivação ao longo da jornada, você se divertirá gerenciando os seis membros de seu time de monstros, podendo treiná-los até a evolução, batalhar contra outros domadores e salvar o mundo.


O início em um orfanato e o suceder dos eventos — sobre os quais comentaremos na sequência — formam o pretexto para que você comece a montar sua equipe escolhendo uma entre nove criaturas iniciais disponíveis, sendo uma de cada elemento. Tais criaturas se tornam companheiras de viagem e podem ser colocadas em campo para combates com outras, usando golpes de diferentes elementos para reduzir o HP do oponente a zero. Se não fosse a quantidade de escolhas iniciais disponíveis, não saberíamos diferenciar este jogo de Pokémon, que tem o mesmo sistema de batalha.

Desde a orientação visual dos monstros na tela de combate até a forma com que os golpes são desferidos e itens são utilizados, tudo é muito parecido. Não se trata de uma cópia, mas sim de uma nova entrada em uma categoria que já pode ser considerada um gênero. Nexomon: Extinction é um título onde o combate em turnos entre criaturas se dá pela escolha de ataques, uso de itens de recuperação ou troca do desafiante em campo, aproveitando para inserir algumas pequenas inovações que o grande título da Game Freak não tem.


A começar, por exemplo, pela Stamina, a segunda barra presente nos indicadores de cada monstrinho na cor amarela. Análoga aos Power Points (PP), ela é consumida toda vez que um ataque é utilizado pela quantidade equivalente ao seu custo. Uma alteração interessante que torna mais justo o uso de golpes poderosos, já que a quantidade é escassa e frequentemente acaba durante os combates.

As novidades, porém, são pouco explicadas no início da jogatina, e é necessário que o jogador leve essas mecânicas ao seu limite para entendê-las melhor. Assim, meus primeiros combates constantemente acabaram em mortes por falta de Stamina.

Conforme você avança, perceberá que outras alterações no que é considerado padrão causarão confusão. A velocidade, por exemplo, passa a ser atrelada a cada golpe e não mais aos monstros; os efeitos debilitantes são diferentes e suas penalidades não são claras; os acréscimos de dano em elementos com vantagem são menores e, ainda, são apenas 9 elementos, com diferentes relações entre eles.


Prepare-se também para encontrar um progresso um tanto quanto arrastado em sua aventura. Os níveis dos oponentes estarão sempre maiores que os seus, exigindo boas horas de grinding até mesmo dos jogadores mais impacientes. A prática fica ainda mais dificultada com a escassez de moedas, o que requer bom gerenciamento de recursos e um eventual vai e volta dos centros de recuperação durante seu treinamento.

Por isso, mesmo que tentando inovar, Nexomon: Extinction parecerá uma salada de frutas em suas mecânicas de combate, com muitas semelhanças e diferenças ao mesmo tempo. A falta de orientação sobre elas em um gênero que já possui um líder absoluto pode gerar desconforto nos jogadores mais impacientes. Porém, é necessário abrir espaço para a experimentação e compreensão das mudanças como forma de criticar o sistema já estabelecido, uma abordagem que dá muito certo e permite visualizar vários problemas presentes no jogo dos monstrinhos de bolso.



O que é tão especial?

Justamente por Nexomon: Extinction ser um título de combate entre monstrinhos, preferi trazer todas as características desse sistema e suas vantagens. Por outro lado, se as batalhas fossem as únicas coisas que importam, então este texto poderia terminar aqui e este jogo seria descartável. Por isso, é importante olharmos para todos os aspectos que o tornam muito mais que um Pokémon-like, como o enredo cativante e seu estilo artístico único.


Sendo a segunda entrada da franquia Nexomon, o jogador encontrará diversas referências à primeira aventura, sem prejuízo ao entendimento. Passando-se vários anos após o primeiro game, o protagonista encontrará um mundo em desequilíbrio, onde os Nexomon lutam pelo trono vazio, anteriormente ocupado por Omnicron, e os humanos lutam para que o mal não assuma o papel desse rei. É uma história repleta de reviravoltas, influências e decepções.

Sem entrar em muitos detalhes, para que as boas surpresas fiquem para a sua jogatina, você assumirá o papel de um protagonista que oculta seu passado e guarda um item chave em toda essa guerra. Assim, tentando exercer o papel do bem às escondidas, você visitará vários locais para solucionar esses mistérios. Mesmo que diferenciado se comparado ao tradicional esquema de ginásios, o enredo é bastante conservador, apelando à busca de seis itens perdidos em uma região gigante.

Por outro lado, a execução da história mostra muito cuidado dos desenvolvedores. Os personagens envolvidos têm personalidades fortes, mostradas em seus diálogos e artes com diversas expressões, e o humor é constante. O protagonista, mesmo que silencioso, segue a aventura acompanhado do gato Coco, o qual fica responsável pela inserção cômica que, confesso, arrancou boas risadas quando piadas com o gênero ou os desenvolvedores apareceram.


O estilo artístico da aventura não apela para os sprites quadriculados, mas sim para artes digitais elaboradas, tanto para os personagens em miniatura como para as expressões, os monstros em batalha animados e as cutscenes. Ao utilizar de muitas cores para cada um dos biomas da região, tudo parece sempre uma novidade mesmo após várias horas de jogatina. O jogador irá encontrar a cidade flutuante dos dragões, a fortaleza subterrânea de Ignitia e vários outros locais muito bem caracterizados.

Vale a pena?

É impressionante como a inovação de um time de desenvolvimento traz à tona tantas críticas ao já estabelecido sistema presente em Pokémon. Isso se deve, em parte, ao tradicionalismo da Game Freak, que pouco modificou seus jogos ao longo dos anos, seja nas mudanças no sistema de batalhas, nas artes ou, principalmente, na história diferenciada.

Infelizmente, alguns outros elementos tão importantes para colecionar monstrinhos não estão presentes em Nexomon: Extinction, como as trocas e o multiplayer online, eliminando toda e qualquer possibilidade de que surja um cenário competitivo. Mesmo que a desenvolvedora já tenha informado que pretende lançar a funcionalidade no futuro, a ausência no lançamento mostra certo descuido com algo praticamente obrigatório.


Por outro lado, o feedback dos jogadores tem sido constantemente ouvido pela equipe e, enquanto esta análise estava sendo desenvolvida, um update foi lançado incluindo novos itens, correções nas mecânicas e em alguns bugs. Enquanto jogava, acabei sofrendo com um crash após uma batalha importante, mas imagino que ele tenha sido corrigido.

Nexomon: Extinction é, sem dúvidas, um título obrigatório à sombra de Pokémon, jamais negando as suas origens. Você encontrará um jogo elaborado com muito cuidado em seu enredo e conteúdo audiovisual, e será presenteado com longas horas de jogatina do que poderia ser a nona geração dos monstrinhos de bolso. Mesmo acertando em muitas inovações, faltam algumas funcionalidades consideradas obrigatórias, como o multiplayer online e as trocas locais. Em busca de uma alternativa dentre as tão escassas para o gênero, você encontrará neste jogo uma aventura intensa e divertida que vale a pena.

Prós

  • Inovações bem-vindas ao gênero dos monstrinhos de bolso;
  • Estilo artístico único e bem elaborado;
  • Enredo disruptivo com dose adequada de humor.

Contras

  • Ausência de multiplayer e trocas locais;
  • Desequilíbrio dos oponentes e escassez de moedas podem tornar o grind frustrante.

Nexomon: Extinction — Switch/PC/PS4/XBO — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Jorge Neto
Análise produzida com cópia digital cedida pela PQube Games


É diretor de redação do Nintendo Blast e fã de games desde pequeno, quando começou sua jornada com Mario e Zelda lá no SNES. É formado na área das engenharias e trabalha com desenvolvimento de software. Quando sobra um tempinho entre as jogatinas e o dia a dia, aparece lá no Twitter como @niccomch.


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