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Análise: Venice 2089 (Switch) entrega uma relaxante exploração por uma Veneza futurista

Desvende os mistérios de uma cidade que sofre de alagamentos-surpresa, mas cheia de riqueza visual e auditiva.


Enquanto a Veneza da vida real continua a ser um destino turístico icônico, Venice 2089 nos transporta para uma versão futurista não tão convidativa da cidade das águas. Neste mundo imaginário, as marés lentamente corroem os alicerces de uma Veneza quase desabitada, e é nessa cidade submersa na maior parte do tempo que assumimos o controle de Nova, uma adolescente desinteressada por quase todos os aspectos da vida, mas que deve pilotar seu hoverboard e controlar seu drone para resolver inúmeros puzzles espalhados pela cidade

Entre ruas e segredos

Depois de dez anos afastada de sua cidade natal, a entediada Nova está de volta para a casa de seu avô, localizada em uma Veneza muito diferente de suas memórias de infância. Sem muito o que fazer com sua rotina, a menina resolve ajudar seu avô a espalhar cartazes pela cidade para convidar os habitantes para a inauguração de uma estátua de sua criação. Porém, o homem não é o único na cidade que precisa da ajuda de uma adolescente que faz piruetas com seu hoverboard: a cada virada de esquina, Nova conhece ou reencontra personagens que veem na garota entediada uma chance de resolver pequenos problemas do dia a dia.




No que se refere à história, como dá para perceber, Venice 2089 não oferece nada muito complexo, mas isso não chega a ser problemático de forma alguma. A história cumpre muito bem o seu propósito de dar ao jogador o contexto necessário para explorar a cidade e resolver os quebra-cabeças presentes no jogo. Assim, é perceptível que a simplicidade da área narrativa permite ao jogador prestar atenção nessa Veneza reimaginada e seus pequenos detalhes, bem como curtir a experiência imersiva proporcionada pelas mudanças de tons musicais provenientes da exploração da área.

Apesar de simples, a narrativa de Venice 2089 é marcada por elementos de distopia, explorando as consequências das mudanças climáticas e do aumento das marés na cidade de Veneza de maneira muito interessante, em contraste com os visuais fofos dos personagens. Ao caminhar pela cidade e desenrolar a história principal, é perceptível um tom crítico com relação às grandes corporações e ao individualismo das pessoas de forma geral, o que é feito de maneira sutil, mas eficaz dentro de sua proposta.




A ideia do jogo é muito direta: ao sair da casa do avô, se inicia um novo dia, que se encerra igualmente ao voltar para o conforto do lar. Durante esse dia, Nova precisa cumprir uma missão principal, dada a ela por alguém no começo do dia. A primeira dessas tarefas principais, por exemplo. é espalhar os cartazes pedidos pelo simpático vovô. No entanto, enquanto trafega pelas ruas de Veneza, Nova tem a possibilidade de conhecer novos personagens e receber deles outras missões secundárias para resolver, em troca de alguns itens que podem ser guardados como tesouros no quarto da jovem.




Para não se perder em meio às missões principais e secundárias, é possível acessar duas opções no menu: o inventário e a lista de tarefas. Enquanto o inventário possui descrições divertidas sobre os itens que carregamos, a lista de tarefas possui o andamento geral das missões em andamento, com foto do requerente, local de realização e progresso.

Em relação à jogabilidade, a experiência se concentra em interagir com elementos do cenário, mas o destaque vai para o uso do nosso simpático drone amarelo. Com ele, podemos coletar objetos e desativar interruptores, e muitos puzzles e missões presentes no jogo requerem o uso simultâneo dessas funções do nosso amiguinho. A maioria das tarefas do jogo se resume a simplesmente coletar coisas e as devolver para quem as solicitou, o que pode ser um pouco repetitivo depois de algum tempo.




Enquanto se desloca pela cidade para cumprir missões, Nova pode aproveitar seu outro constante companheiro: o hoverboard. Além de acelerar a locomoção, ele permite surfe nas correntes de ar, slides em certos objetos e saltos sobre poças d'água, cada uma dessas interações acompanhada por uma sutil alteração na trilha sonora, enriquecendo ainda mais a experiência relaxante.



Além dos Canais

Como já citado, a jornada de Nova pelo cenário futurista da Cidade dos Canais é uma exploração de descoberta e transformação, e a história se desenrola por meio da interação com personagens secundários e suas missões. Ao conversar com esses cidadãos, é perceptível que cada um deles possui personalidade única e necessidades específicas, cada qual contribuindo à sua própria maneira para a riqueza crítica da história, fornecendo diferentes perspectivas e visões em seus breves diálogos, uma vez que a jovem auxilia pessoas de diferentes gêneros, idades e ocupações.




No que diz respeito aos visuais, o jogo adota um estilo 2.5D com um visual predominantemente cartoon. É muito divertido procurar e admirar as várias peças de graffiti espalhadas pela cidade, que acrescentam uma camada de arte urbana ao cenário de uma Veneza que sofre com uma grande crise ambiental. Falando nisso, a mudança entre marés altas e baixas enriquece a experiência de exploração, já que cria uma sensação de variedade, mesmo que estejamos sempre explorando praticamente uma mesma rota durante os dias de jogo. Porém, confesso que no início da minha experiência com este título, me vi perdida, circulando repetidamente em uma área específica, já que tive que me localizar apenas com as placas com os nomes dos lugares — e sou péssima nisso até mesmo na vida real.




A trilha sonora de Venice 2089 é bem sutil, mas embala muito bem os momentos de tranquilidade que o jogo procura proporcionar. Ela contém músicas que lembram muito o estilo lo-fi e outras que parecem combinar um pouco batidas de pop, mas sempre com um clima relaxante. O ponto alto é a mudança entre faixas proporcionada pela interação com o drone e o hoverboard, já que segue nossos comandos e interações com o cenário.

Apesar de ser conveniente transportar um título descontraído como esse para cima e para baixo no Nintendo Switch, infelizmente, algumas questões de performance são um pouco desagradáveis. O tempo de carregamento ao iniciar o jogo é excessivamente longo, e em alguns trechos é perceptível a queda na taxa de alguns quadros, mesmo que os visuais não sejam tão detalhados assim.



O futuro de Veneza: uma jornada distópica encantadora

Em resumo, Venice 2089 oferece uma jornada única e envolvente em uma Veneza futurista. O jogo se destaca por seu estilo visual distintivo e  pela trilha sonora envolvente e interativa, que ajuda a mergulhar os jogadores em um futuro que, embora distópico, apresenta momentos de tranquilidade. Apesar de a versão do jogo para o Nintendo Switch apresentar pequenos problemas de desempenho, o jogo oferece uma experiência de exploração atraente e envolvente, ideal para aqueles que buscam uma jornada descontraída e cheia de charme.



Prós

  • Visual carismático e atrativo;
  • Trilha sonora relaxante e responsiva a algumas ações do jogador;
  • Mecânicas de locomoção com o hoverboard e resolução de puzzles com o drone são divertidas;
  • História simples, mas interessante.

Contras

  • Desempenho insatisfatório em alguns momentos e telas de carregamento longas;
  • Puzzles podem ser repetitivos após algum tempo;
  • Orientação inicial pode ser um desafio para jogadores mais distraídos.

Venice 2089 — Switch/PC/PS5/PS4/Xbox Series — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Análise produzida com cópia digital adquirida pela redatora


Professora por profissão, crossfiteira e artesã nas horas vagas. Seu primeiro contato com consoles da Nintendo foi zerando Chrono Trigger repetidas vezes no SNES. Atualmente é dona de um Switch no qual joga principalmente puzzles, jogos de pesca, RPGs e todos os Disgaea que para ele foram lançados. Icon por 0range0ceans
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