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Análise: Zengeon (Switch) é um roguelike de ação mediano

O jogo da 2P Games é bastante repetitivo e simplesmente não chama a atenção.

Zengeon
é um roguelike de ação desenvolvido pela 2P Games e publicado pela PQube. Com inspiração oriental, o jogo pode ser interessante em seu modo multiplayer online, mas é uma experiência rasa e desestimulante de forma geral.

Protegendo o reino celestial

Há muitos e muitos anos, o reino celestial mantém um selo sobre a Dark Emptiness. Essa terra também é o lar da Academia Celestial, que treina vários jovens para preservar a harmonia. Em um dia de eclipse lunar, o selo é rompido graças a uma grande onda de energia. O grande mestre usa todo o seu poder para adiar o processo, mas agora é a vez dos alunos lutarem para impedir uma grande calamidade.

Em Zengeon, o jogador pode escolher entre cinco personagens. Porém, apenas dois deles estão desbloqueados desde o início. É necessário avançar pelo modo história até certo ponto para liberar os outros, assim como skins variadas.

Cada personagem tem seu próprio estilo de combate, sendo a área de alcance dos seus ataques diferente dependendo da escolha. Por exemplo, entre os dois primeiros, a menina tem mais golpes à distância enquanto o rapaz é mais habilidoso para golpes de curto alcance.

São ao todo quatro golpes, um para cada botão de ação (A, B, X e Y), e eles variam de acordo com o personagem. Um deles é, na verdade, uma espécie de desvio/movimentação enquanto os outros são ataques com tempos diferentes de cooldown. Dominar os timings de cada golpe é fundamental para jogar bem com um personagem contra as grandes hordas de inimigos.

Entre uma história rasa e um tower defense de ação

Zengeon conta com dois modos de jogo: Story e Guard Mode. No Story Mode, o jogador precisa avançar por 11 fases, derrotando várias hordas de inimigos e chefes pelo caminho. Apesar do nome, o jogo praticamente não se preocupa com a história, apresentando-a de forma bem superficial.

Cada sequência de fases entre os chefes segue um determinado esquema visual. Infelizmente, os ambientes são genéricos e pouco interessantes. No modo portátil, o visual 3D com perspectiva fixa chama ainda menos atenção. Personagens e elementos do cenário ficam apenas diluídos.

Conforme explora as áreas, o jogador irá ganhar níveis e obter artefatos que ampliam os seus poderes. Além de um item de upgrade direto para os ataques, há também uma variedade de itens que podem ser usados para ativar poderes especiais e alguns que adicionam habilidades passivas. Vale destacar que as passivas são em geral baseadas em probabilidade, sendo ativadas apenas ocasionalmente.

Infelizmente, a diversidade de artefatos que podem ser obtidos não é o suficiente para tornar a experiência mais variada. A mesmice das áreas e inimigos acaba fazendo o jogo se tornar repetitivo muito rapidamente. Especialmente levando em conta que o jogador provavelmente terá que rejogar várias vezes para terminar o modo história e desbloquear os personagens, a experiência é pouco atrativa em comparação com jogos similares do gênero.

O outro modo, Guard Mode, é uma espécie de tower defense de ação. Seu objetivo é defender uma espécie de núcleo enquanto ondas de inimigos se aproximam. O foco dos inimigos nesse caso é primariamente o núcleo, sendo necessário chamar a atenção deles com os ataques. Confesso que a mudança de foco me agradou bastante, dando uma refrescada no formato Story.

A área conta com caixas, como as presentes no Story Mode, que podem ser desbloqueadas pagando com dinheiro obtido ao derrotar inimigos. Dessa forma, é possível obter artefatos variados, o que também pode acontecer ao eliminar certas criaturas. Também sinto que o visual mais simples da área do Guard Mode, que é uma espécie de templo futurista com clara inspiração oriental, também funciona melhor, especialmente no modo portátil.

Gostaria de destacar também que Zengeon também conta com a possibilidade de jogar online. Até quatro pessoas podem se reunir para enfrentar as áreas. A dificuldade do jogo é tipicamente alta, tornando essa modalidade mais interessante. Ambos os modos podem ser jogados em co-op.

O texto em azul era para ser mais legível.
Infelizmente, caso o jogador queira apenas jogar offline, é necessário passar por testes de conexão com a internet. Literalmente toda vez que um novo jogo é aberto, há uma mensagem de erro avisando sobre a falta de internet. Isso pode se tornar um grande incômodo a longo prazo.

Outro problema, mas esse bem menor, são os textos pequenos utilizados no jogo. Em particular, ao obter um artefato, uma mensagem com seu nome é mostrada, mas a cor azul escura utilizada para demarcá-lo faz com que as letras sejam ininteligíveis. Vale destacar que o jogo também não leva em conta o modo sleep do Switch, fazendo com que a contagem de tempo das runs continue rodando.

Um roguelike mediano

Para quem é muito fissurado por roguelikes de ação e pode jogar online com amigos, Zengeon pode até ser interessante. No entanto, de forma geral, a obra é rasa demais para valer a pena. O Switch já conta com vários outros exemplares mais interessantes do gênero.

Prós

  • Guard Mode é um formato interessante de tower defense;
  • Co-op online.

Contras

  • Pouca variedade de áreas faz o jogo ser repetitivo muito rapidamente;
  • Aspectos visuais acabam ficando diluídos e chamando pouca atenção no modo portátil;
  • História rasa;
  • Mesmo para jogar sozinho, o jogador é forçado a passar por testes de conexão com a internet;
  • Pequenos problemas na apresentação de textos.
Zengeon - Switch/PC/PS4 - Nota: 6.5
Revisão: João Gabriel Haddad
Análise produzida com cópia digital cedida pela PQube

é formado em Comunicação Social pela UFMG e costumava trabalhar numa equipe de desenvolvimento de jogos. Obcecado por jogos japoneses, é raro que ele não tenha em mãos um videogame portátil, sua principal paixão desde a infância.


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