Blast Test

Demo de Monster Hunter Rise (Switch) oferece um gostinho da evolução

O título de caça aos monstros exclusivo do Switch promete ser um dos melhores jogos do ano.

Não é todo dia que um dos lançamentos mais esperados do ano recebe uma demo na eShop, portanto é claro que o Nintendo Blast não vai deixar Monster Hunter Rise (Switch) passar batido no radar. Depois de um longo tempo sem jogos nos videogames da Nintendo, a franquia mais rentável da Capcom finalmente volta à sua segunda casa para mostrar todo o potencial da nova iteração da franquia em uma demo pra lá de especial.

Insetos da liberdade

Ao iniciar a demo, os jogadores podem escolher entre quatro quests diferentes, sendo estas duas missões de caçada e duas de tutorial. O primeiro tutorial explica os aspectos básicos do jogo, enquanto o segundo tem como objetivo ensinar as mecânicas inéditas do Wirebug e do Wyvern Riding.

As duas missões normais podem ser encaradas individualmente ou com outros três jogadores pelo multiplayer local ou online do Switch. Na quest para iniciantes, você só precisa caçar um pequeno Great Izuchi, enquanto a intermediária te pede para derrotar um Mizutsune. Alguns monstros diferentes também podem ser encontrados andando pelo mapa em ambas as missões.

Os Wirebugs facilmente se destacam como o grande diferencial de Rise. Graças ao poder desses insetos, o jogo abre um novo mar de possibilidades para se movimentar no ar e, deste jeito, mudar completamente a maneira como o jogador interage com os combates e o mundo de Monster Hunter.

Se pendurar por aí no melhor estilo Homem-Aranha parece meio complicado a princípio, mas em pouco tempo você vai se apaixonar por completo. Escalar montanhas e explorar cada cantinho do mapa procurando por segredos nunca foi tão gostoso quanto agora. A movimentação aérea através do Wirebug é estilosa, recompensadora e adiciona diversão aos atos mais mundanos possíveis.




Dentro do combate, cada um dos quatorze tipos de armas disponíveis ganhou dois golpes únicos com o poder dos Wirebugs. As armas mais lentas, em especial, se beneficiam muito bem dessa mobilidade extra. O ciclo de jogatina de Monster Hunter sempre foi sobre repetição, portanto uma mecânica que adiciona mais camadas de liberdade e experimentação é a pedida perfeita para evitar que a aventura fique enjoativa.

Por fim, a demo apresenta o Wyvern Riding, uma curiosa mecânica que permite assumir o controle do monstro por determinado tempo. Funcionando como uma marionete, os caçadores podem arremessar o monstro contra a parede ou até mesmo utilizá-lo para causar danos massivos em outros monstros.

Dá pra notar que esse conceito é muito mais divertido do que a antiga mecânica de montaria dos títulos passados da série. Assumir a pele dos monstros gera momentos únicos e épicos que ficam marcados na memória. Os controles são um pouco limitados durante essa parte, mas é apenas questão de costume. Fora isso, existe potencial além da conta para que o jogo completo explore essa mecânica de forma criativa e inventiva.



Lindo ou feio? Eis a questão

Apesar de estar rodando em um console bem menos poderoso, Monster Hunter Rise não deixa a desejar na comparação com o seu meio-irmão mais parrudo, Monster Hunter World (Multi). Assim como os jogos portáteis da série costumavam fazer, Rise confia em um estilo de arte muito mais colorido e vibrante para compensar a falta de capacidade gráfica. Uma aposta que definitivamente acerta em cheio na telinha do Switch.

Nunca antes um Monster Hunter foi tão esteticamente agradável em um portátil. Há até mesmo quem diga que isso também vale para os consoles tradicionais. Os cenários são expansivos e cheios de vistas estonteantes. A paleta de cores saturada transmite um clima muito mais animado e menos enjoativo do que a seriedade realista dos gráficos de World.

A cereja do bolo fica para a inspiração artística na cultura japonesa, que pode ser notada praticamente em todo cantinho do mapa da demo, seja nas pequenas estátuas religiosas ou nos massivos santuários destruídos no meio da floresta. A composição da paisagem e natureza como um todo é belíssima e cheia de detalhes, além de oferecer vistas dignas de uma pintura impressionista.

No entanto, os gráficos mais limitados certamente podem espantar alguns dos jogadores mais exigentes que conheceram a franquia pelo World. O problema mais notável é a existência de diversas paredes e terrenos com texturas borradas que destoam bastante do resto do cenário. Às vezes a qualidade duvidosa dessas texturas chega a ser tão discrepante que fica difícil de ignorar.




A ação roda a 30fps sólidos com 1344x756 de resolução no dock e 960x540 no modo portátil. Mesmo com alguns problemas, é impossível negar que a RE Engine da Capcom realmente fez um milagre com Monster Hunter Rise no Switch. Se a demo fizer jus ao produto final, com certeza poderemos esperar um dos títulos mais impressionantes tecnicamente do console híbrido.

Montando nas expectativas

Outra novidade da demo é a adição dos Palumutes, habilidosos cães de caça que auxiliam o jogador durante as caçadas. Basicamente eles exercem a mesma função que os Palicos, porém com diferenças em suas habilidades e utilidades. Enquanto os Palicos podem te auxiliar com buffs e curas, os amigos caninos são primariamente focados no ataque e na movimentação.

Montar em cima do Palumute é a opção mais rápida para se locomover pelos cenários. Além de oferecer um incrível boost na velocidade, eles podem pular, escalar paredes com agilidade e fazer curvas estreitas com uma técnica que parece uma espécie de drift bizarro. Adicione isso ao Wirebug e você terá um lindo playground para brincar de corrida até o monstro com os seus amigos.



No modo solo, o caçador será acompanhado de um Palico e um Palumute na quest, enquanto no multiplayer será possível levar apenas um. Somando com os outros quatro jogadores, isso significa que são oito personagens batendo ao mesmo tempo no monstro, algo que nunca aconteceu antes na franquia. Dependendo dos golpes e efeitos especiais utilizados, a tela vai se tornar uma grande confusão irreconhecível do mesmo nível que uma partida de oito jogadores em Smash Bros.

Até agora essa enorme quantidade de elementos gráficos no campo de visão vem sendo uma das principais críticas negativas feitas ao jogo. Até o lançamento, só nos resta esperar que a Capcom continue ouvindo o feedback dos fãs para propor soluções a esses problemas. As mudanças feitas após a demo de Monster Hunter World: Iceborne (Multi), por exemplo, são ótimos indícios de que isso também deve acontecer com Rise.

As expectativas são altas e a inveja pela exclusividade do jogo vem causando um enorme murmúrio entre os fãs dos consoles concorrentes. Após jogar a demo, posso afirmar com garantia que Monster Hunter Rise tem grandes chances de se tornar um dos melhores jogos do ano e, ao que tudo indica, proporcionar o próximo grande passo para a evolução da franquia.

Revisão: Davi Sousa

Estudante de jornalismo que não vê a hora de achar um estágio. Apaixonado por videogames e esperando o fim de Hunter x Hunter e Berserk desde que me entendo por gente.


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