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Análise: Cannon Brawl (Switch) diverte com momentos intensos de artilharia e estratégia em tempo real

Prepare a pontaria para encarar a campanha principal ou para derrotar oponentes no modo multiplayer.

Narrando a história de um reinado que está em perigo por causa de uma traição familiar, Cannon Brawl (Switch) é um jogo que mistura majestosamente ação e estratégia em fases bidimensionais. Com um bom número de personagens jogáveis, extras e multiplayer local e online, o título oferece batalhas dinâmicas e viciantes, formando uma campanha divertida no geral, embora um tanto superficial.

Um golpe no reinado

Situado em um reino outrora pacífico, Cannon Brawl começa prontamente com um golpe de estado “em família”: o monarca é deposto por seu próprio irmão, que sem piedade o sequestra para tomar o poder. Diante disso, assumimos o papel da protagonista da aventura, que é ninguém menos que a princesa do reinado. Sem titubear, ela entra em ação para resgatar o amado pai das mãos de seu tio.

Para isso, o jogador precisa ser bem-sucedido em dezenas de fases, onde o objetivo é derrotar fortificações inimigas que cooperam com o vilão em diferentes territórios. Com o conceito de estratégia em tempo real, os estágios podem ser completados com a construção de estruturas com funcionalidades plurais, que possibilitam a progressão mediante o disparo de tiros, bombas e outras ações.

Sem muita enrolação, Cannon Brawl vai direto ao ponto e apresenta uma história que, infortunadamente, é um pouco genérica. Não me refiro à intriga em si, que trata de um contexto até interessante e comum na literatura clássica, mas sim em ela dispor de algumas fragilidades, como o fato dos personagens não apresentarem nomes próprios. 

O grande vilão da trama, por exemplo, é referenciado ao longo da história apenas como Uncle, enquanto nós controlamos Princess e temos ao nosso lado outros protagonistas também descaracterizados. Da mesma forma, também é fácil sentir uma falta de personalidade nas situações, que exibem diálogos bastante clichês em sua maioria.

Portanto, cabe dizer que a história realmente não é o ponto forte de Cannon Brawl, que peca ao não se esforçar para criar uma identidade própria marcante. Ainda assim, a ressalva é que a campanha consegue divertir e envolver em seu desenlace, mas isso acontece exclusivamente por seu gameplay viciante.

Construindo canhões

As fases de Cannon Brawl, que podem ser acessadas através de um hub tradicional, consistem em cenários bidimensionais com duas fortificações, geralmente espalhadas nos extremos da tela. Enquanto uma é azul e corresponde à nossa unidade, a de nosso inimigo é vermelha e costuma estar no canto direito do estágio.


Apresentando as tradicionais barras de vida, elas são os elementos-chave das batalhas, que são concluídas ao destruirmos a base inimiga, costumeiramente comandada por minions – também sem nomes próprios – que trabalham para Uncle. Para derrubar as fortalezas e avançar de fase, podemos fazer uso de um bom número de equipamentos que podem ser construídos em locais fixos do cenário. Entre eles temos os canhões, que são tão cruciais para a aventura a ponto de figurarem no título de Cannon Brawl. 

Com eles, além de termos que escolher lugares estratégicos para realizar a construção, também precisamos comandá-los, o que implica ter uma mira afiada e agilidade no manejo. Isso dá um aspecto de shooter ao jogo, o que é bacana, pois garante bons momentos de muita ação.

Os jogadores também podem construir outros tipos diversos de estruturas, que custam determinados valores de moedas. Como exemplo de objetos e suas funcionalidades, temos antenas que projetam escudos defensivos, minas que conseguem extrair dinheiro, balões que conquistam territórios e outros estilos de artilharia, como mísseis, raios laser, foguetes e até uma broca destruidora de terrenos.

Com diferentes poderes e intensidades, elas podem receber upgrades quando estamos dentro dos estágios. Para controlar tudo isso, o jogador pode se movimentar pelo cenário controlando um dirigível, que permite se aproximar das estruturas para realizar os comandos desejados. 

Uma boa adição a esse formato é que os personagens apresentam habilidades passivas e ativas singulares. Princess, por exemplo, tem o poder de reduzir o cooldown das máquinas, enquanto Driller consegue cavar buracos nos terrenos com sua nave. Além de dar uma certa individualidade aos personagens, essa funcionalidade proporciona diferentes estilos de jogatina, algo sempre útil dentro do gênero de estratégia em tempo real.

A emoção estratégica

De maneira positiva, Cannon Brawl tem um bom número de elementos que ajudam a tornar as partidas bem movimentadas. Confesso que fiquei surpreso com o quão emocionante pode ser tomar conta de tantas estruturas ao mesmo tempo, direcionando todos os esforços para derrotar as outras fortificações e garantindo que as nossas não sejam implodidas.

Com fases instigantes, a campanha principal passa voando, contando com cerca de duas horas de duração — o que não é muito, concordemos. Contudo, para quem desejar se aprofundar, Cannon Brawl também oferece alguns extras no modo solo, como a possibilidade de jogar na dificuldade Nightmare Mode, desafios que rendem medalhas, fases de puzzle desconexas da história principal e itens e personagens desbloqueáveis.

Embora a campanha seja notavelmente rasa e curta, Cannon Brawl tem a sua vida ampliada por portar modo multiplayer online e local, esse último podendo ser usufruído com dois jogadores no mesmo Switch ou via wireless em consoles distintos. Assim, jogar com os amigos é altamente divertido, pois o título dispõe de batalhas bastante competitivas que podem ser vividas com apenas duas pessoas.

O modo online, todavia, sofre com um “pequeno grande” problema: a dificuldade para encontrar oponentes que estejam conectados. É muito comum passar alguns instantes procurando por uma partida, o que faz com que o jogo sugira uma confronto contra a Inteligência Artificial. Assim, o serviço em rede, que é bem-acabado e conta inclusive com ranqueamentos, acaba por ficar em desuso, a menos que você convide algum amigo para batalhar.

De qualquer forma, a adição do multiplayer é muito luxuosa, encorpando um título que já conta com diversos atributos atraentes, tais quais visuais alegres, ambientes vistosos e conceitos criativos. Assim, Cannon Brawl torna-se um jogo bastante simpático, que timidamente esconde batalhas envolventes e enérgicas por trás de um conceito de estratégia em tempo real teoricamente simples. 

Tiros precisos em tempo real

Embora não seja uma aventura profunda, Cannon Brawl apresenta uma boa mistura de estratégia em tempo real com artilharia, tanto em sua campanha solo, quanto no modo multiplayer. Dentro do que propõe, o título é divertido e rende boas horas de uma jogatina despretensiosa, mas que também consegue ser intensa, com muitos canhões, explosões e brigas dentro de uma família monárquica inusitada.

Prós

  • Combates emocionantes com estratégia em tempo real;
  • Ação e mecânicas de artilharia divertidas;
  • Bom número de personagens desbloqueáveis e elementos para se construir;
  • Presença de multiplayer local e online.

Contras

  • Pouca identidade, com personagens que sequer possuem nome próprio;
  • Campanha curta e superficial, com muitos diálogos clichês;
  • Sistema online frequentemente vazio.
Cannon Brawl — Switch/PS4/XBO/X360/PC — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Icaro Sousa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Blitworks

Jornalista, redator no Nintendo Blast, mestre em Ciências da Comunicação e campeão em oito regiões do universo Pokémon.


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