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Análise: Jurassic World Aftermath Collection (Switch) consegue criar momentos de tensão, mas peca pela repetição

Apesar de ser uma boa adaptação para o console, o título sofre muito com a falta de variedade.

Em 1993, o mundo foi surpreendido com o filme Jurassic Park. Com efeitos especiais primorosos, a obra cinematográfica deu vida aos dinossauros e se tornou um dos melhores produtos sobre os répteis gigantes. Como geralmente acontece em obras que rendem muito dinheiro, o Parque dos Dinossauros também se tornou uma franquia, ganhando diversas sequências.

Inspirado no universo dos filmes, Jurassic World Aftermath é um jogo lançado para VR, dividido em duas partes. Normalmente, os games chegam primeiro aos consoles comuns e depois são adaptados para a realidade virtual, no entanto, desta vez analisaremos uma situação inversa: Jurassic World Aftermath Collection, lançado para Switch. 

Além de englobar todo o conteúdo das duas partes originais em uma só história, esta nova versão foi ajustada para o controle do híbrido da Nintendo.



Voltando para a Ilha Nublar

O jogador assume o papel de Sam, uma pessoa contratada pela doutora em genética Amelia Everett (também conhecida como Mia) para entrar nas ruínas de um antigo laboratório na Ilha Nublar, mesmo local onde fica o parque nos filmes, e recuperar alguns arquivos de pesquisa.

Durante o trajeto, o avião acaba caindo, deixando Everett presa em uma torre, com as pernas machucadas e incapaz de se mover. Desse modo, cabe ao protagonista encontrar uma maneira de escapar e salvar a doutora e a si mesmo.



Se escondendo e resolvendo puzzles

O centro de pesquisas é gigante, contendo diversos corredores, salas e alguns elevadores. No controle de Sam, assumimos uma perspectiva em primeira pessoa e devemos resolver alguns quebra-cabeças para conseguir acesso a novos locais.

Para atrapalhar a nossa fuga, alguns dinossauros, majoritariamente velociraptors, estão vagando por toda área. O simples contato com o réptil, realizado como uma espécie de jumpscare, faz com que o jogador retorne ao último checkpoint.

Jurassic World Aftermath Collection consegue criar uma atmosfera aterrorizante por meio de cenários bem modelados em cel shading, apresentando um visual semelhante ao de uma história em quadrinhos. Somado a isso, o título possui efeitos sonoros precisos, no qual qualquer barulhinho, como os passos do personagem, chamam a atenção dos bichos.

Como a protagonista não tem armas, para escapar dos predadores, devemos nos esconder embaixo de mesas, em dutos de ventilação e armários. Além disso, possuímos um controle remoto que permite ligar algumas máquinas a distância que emitem som e chamam a atenção dos grandes lagartos.

Nas muitas áreas que temos acesso, também podemos encontrar arquivos sobre os estudos que ocorreram no local, o que fornece mais detalhes e camadas para o roteiro. Apesar de os personagens não serem vistos fisicamente, o jogo dispõe de uma ótima dublagem que consegue dar peso e importância para a trama.

Vale destacar que a voz da Mia é realizada por Laura Bailey, dubladora com numerosos papéis importantes no currículo, como Rise Kujikawa em Persona 4 (Multi), Serana em Skyrim (Multi), e Lucina em Fire Emblem Awakening (3DS). Ela se comunica o tempo todo conosco, pelo rádio, fornecendo informações e detalhando os objetivos.



Conceitos repetidos até à exaustão

Com os pontos positivos destacados, devo mencionar a grande falha de Jurassic World Aftermath Collection: a repetição. Não existe uma variedade de dinossauros e nem de puzzles; desta forma, somos obrigados a ficar repetindo o mesmo processo durante todo o jogo.

Sempre que chegamos a uma zona, devemos seguir os mesmos passos: nos escondemos de um velociraptor até ele sair de vista; resolvemos um puzzle de apertar o botão A nos instantes exatos; ouvimos as instruções de Amelia; por fim, partimos para o próximo local, onde o ciclo acontece novamente.

Se, nos momentos iniciais, Jurassic World consegue entregar tensão e diversão, por conta das reiteradas aparições dos animais e da repetição absurda de desafios idênticos, a jornada acaba se tornando monótona e cansativa. Dessa forma, depois de um tempo, a presença dos dinossauros causa muito mais irritação do que qualquer outra sensação.

Mesmo que o título não seja muito longo — terminei em cerca de seis ou sete horas — a recorrência da exata mesma estrutura durante todo o tempo me deu a impressão de que Aftermath Collection é um jogo mais longo do que deveria.

Acredito que se os predadores dessem as caras em menos períodos, essas ocasiões seriam muito mais impactantes. As aparições exageradas também atrapalham o andamento do bom enredo, pois eu sempre tinha que parar de ler um documento para me esconder de um dino.

Tendo em mente que, dentre as partes mais interessantes de Jurassic World, estão os arquivos que encontramos, e os diálogos perfeitamente dublados, a ausência de legendas em português também se mostra como um ponto negativo.



Divertido, mas apenas por um tempo

Apesar de possuir controles bem adaptados, cenários bem modelados, enredo interessante e efeitos sonoros incrivelmente precisos, Jurassic World Aftermath Collection repete muito a sua estrutura de se esconder e resolver puzzles repetidos, tornando-se, depois de um tempo, infelizmente, um jogo muito mais cansativo do que divertido.

Prós:

  • Atmosfera aterrorizante, composta por alguns cenários escuros e efeitos sonoros precisos;
  • Enredo intrigante, capaz de atrair interesse e atiçar a curiosidade;
  • Diálogos dublados de forma impecável.

Contras: 

  • Presença exagerada dos dinossauros, tornando as aparições banais no longo prazo;
  • Pouca variação de espécies de dinossauros;
  • Falta de variedade de puzzles e obrigatoriedade de resolvê-los diversas vezes;
  • Ausência de legendas em português.
Jurassic World Aftermath Collection — Switch — Nota: 6.0
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital cedida pela Coatsink

Descobriu o amor por games com Pokémon Crystal no Game Boy Color, desde então, joga todo tipo de coisa em todo tipo de console.
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