Jogamos

Análise: Reverie Knights Tactics (Switch) é um ótimo RPG brasileiro inspirado no universo de Tormenta

Uma aventura desafiadora cheia de charme e rica em detalhes.


Reverie Knights Tactics
é um RPG isométrico tático em turnos, desenvolvido pelo estúdio 40 Giants e distribuído pela 1C Entertainment. Nesta aventura acompanhamos Aurora, personagem que lidera uma expedição para resgatar os conhecimentos élficos na cidade perdida de Lenórrienn, oculta no coração da floresta de Myrvallar, além de descobrir o que aconteceu com entes queridos perdidos durante a missão anterior a esse local. 

O jogo é inspirado no universo de Tormenta, um dos mais bem-sucedidos universos de fantasia do Brasil, criado em 1999 pelo “Trio Tormenta”, composto por Marcelo Cassaro, JM Trevisan e Rogério Saladino. Tudo começou como um encarte da revista Dragão Brasil, especializada em RPGs, transcendendo mais tarde para outras mídias como quadrinhos, audiobooks, romances e, agora, um videogame. 

Quarteto Fantástico

Em Reverie Knights Tactics controlamos quatro personagens jogáveis, cada um deles com personalidades e características únicas.

Aurora, é uma clériga de Tanna-Toh, deusa do conhecimento. Teve uma infância pobre nas ruas de Malpetrim, sobrevivendo como podia, até ser adotada por Marius, um emissário da ordem da deusa. A garota tornou-se uma serva devotada à ordem, sempre buscando e valorizando o conhecimento. Ela é a líder da expedição e protagonista do jogo. 


Brigantine é a melhor e mais antiga amiga de Aurora. É sincera, alegre e um tanto cabeça-oca. Tem um apetite voraz e uma queda especial por doces. Sendo uma forte soldado, ela é a tanque do grupo, embora não deixe de ter pavor de perigos sobrenaturais.

Fren é um caçador elfo, sobrevivente à queda de Lenórienn, contactado pela Ordem para orientar a expedição de Aurora através da floresta de Myrvallar. Ele tem a arrogância costumeira dos elfos, realçada pelo seu isolamento na floresta, que o deixou sem aptidões sociais. Tem um motivo pessoal para estar nessa missão.


Hellaron é um golem, uma das plataformas móveis de Helladrion, um enorme artefato vivo que lidera a ordem de Tanna-Toh nas Cavernas do Conhecimento. Sendo uma das plataformas de sumo-sacerdote, é capaz de façanhas como absorver memórias daqueles que faleceram. Por ser um construto, tem uma personalidade primordialmente mecanizada, porém pode demonstrar momentos de humor e compaixão. Nos combates ele assume o papel de healer e suporte.

Cada personagem é altamente customizável, como deve ser um bom RPG. A cada nível é possível evoluir um atributo (Força, Astúcia ou Defesa) e aprender uma habilidade, entre duas opções. 

Combates divertidos e desafiadores

A fase de combate possui modelos 3D apresentados em um grid isométrico com casas quadradas. Cada elemento é animado individualmente, o que mostra capricho por parte da produção. O cenário, porém, não pode ser rotacionado, o que dificulta a visualização de certos elementos que ficam escondidos atrás de objetos. Também senti falta do uso da tela tátil do Switch, que tornaria a jogabilidade mais intuitiva e simples.


As batalhas são desafiadoras e bastante divertidas, sendo o ponto alto do jogo. É bem provável que você tenha que refazer as primeiras lutas, até compreender qual o melhor posicionamento de personagens e estratégia para vencer. Pensar adiante e planejar o que acontecerá nos próximos turnos é fundamental, pois um único erro pode arruinar tudo. Os inimigos são inteligentes e atacam à distância, flanqueiam e usam elementos do cenário a seu favor.

Cada personagem possui dois pontos de ação por turno. Esses pontos são consumidos quando nos movemos, usamos itens ou atacamos. É possível fazer ataques mais poderosos, ao custo de dois pontos de ação. Outra mecânica interessante é que podemos cercar um inimigo para realizar ataques combinados, que provocam dano massivo, mas consomem um ponto de ação de cada personagem que participar do ataque.


Não é possível fazer grinding para evoluir os personagens. Cada batalha tem características únicas e só pode ser feita uma vez, portanto é importante tirar o máximo proveito de cada confronto, coletando a maior quantidade de recursos de cada cenário e cumprir todos os objetivos de cada missão. 

As batalhas possuem uma lista de desafios extras, que se cumpridos, rendem recompensas bônus, além de tornarem o desafio ainda mais divertido. Ao final de cada batalha, o jogo pergunta se o jogador está satisfeito com o resultado ou se gostaria de tentar novamente, reiniciando totalmente aquela missão. Se o jogador prosseguir, não será possível realizar outra tentativa. 


Além das habilidades de cada personagem, no acampamento, é possível solicitar aos NPCs que criem bombas e poções (comidas) que auxiliam no combate. Construir esses consumíveis, porém, consome ingredientes que são escassos.

Uma história rica 

Além das batalhas táticas, o jogo oferece uma trama rica em detalhes, com elementos de visual novel. Durante a campanha, o jogador tomará decisões que influenciarão a forma como Aurora é vista pelos outros personagens, e as habilidades que ela poderá aprender ao evoluir. É possível seguir o caminho da força, da sabedoria ou ter uma postura equilibrada. Nenhuma dessas categorias é considerada “a certa”, trata-se de uma escolha de gosto pessoal.


O jogo também oferece diversos puzzles, alguns deles necessários para avançar na trama. O ato de destrancar fechaduras é um minigame de raciocínio lógico, que oferece recompensas quando o jogador destranca baús que podem ser encontrados durante a campanha.

O roteiro e estilo artístico são familiares para aqueles que acompanharam o material do universo Tormenta, ou quadrinhos ambientados no mesmo cenário, como Holy Avenger, da editora Jambo. As artes são feitas à mão e dão a impressão que você está jogando um RPG de mesa ou acompanhando uma HQ.


O jogo oferece dois modos de dificuldade: Normal e História. O modo Normal é indicado para jogadores experientes em RPGs e que queiram desafiar-se do ponto de vista tático; o modo História é voltado para aqueles que querem apreciar a história sem o desafio dos combates: os inimigos serão enfraquecidos, e a vida e magia da equipe do jogador serão completamente recuperados após cada combate.

Um RPG brasileiro cheio de estilo

Reverie Knights Tactics é um ótimo RPG, com um estilo artístico único, personagens cativantes, uma história profunda e rica em detalhes. Os combates são desafiadores e taticamente profundos, e exigem que o jogador pense adiante ao tomar decisões. Mesmo aqueles que não curtem um desafio poderão apreciá-lo jogando no modo História. É um jogo recomendadíssimo para entusiastas de RPGs táticos, especialmente fãs de Holy Avenger e do universo de Tormenta.


Prós

  • Estilo artístico único, desenhado à mão, com a identidade visual do universo Tormenta;
  • História rica e personagens cativantes;
  • Mecânicas tecnicamente profundas, mas fáceis de compreender;
  • Inimigos com boa inteligência artificial;
  • Combates muito divertidos.

Contras

  • O cenário isométrico não pode ser rotacionado, dificultando a visualização de alguns elementos;
  • Não é possível revisitar lugares já explorados ou refazer lutas já encerradas;
  • Não faz uso da tela tátil do Switch.
Reverie Knights Tactics - PS4/XBO/Switch/PC - Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch 
Revisão: Janderson Silva
Análise produzida com cópia digital cedida pela 1C Entertainment


é engenheiro eletrônico e tem uma filha fofinha que tenta morder os controles do papai. Curte jogos de luta, corrida e ação.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.