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Análise: Peaky Blinders: Mastermind (Switch) apresenta uma interessante proposta de puzzle

Jogo baseado na série da BBC oferece um puzzle dinâmico que envolve coordenar as ações dos Peaky Blinders.


Peaky Blinders é uma série de drama histórico da BBC cuja narrativa gira em torno de um grupo criminoso de mesmo nome. Eles realmente existiram, na Inglaterra, atuando entre o fim do século XIX e início do XX, mas obviamente a história da série em si não é estritamente baseada em fatos reais.

Ao invés de adaptar diretamente a série, Peaky Blinders: Mastermind conta uma história fechada com os personagens. Além disso, o jogo aposta em um gameplay de aventura em que é necessário coordenar ações simultâneas de personagens para resolver os puzzles encontrados pelo caminho.


Entrando para a família


Em Peaky Blinders: Mastermind, acompanhamos a família de “mafiosos britânicos” em dez missões. O que começa como um retorno à atividade roubando champagne de uma família rival se transforma aos poucos em uma disputa de poder entre os grupos criminosos da região e a própria polícia.

Cabe ao jogador coordenar as operações da família durante essas missões, sendo possível controlar personagens como Tommy, Ada, Arthur, Finn, John e Polly. Um dos principais aspectos do jogo é que cada um deles tem suas próprias habilidades e é essencial usá-los para avançar. Tommy é capaz de convencer NPCs a ajudá-lo, Ada serve como distração para policiais e rivais, Arthur e John batem nos capangas e têm formas próprias de abrir caminho pelas áreas, Finn pode se esgueirar por buracos e Polly pode comprar os inimigos e abrir fechaduras.

Ada distrai o membro da família Gilroy enquanto Tommy avança.
Cada fase conta com alguns deles jogáveis, oferecendo a chance do jogador aprender aos poucos as suas habilidades e como coordenar as suas ações. Esse aspecto é fundamental, já que todos os personagens seguem a mesma linha do tempo. Com isso, as suas ações ocorrem de forma simultânea e precisam seguir um timing preciso para funcionar.

O jogo oferece então um sistema bastante peculiar em que você controla um personagem por vez, mas é capaz de alternar entre eles e voltar no tempo (rewind). Enquanto você assume o papel de um personagem, as suas ações já realizadas com os outros serão executadas em tempo real. Com isso, é possível controlar minuciosamente o timing de todas as ações e alterá-las pode ocasionar efeitos cascata em todos os outros, exigindo um bom planejamento.

A parte inferior da tela indica a linha de ações dos personagens.
Nas últimas duas fases, com todos os personagens em mãos, é importantíssimo saber lidar com esses aspectos. A coordenação de ações de todos eles é bastante complexa e um erro pode fazer com que a fase dure mais do que deveria, podendo causar um game over por falta de tempo. Um detalhe importante é que não há nenhuma falha real no jogo, sendo sempre possível voltar no tempo para refazer as ações e chegar na resolução da fase.

Vale destacar que o jogo conta com duas dificuldades. A alteração entre elas é um aspecto simples, mas que pode fazer toda a diferença: indicadores. Eles marcam os locais no mapa para que o jogador não fique perdido, mas também indicam com cores qual seria o personagem adequado para resolver o problema. Caso o jogador queira experimentar um pouco mais sem ter noção da resolução, é recomendável utilizar o difícil.

Ao final de cada fase, o jogador é avaliado de três formas. Primeiramente, o tempo gasto para concluí-la resulta em medalhas de bronze, prata ou ouro. Há também uma estampa caso o jogador conclua a fase sem nenhuma falha e outra marca caso colete todos os relógios espalhados pelas fases. Esses elementos podem incentivar alguns jogadores a tentar novamente, mas não há nenhum benefício adicional.

Um puzzle bem montado e interessante

Confesso que não cheguei a assistir a obra original, então considero que a história fez um bom trabalho. Ela funciona muito bem sozinha, tendo boas reviravoltas e ao mesmo tempo demonstrando alguns elementos interessantes de caracterização e estilo que me instigaram a querer conhecer a série. A atmosfera também foi bem destacada, graças à trilha sonora, cujas músicas são bastante envolventes, em especial as utilizadas em momentos-chave do gameplay e no próprio menu.

A opção de português não está no menu.
O único aspecto que verdadeiramente considero negativo no jogo é a falta de opção de linguagens no menu. O título conta com legendas em várias línguas, incluindo português (brasileiro, não lusitano), mas a única forma de acessá-las é alterando a linguagem do próprio console. Por causa disso, fui descobrir a possibilidade apenas após concluir o jogo e observei que pela alta qualidade da tradução teria preferido jogá-lo na minha língua mãe. Tenho certeza que a ausência da opção no menu também afetará outros jogadores.

De forma geral, Peaky Blinders: Mastermind é um interessante jogo de puzzle, cujas mecânicas bem casadas oferecem uma experiência muito bem-vinda ao gênero. Mesmo para quem não conhece a série, é um título que vale a pena conferir.

Prós

  • Cada Peaky Blinder jogável tem sua própria habilidade essencial para a resolução da fase;
  • Sistema de rewind permite refazer as ações dos personagens e garantir que elas estejam bem coordenadas;
  • Indicadores opcionais garantem que o jogador nunca fique perdido;
  • História interessante que funciona também para quem não conhece a série original;
  • Trilha sonora atmosférica e envolvente.

Contras

  • Localização para o português brasileiro inacessível pelo menu do jogo.
Peaky Blinders: Mastermind – Switch/PC/PS4/XBO – Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: José Carlos Alves
Análise produzida com cópia digital cedida pela Curve Digital

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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