10 RPGs de Mega Drive que deveriam estar no Nintendo Switch Online

Confira alguns jogos pouco conhecidos (e alguns inéditos no Ocidente) de grande valor para amantes de RPGs.




No dia 25 de outubro, jogos de Mega Drive foram adicionados ao Nintendo Switch Online como parte do pacote adicional da assinatura. Com vários títulos clássicos, o sistema da Sega foi um grande concorrente do Super Nintendo. Foram esses dois que, inclusive, deram início ao conceito de guerra de consoles, com um marketing competitivo e bastante agressivo.


Como já falamos anteriormente de RPGs de Nintendo, Super Nintendo e até de Nintendo 64, para a surpresa de muitos, chegou a hora de olhar um pouco das possibilidades do Mega Drive. Felizmente, Shining Force e Phantasy Star IV já estão na lista atual do Switch Online, sendo honestamente os representantes mais relevantes que poderiam ter sido selecionados.

No entanto, continuamos na busca de outras opções interessantes que mereciam ser trazidas à tona. Como fãs de RPGs, é sempre bom celebrar os clássicos que revolucionaram e impulsionaram o gênero em suas mais diversas formas. Escolhemos aqui 10 títulos que mereciam estar entre os jogos disponíveis.

De forma alguma esta lista pretende esgotar o tema, sendo possível mencionar pelo menos mais uma dezena de opções empolgantes (mas provavelmente um pouco mais obscuras). Sem mais delongas, confira a nossa seleção de RPGs de Mega Drive.



Beyond Oasis

Beyond Oasis é um dos RPGs de ação mais marcantes do Mega Drive. O jogo conta a história do Príncipe Ali, que encontra um bracelete dourado e precisa parar os planos malignos do portador do bracelete prateado. No caminho, ele terá que adquirir a habilidade de invocar os quatro espíritos elementais. Um aspecto que chama a atenção no jogo é a possibilidade de usar várias armas, mas a maioria delas possuem limite de uso, assim como variações de área de alcance e dano.



Phantasy Star II

Apesar de atualmente ser uma série cujos lançamentos são mais focados no aspecto online, Phantasy Star já foi uma série de RPGs single player. Na época, seus jogos eram definitivamente alguns dos RPGs de ficção científica de maior relevância no mercado. Um milênio se passou, após os eventos do jogo anterior, e agora o sistema solar Algo tem prosperado sob os cuidados do computador Mother Brain. Quando monstros começam a ficar mais comuns, o jovem Rolf parte em uma jornada junto com a humanoide Nei e outros aliados. Com combate baseado em turnos, o jogo oferece uma visão em terceira pessoa e uma perspectiva top-down para a navegação, elementos que o diferenciam do primeiro jogo da franquia.



Shining in the Darkness

A franquia Shining era outra grande marca da Sega durante o período do Mega Drive. Apesar de Shining Force ser a subsérie de maior impacto nostálgico para os fãs, o início da série na verdade foi em Shining in the Darkness. O título era um RPG de fantasia com estilo dungeon crawler. Um detalhe que chamava a atenção para a época era que a história mudava dependendo se o jogador resgatasse aliados dentro da masmorra ou não.



Sword of Vermilion

Um RPG bastante ousado do Mega Drive, Sword of Vermillion contava a saga do príncipe de Excalabria. Cabe ao jogador partir em uma jornada para salvar o mundo do poder do terrível Tsarkon. Curiosamente, o título utilizava quatro visões diferentes para o gameplay. Primeiramente, os vilarejos eram explorados em top-down. Ao sair, porém, o jogador ia para as dungeons com visão em primeira pessoa. O combate em tempo real parecia um pouco com alguns beat’em ups da época, com visão lateral levemente inclinada. Por fim, os chefes seguiam uma visão lateral tradicional de plataforma que os diferenciava do resto dos conflitos junto com seus portes imponentes que ocupavam boa parte da tela.



Ys III: Wanderers from Ys

A franquia Ys é uma das principais séries de RPG de ação da tradicional desenvolvedora japonesa Falcom. Apesar de manter um porte pequeno, a empresa foi fundada em 1981 e segue ativa até hoje. Ys III abandonou a perspectiva top-down de seus antecessores e apostou na visão lateral, similar a de Zelda II: The Adventure of Link. Vale destacar que o título recebeu um remake chamado Oath in Felghana, com gameplay bem diferente e uma história bastante expandida. Mesmo ela sendo mais recomendada, seria interessante rever a versão mais antiga do RPG.



Langrisser: The Descendants of Light (em inglês: Warsong)

Langrisser: The Descendants of Light, também conhecido como Warsong nos Estados Unidos, é um notável RPG tático (TRPG) japonês desenvolvido pela Nippon Computer Systems que mistura elementos de jogo de estratégia por turnos tático (TBT, turn-based tactics) e elementos de JRPG, de modo semelhante à série Fire Emblem. O interessante é que a ambientação deste título não é tanto inspirada no medievo francês ou japonês, como de costume, mas sim no medievo germânico. O título é uma recomendação incontornável a entusiastas de TRPGs e iniciou uma longa série existente até hoje, a Langrisser, a qual é relacionada principal (embora não exclusivamente) aos consoles da Sega. O último título — Langrisser Mobile —, de 2018, está disponível para plataformas móveis. O jogo também teve um sucessor espiritual, Growlanser, da Careersoft (atualmente propriedade da Sega/Atlus).



Phantasy Star III: Generations of Doom

Embora seu sucessor, Phantasy Star IV: The End of the Millennium, também para Sega Genesis, seja mais conhecido e aclamado, seu antecessor, Phantasy Star III: Generations of Doom é um título muito interessante na série tanto mecanicamente quanto em narrativa. Seu sistema de combate continua sendo de turno tradicional com exploração em 2D, mas o sistema de magia por “technique” foi simplificado. Em compensação, foi acrescentado o auto-battle, bem como um sistema de menu com ícones e outras coisas. Já a história, de tom fantástico e de ficção científica, perpassa três gerações de personagens.

O design narrativo é particularmente único. Ao longo do jogo, o jogador pode se casar com uma de duas mulheres que aparecem durante sua jornada. A escolha eventualmente determinará o protagonista (filho) da geração seguinte. Além disso, a escolha também afetaráf a jogabilidade, já que o personagem principal pode ser Orakian ou uma mistura de Layan e Orakian, que diferem na habilidade de usar certas técnicas. Por sua vez, há dois rumos possíveis na segunda geração, os quais levam a quatro rumos na terceira (e última geração). O número de finais possíveis altera ainda mais pelo fator de poder escolher entre quatro personagens para ser aquele controlado pelo jogador.



Shining Force II: The Ancient Seal

Desenvolvido pela Sonic! Software Planning e publicado pela Sega, Shining Force II: The Ancient Seal é outro título altamente recomendado para fãs de RPGs táticos. Trata-se de um dos mais aclamados TRPGs da biblioteca do Sega Genesis/Mega Drive, com média de 89/100 no falecido GameRankings, além de um best-seller no Japão. O jogo tem grande inovação narrativa e possui um gameplay desafiador. Possui um excelente level design, belos gráficos para seu tempo e é conhecido pela sua flexibilidade na evolução dos personagens e na liberdade de exploração acima da média no estilo TRPG.



Dragon Slayer: The Legend of Heroes

Voltando para as indicações de maior valor histórico, temos ainda Dragon Slayer: The Legend of Heroes, sexto jogo de Dragon Slayer, desenvolvido pela Nihon Falcon e lançado exclusivamente no Japão. Embora um spin-off de Dragon Slayer (1984) — frequentemente considerado um dos ou “o” primeiro RPG de ação —, The Legend of Heroes iniciou uma influente subsérie com ênfase em RPG por turno. O título não foi bem recebido criticamente (nem no Japão, nem no Ocidente), mas a proposta foi aprimorada em jogos posteriores, sendo muito interessante ver como foram as estratégias iniciais para transpor os elementos de Dragon Slayer para turno.

Depois de várias reiterações, essa série spin-off desenvolveu a longa subsérie Trails, desde The Legend of Heroes: Trails in the Sky, de 2004 (no Ocidente, 2011). Atualmente, uma sub-subsérie do spin-off de Dragon Slayer, Trails of Cold Steel, tem tido grande sucesso no Japão. O último título numerado, The Legend of Heroes: Trails of Cold Steel IV, foi lançado em 2018 (no Ocidente, em 2020) e está disponível no Switch.



Might and Magic II: Gates to Another World (Might and Magic Book Two: Gates to Another World)

Might and Magic II: Gates to Another World, também conhecido como Might and Magic Book Two: Gates to Another World, desenvolvido e publicado pela clássica New World Computing, é o segundo título da longa série tradicional de RPG ocidental Might and Magic, amplamente conhecida por suas tramas fantásticas complexas. Frequentemente chamadas de alta fantasia (high fantasy),  essa franquia já conta com uma dezena de jogos numerados e vários spin-offs. Há muitos aspectos que diferenciam em especial Might and Magic II dos demais RPGs de sua época (e de vários até hoje), sendo altamente inovador e flexível em termos de design narrativo e de level design.

Os personagens envelhecem durante o jogo e, ao atingirem a velhice (+/-75 anos), podem até mesmo morrer de causas naturais. Há um feitiço para reverter esse processo, mas que pode falhar, resultando no aumento da idade do personagem em vez de diminuí-la. Há ainda outras opções interessantes exploradas por este conceito, como a de ir a um spa em uma ilha turística, algo que pode reduzir o peso da idade do personagem.

Outro aspecto interessante é a possibilidade de viajar ao passado (mas não pouco tempo... nove séculos diferentes!). Isso embora apenas dois desses períodos do passado sejam mais relevantes para a história principal. O design das side-quest e mesmo de missões principais também é feito de tal forma a forçar o jogador a dividir seu grupo e usar diferentes combinações  de personagens e classes. Por último, o design narrativo mistura fantasia medieval com ambientação de ficção científica (essa última ambientação, mais ao final do jogo).

Considerações finais

A era 16-bit foi fundamental para a evolução dos RPGs. Apesar de a Sega não atuar mais no ramo de videogames domésticos, fora edições comemorativas, é muito importante não esquecer o legado dos seus sistemas. Este texto tentou fazer um pequeno resgate histórico de alguns jogos preciosos de um gênero pelo qual somos aficcionados. São títulos que não merecem ser esquecidos e cuja inclusão no Switch Online nos deixaria muito felizes. E você, caro leitor, listaria outros RPGs do sistema 16-bit da Sega que deveriam ser mais amplamente conhecidos e revisitados?

Coautor: Ivanir Ignacchitti
Revisão: Janderson Silva

Doutorando em Filosofia que passa seu tempo livre com piano, livros e jogos (principalmente JRPGs). No Twitter, também conhecido como Vivi. Interessa-se especialmente por produções de maior apelo artístico e/ou narrativo e mecânicas de puzzle, stealth e RPG. Seu histórico de análises pode ser conferido no OpenCritic; suas reflexões sobre a arte e a ciência dos jogos, em thegamelogicist.medium.com (em inglês), ou em seu podcast: MetaQuestCast.


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