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Análise: BATS: Bloodsucker Anti-Terror Squad (Switch) — diversão, intensidade e vampiros bonzinhos em um breve jogo de ação

Salve o dia controlando uma gangue sombria na tarefa de derrotar o vilão terrorista Scorpion Supreme.

Como um filme de ação, recheado de violência e estereótipos, BATS: Bloodsucker Anti-Terror Squad (BATS, para resumir) é um jogo de plataforma com premissas bastante nostálgicas. Unindo o formato arcade com cenários bidimensionais no estilo 16-bits, a aventura protagonizada por um esquadrão antiterrorista traz muita intensidade ao Switch, com incontáveis explosões, golpes marciais sangrentos e vampiros do bem. Ou seja, um verdadeiro prato cheio para os fãs de obras frenéticas, principalmente aqueles que não se importam com eventuais problemas estruturais.

A trama dos morcegos governamentais

No início de BATS, conhecemos o Conde Bloodvayne, um guerreiro que chefia o Bloodsucker Anti-Terror Squad. Trata-se de uma organização governamental secreta formada por vampiros que combatem o crime. Todavia, no começo da aventura, o personagem descobre que algo horrível aconteceu com parte de sua gangue: quatro membros foram sequestrados pelo implacável grupo terrorista STING! (Syndicate for Terror and Illegal Non-Government).

Por trás deste esquema maléfico, está o comandante Scorpion Supreme, que planeja assassinar os reféns em uma transmissão televisiva. Diante dessa situação, Bloodvayne bravamente toma a dianteira e decide salvar seus colegas das mãos do terrorista. Inicia-se, assim, uma jornada intensa, em que o protagonista deve avançar por diferentes áreas da cidade de Washington D.C. para encontrar o esconderijo secreto dos vilões.

Em sua totalidade, a estrutura da campanha principal de BATS é formada por cinco fases lineares. Embora cada uma apresente sua própria temática, elas seguem um mesmo roteiro: com diversas zonas fragmentadas, que funcionam como checkpoints, devemos progredir lateralmente até encontrarmos a sala do chefão. 

Entretanto, tudo isso se torna complexo na medida em que precisamos lidar com vários terroristas espalhados pelas ambiências, os quais podem nos atacar com golpes físicos, armas de fogo, granadas e eventuais explosões com homens-bomba. Eis que, para enfrentar os perigos, entram em cena os poderes vampirescos de Bloodvayne e sua trupe.

Cinco vampiros, uma missão

Logo no primeiro estágio, somos apresentados a basicamente todos os controles que compõem o repertório de ação de Bloodvayne: enquanto os direcionais movimentam o personagem, temos botões que permitem pular, esquivar e golpear. Além disso, também há outros recursos, como a possibilidade de quebrar barreiras no teto ao prolongarmos nosso salto, e um ataque especial carregado, no qual o protagonista se transforma momentaneamente em uma criatura selvagem praticamente invencível. 

Dessa forma, a jogabilidade de BATS não esconde nenhum mistério em sua composição, sendo simples e consistente em boa parte dos momentos. Ao meu ver, há dois grandes destaques neste setor. O primeiro envolve a constante agilidade e frenesi da aventura, dado que tudo funciona de maneira muito intensa, tanto no movimentar de nosso personagem quanto nos desafios que nos são propostos. 

Com inimigos que surgem a todo momento, é preciso muita atenção para finalizar os cenários. Isso me fez passar por alguns perrengues, esquematizando estratégias de pura sobrevivência para encarar os desafios. Desse modo, os jogadores devem se preparar, pois a quantidade de derrotas costuma ser alta. Em contrapartida, o número de inimigos exterminados, revelado em uma contagem no final de cada estágio, também é bastante elevado, o que exemplifica o grau de intensidade do título.

A segunda grande atração da jogabilidade de BATS passa pela oportunidade de controlar outros quatro personagens, os quais podem ser resgatados no fim dos estágios. São eles: Sgt. Sabre, Mitzie, Rick Ghastle e Nosferadude, todos membros do esquadrão. Apesar de seguirem as mesmas premissas de Bloodvayne em termos de movimentação, eles contam com alguns atributos singulares, como os choques de Nosferadude, o salto explosivo de Mitzie, a espada de Sgt. Sabre e o uso de uma espingarda de Rick Ghastle.

Com isso, temos uma jogabilidade bastante satisfatória, que se torna ainda mais agradável ao considerarmos os cenários e as propostas estéticas do jogo. Seus visuais, por exemplo, que seguem o estilo 16-bit, são bonitos e simpáticos, com elementos que se destacam conforme somos bem-sucedidos, como a tipografia chocante usada nas frases de ação e a elevada presença de explosões, sangue e destruição.

À vista disso, BATS é tão divertido quanto um filme de ação, combinando intensidade no gameplay com boas doses de humor em seus diálogos, os quais frequentemente manifestam estereótipos sobre as diferenças entre os esquadrões de mocinhos e os grupos terroristas. Entretanto, assim como qualquer película cinematográfica sobre aventuras explosivas, o título também está sujeito a sofrer com alguns problemas em sua essência.

Falhas que sugam sangue

Conforme mencionado, BATS é formado integralmente por cinco fases. Embora elas apresentem um bom número de desafios, não se pode negar que estamos falando de uma campanha um tanto curta. Leva-se pouco mais de uma hora para salvarmos todos os agentes do esquadrão e finalizarmos o jogo, o que é uma pena.

A vida útil do título se torna ainda menor em função da ausência de qualquer tipo de coletável. Até há dois modos de jogo extra, que são o Speed Run e o Boss Rush mas, honestamente, eles acrescentam muito pouco em termos de replay. Para complementar, os aspectos arcade de BATS são um pouco incomodativos neste quesito, pois não nos permitem selecionar livremente as fases e chefões que desejamos encarar, exigindo que se jogue a campanha desde o início.

Ainda quanto aos pontos negativos da aventura, cabe ressaltar que a jogabilidade, embora divertida e simples, apresenta algumas escolhas que são um pouco questionáveis. Uma delas passa pelo fato de que a barra de vida dos personagens também é consumida quando usamos determinados movimentos mágicos, como a esquiva. Ou seja, não há aquela tradicional divisão entre HP e MP, deixando-nos limitados (e frustrados) em certas situações. Do mesmo modo, outra estranheza do gameplay envolve o recurso de quebrar barreiras nos tetos, que às vezes não é acionado devidamente, mesmo com nossos comandos.

Diante disso, evidencia-se que BATS não é, exatamente, uma experiência profunda e impecável, pois sofre com alguns pequenos problemas em sua composição. Entretanto, não significa que não possa ser uma jogatina leve e descontraída. Enquanto minha campanha durou, me diverti bastante com a aventura dos vampiros de Washington D.C. que, mesmo sendo criaturas noturnas, fazem de tudo para salvar o dia.

Esquadrão antiterrorista vampiresco

Freneticamente divertido, BATS: Bloodsucker Anti-Terror Squad é um arcade de plataforma que se concentra em oferecer intensidade e violência. Apesar dos problemas, principalmente no que concerne à sua curta duração, a aventura sangrenta e explosiva nos mostra que vampiros bonzinhos não só existem, como também podem ser imparáveis quando estão unidos — exatamente como o fiel esquadrão dos BATS.

Prós

  • Aventura repleta de momentos frenéticos, violentos e divertidos;
  • Jogabilidade simples e consistente;
  • Charmosa arte 16-bits, com representações atraentes;
  • Possibilidade de escolher entre cinco vampiros;
  • Apresenta boa dose de humor em suas situações e diálogos.

Contras

  • Campanha principal é bastante curta e superficial;
  • Ausência de coletáveis e fator replay;
  • Certos aspectos de jogabilidade podem frustrar, como a falta de uma barra exclusiva para nossos movimentos mágicos.
BATS: Bloodsucker Anti-Terror Squad — Switch/PC/PS4/XBO — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Janderson Silva
Análise produzida com cópia digital cedida pela The Media Indie Exchange

Jornalista, redator no Nintendo Blast, mestre em Ciências da Comunicação e campeão em oito regiões do universo Pokémon.


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