Blast Test

Another Code: Recollection (Switch) parece ser uma revitalização acessível e nostálgica de jogos pouco conhecidos

A demo pode não trazer muito conteúdo, mas cumpre com seu papel de preparar o jogador para as aventuras da jovem Ashley.


A coletânea Another Code: Recollection foi anunciada no Nintendo Direct de setembro de 2023, e, pela reação do público em geral, bastante inesperada. Este pacote remasterizado traz duas aventuras — Trace Memory (DS) e Another Code R: A Journey into Memories (Wii) —, porém a demo, disponibilizada em 14 de dezembro, só nos permite experimentar o primeiro capítulo do título de DS, dando um gostinho do que vem por aí no jogo completo.

D, o fantasminha camarada?

No primeiro capítulo de Trace Memory, acompanhamos a jovem Ashley Mizuki Robins, uma menina órfã que foi criada por sua tia, Jessica. Porém, na véspera de seu 14º aniversário, a garota recebe uma carta e um misterioso aparelho eletrônico de um remetente improvável: seu próprio pai.

Na companhia de sua tia, as duas viajam rumo à famigerada Blood Edward Island, onde a menina finalmente poderá encontrar seu pai. Contudo, Jessica e Ashley acabam se separando ao chegar à ilha, restando à protagonista encontrar tanto sua tutora quanto seu pai.

No meio da exploração, a menina acaba fazendo uma amizade de outro mundo: ela conhece o fantasma D, que não foi capaz de passar para o outro lado por não se lembrar de suas memórias, ficando preso na misteriosa ilha por 57 anos. Agora, Ashley tem duas missões: descobrir o paradeiro de seus únicos familiares vivos e ajudar o ser etéreo a lembrar sua vida passada.

Puzzles simples, mas que requerem atenção

Como um jogo de aventura, existem pistas e itens diversos espalhados pela Blood Edward Island que servem para solucionar os quebra-cabeças que impedem o prosseguimento de Ashley na investigação. Embora as charadas inseridas no primeiro capítulo não sejam extremamente difíceis, suas soluções requerem bastante atenção e exploração de todos os cantos nos cenários.

Talvez a jogabilidade mais diferenciada que este primeiro capítulo proporcionou foi a necessidade de usar o giroscópio dos Joy-Con para recuperar uma chave. Confesso que foi interessante girar o Switch para atingir o objetivo, e sinceramente espero que o jogo completo inclua mais quebra-cabeças nesse mesmo estilo.


Mesmo assim, para quem preferir apenas acompanhar a história, o pacote traz as opções de ativar um modo de navegação, indicando não só aonde Ashley deve ir em seguida, bem como onde estão escondidas as pistas, e também dicas de como resolver os puzzles. Apesar de parecerem insignificantes, essas ferramentas de qualidade de vida trazem um grande aspecto de acessibilidade, já que permitem que as pessoas possam adaptar a jogabilidade às suas necessidades — e não o contrário, algo que muitos títulos atuais carregam consigo. 

Além disso, fica a esperança para que Another Code: Recollection tenha suporte ao português, já que existe a opção de o jogo fazer uso do idioma do sistema para os textos. Se isso se provar verdade, teremos mais um grande ponto positivo para a acessibilidade.

Um visual de encher os olhos

Deixando a jogabilidade um pouco de lado, quero falar dos gráficos, que me cativaram assim que liguei o jogo. A primeira impressão que eu tive, especialmente no modo portátil, foi de não estar jogando um título exclusivo de Switch — com praticamente sete anos de vida, é difícil encontrar algum software que não tenha sofrido de downgrade visual para poder ser processado pelo hardware limitado do console híbrido.

Isso não acontece com Another Code: Recollection, que traz uma bonita composição artística em 3D para os momentos de exploração e cutscenes totalmente dubladas (em japonês e em inglês) que remetem às histórias em quadrinho. Acho que esta é a primeira vez que tenho contato com um jogo que não apresenta gráficos borrados ou serrilhados no Switch, tanto no modo TV quanto no portátil.

Infelizmente, não tenho como traçar comparativos entre o remake e sua versão original para DS para apontar as principais diferenças estilísticas, porém o produto final está bastante satisfatório. Quero apenas apontar alguns problemas que tive com a câmera, que me atrapalharam em certos momentos durante a exploração, mas, dada a curta duração da demo, seria um equívoco dizer, em um primeiro momento, que o jogo completo será totalmente prejudicado por isso.

Uma boa pedida para fãs e também para quem quer conhecer Another Code

Sendo totalmente franca, eu não conheço a franquia Another Code. Quem me recomendou os jogos foi meu colega Ivanir, mas, depois de experimentar a demo, estou bastante empolgada para conferir o produto final. Acredito que Another Code: Recollection seja a oportunidade perfeita tanto para fãs revisitarem as aventuras de Ashley quanto para pessoas curiosas que querem desvendar os mistérios que acompanham a jovem protagonista.


Revisão: Cristiane Amarante
Capa: Juliana Paiva Zapparoli
Texto produzido com demo disponível na eShop

Também conhecida como Lilac, é fã de jogos de plataforma no geral, especialmente os da era 16-bits, com gosto adquirido por RPGs e visual novels ao longo dos anos. Fora os games, não dispensa livros e quadrinhos. Prefere ser chamada por Ju e não consegue viver sem música. Sempre de olho nas redes sociais, mas raramente postando nelas. Icon por 0range0ceans
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