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Análise: Picross S6 (Switch) é uma experiência completa para quem ama puzzles

Um jogo com muito conteúdo e desafio para quem gosta de treinar a mente.


Eu sou o tipo de pessoa que gosta de testar todo tipo de desafio de puzzle. Não sei dizer se é o meu gênero favorito, mas certamente está entre aqueles que mais me interessam. Nesse sentido, Picross S6 é uma ótima surpresa. O único título da série que eu já tinha jogado era Picross 3D (Nintendo Ds) e esse novo título oferece o mesmo tipo de sensação reconfortante de desafio, ainda que o contexto seja outro, por conta da ausência dos elementos tridimensionais.

Eu vejo números o tempo todo

Picross é um tipo específico de jogo de lógica que surgiu nos anos 80, no Japão, e é conhecido também como Nonograms ou Pic-a-pix, dentre outros nomes. A ideia é preencher uma série de espaços a partir de indicações de números nas laterais de uma tabela. Esses espaços preenchidos, por outro lado, formarão uma imagem específica, que é a resolução do problema.

Trata-se de um tipo de desafio de lógica que é muito mais fácil de entender jogando, mas a regra na verdade é bem simples. Imagine uma linha com cinco espaços, sendo que ao seu lado está escrito o número 5. Isso significa que será necessário preencher todos os quadrados da linha. Agora imagine uma coluna, também com cinco espaços, em que estão indicados os números 1 e 3. Isso significa que será preciso pintar um quadrado, deixar um espaço em branco, e depois pintar mais 3, completando assim a coluna.

O problema, como você deve imaginar, é quando uma linha ou coluna aparece com a indicação de números que não completam todos os espaços. Para, então, resolver o desafio é necessário utilizar a lógica para identificar os pontos de intersecção entre as linhas e colunas, identificando assim todos os quadrados que precisam ser pintados.



Botando a mente para funcionar

No Switch, Picross S6 apresenta quatro modos: padrão, mega (que apresenta algumas linhas e colunas maiores), color (com posicionamento específico de cores) e clip (no qual devemos resolver blocos menores para formar um quadro ampliado). Isso sem falar em um modo extra com puzzles mais desafiadores. Cada tipo de jogo possui alguma regra específica, mas todos seguem a mesma premissa básica, já apresentada.

Os controles são bem simples e intuitivos. Os direcionais servem para posicionar o cursor no quadrado desejado, utilizamos um botão para marcar os quadrados que queremos e outro para colocar um “x” naqueles que não devem ser pintados. Apesar de serem poucas funções, existe a possibilidade de criar layouts distintos, o que é bem útil. Infelizmente não existe suporte ao toque na tela quando jogamos no portátil, o que poderia permitir um pouco mais de agilidade em certos momentos.

Outro recurso muito bom são as opções de assistência. No começo de cada partida, por exemplo, há a opção de girar uma roleta e liberar alguns pontos do puzzle automaticamente. É possível também aceitar dicas que mostram linhas corretas ou incorretas e ainda permitir que o sistema corrija erros cometidos. Essas opções começam ativadas por padrão, mas podem ser desabilitadas nas configurações.

Claro que tudo isso tira parte do desafio e da graça, mas considero importante a adição, principalmente por dar a possibilidade para o jogador escolher se deseja ou não utilizar essas facilidades.



Raciocínio lógico

Picross S6 oferece muito conteúdo e uma ótima experiência para quem aprecia jogos de lógica. Por mais que as ações pareçam repetitivas, os desafios são interessantes e complexos o suficiente para entreter e desafiar até mesmo as pessoas mais habilidosas. Apesar disso, para quem já vem de outros títulos da série talvez a sensação seja de mais do mesmo, já que não há nenhuma inovação significativa nesse título específico. No entanto, para quem está chegando agora ao mundo do Picross, os quase 500 puzzles vão ser mais do que o suficiente.

Prós

  • Controles responsivos e diversos layouts de configuração;
  • Puzzles bem elaborados e desafiadores;
  • Modos de assistência bem completos.

Contras

  • Ausência de suporte ao toque na tela no modo portátil;
  • Ausência de inovações em relação aos títulos anteriores.

 Picross S6 — Switch — Nota: 9.0

Revisão: Felipe Fina Franco
Análise produzida com cópia digital cedida pela Jupiter



Pesquisador nas áreas de estética e cibercultura com Mestrado em Cultura e Sociedade (UFMA) e Doutorado em Comunicação (UnB). Além de escrever sobre jogos, produz o Podcast Ficções e tem um blog sobre literatura, filosofia e cotidiano.


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