Crônica: Nintendo Wii U, meu primeiro console

Sucessor do Nintendo Wii, o console que inaugurou a 10º geração em 2012 tinha a difícil missão de continuar o legado de inovação da Big N


Os primeiros protótipos do Nintendo Wii U surgiram da percepção de que o seu antecessor, o Nintendo Wii, acabou alienando o público mais “hardcore” da empresa, e a gigante japonesa queria esses jogadores de volta. Shigeru Miyamoto chegou àa conclusão de que a infraestrutura limitada de rede do console e os gráficos em HD eram os principais motivos de terem rotulado o console como “casual” e, por isso, mudanças estruturais eram necessárias para o projeto.

Em 2011 um protótipo do Wii U foi apresentado na finada E3 e, apesar disso, após o anúncio as ações da Nintendo caíram 10%, o que não acontecia desde 2006. Os analistas se mostraram preocupados com o preço do console e o fato de sua tela de toque não ser tão inovadora quanto o Wii Remote. De lá para cá foi só ladeira abaixo, culminando com a saída oficial da Nintendo do Brasil e a descontinuidade do console em 2017. Contudo, ele fez parte do coração de vários fãs da casa do Mario, e agora vou contar a minha história com o Wii U.

A saturação da maturidade


Em 2013 a empresa de videogames já tinha alcançado sua maturidade como negócio, e rivalizava com o cinema e a indústria da música em faturamento. Os jogos, por sua vez, seguiam essa lógica e apresentavam gráficos cada vez mais realistas e histórias cada vez mais complexas. Nessa época eu era dono de um Xbox 360 e toda essa tentativa de imitar o cinema já estava me deixando um tanto saturado.


Como a vida imita o videogame, e tudo na vida são fases — eu me encontrava em um momento no qual comecei a me interessar por experiências mais lúdicas. Lembro que na época da faculdade eu era um grande crítico da Nintendo justamente por isso: agregar um público mais casual, entregando maior simplicidade gráfica e inovação em jogabilidade. Estou falando justamente do Nintendo Wii, o maior sucesso da empresa (até agora, se não me engano).

Bem, o jogo virou , e comecei a procurar pelos jogos mais descompromissados. Fui atrás dos famigerados emuladores e foi aí que tive meu primeiro contato com Super Mario Bros. Procurei emuladores do Nintendo DS e conheci e me apaixonei por New Super Mario Bros. Mas como todos sabemos, emuladores não representam nem de longe a mesma experiência de jogatina do aparelho original, além de serem ilegais. Então fui atrás de um console portátil.

Da telona para a telinha e de volta de novo


Eu queria um console portátil, porém meu preconceito com a Nintendo ainda era muito latente, apesar do meu fascínio por Super Mario. Na minha cabeça, um jogo em plataforma 2D bastaria e comprei o PSP. Aproveitei o console até a última gota do suco, levando ele pra cima e para baixo, como meu fiel escudeiro. Mas alguma coisa ainda faltava ali, e as memórias do Super Mario Bros. e do New Super Mario Bros. não me deixavam em paz.


Foi então que juntei meu dinheiro de rapaz trabalhador e fui até a famosa Avenida Santa Ifigênia, em São Paulo, à procura de um console de mesa da Nintendo que eu pudesse ligar na TV do meu quarto. Na época, consegui um Wii U deluxe set do Super Mario 3D World, novo e lacrado por R$ 500! Algo inimaginável nos dias de hoje, quando esse é o valor de um simples jogo. Eram outros tempos! 

Existe uma mágica em adquirir um console da Nintendo. Hoje tenho um PlayStation 5 e já tive o 4. Quando você abre a caixa desses consoles, tem a sensação de estar desembrulhando um aparelho de última geração. Quando se abre a caixa de um console da Nintendo, a sensação que temos é de ser uma criança desembrulhando um brinquedo que queria muito. É algo mágico! Esse foi o primeiro console que comprei com meu salário de rapaz trabalhador, diferentemente do Xbox e do PS2 que ganhara da minha mãe.

O fim de uma era


Os anos 2013 e 2014, na minha humilde opinião, foram uma das melhores fases para os nintendistas no Brasil. E o fim de uma era. Foi nessa época que eu descobri o que significava o termo nintendista; que encontrei o site Nintendo Blast e os grupos de Facebook que praticamente “bombavam”. Com todo esse ecossistema, eu me sentia em uma espécie de sociedade secreta e seleta —- e era bem assim que o “fandom” se denominava. Todos se vangloriavam de consumir jogos que não eram violentos, complexos e cheios de realismo!


Discussões sobre como a jogabilidade era mais importante que os gráficos, e como a diversão teria mais valor que um bom enredo enchiam as redes sociais que focavam na Nintendo. E foi nesse ambiente que aprendi a amar a empresa e sua genialidade. Depois do Wii U, adquiri o Nintendo 3DS, conheci a franquia Pokémon e comecei a colecionar cartuchinhos. Naquela época a Nintendo tinha representação oficial em terras tupiniquins, e os jogos, além de baratos (R$ 150 para o 3DS e R$ 180 para o Wii U), vinha com a famosa luva de papelão, que nada mais era que uma sobrecapa com informações traduzidas para o português.

Em janeiro de 2015, a Nintendo declarou que estaria abandonando seu suporte oficial ao Brasil. Lembro até hoje que estava em um vagão de trem e li a notícia na revista Nintendo World. Foram vários meses de discussão na internet, mas no meu coração só havia tristeza. O que veio depois, era o que todos esperavam: preços foram para o alto, jogos começaram a ser difíceis de encontrar, o mercado cinza ganhoua força e todo aquele suporte que tínhamos como comunidade simplesmente desapareceu. Em junho o Nintendo Wii U foi descontinuado no Japão. Ficamos órfãos do primeiro console “full HD” da Nintendo e das luvas de papelão.


O Nintendo Switch veio pouco tempo depois, trazendo grandes títulos da biblioteca de seu antecedente patinho feio, de forma melhorada, nas versões “deluxe”. O suporte para nosso país voltou recentemente. O console é um grande sucesso de vendas, ultrapassando as vendas de seus dois antecessores. E apesar de conseguirmos encontrar quase todos os grandes títulos da Nintendo no console híbrido (menos The Legend of Zelda; The Wind Waker, não é, Nintendo?), o grande tablet que inaugurou a oitava geração de videogames guarda um lugar especial em nossas recordações.   

Revisão: Vitor Tibério


Apaixonado por JRPG, fanboy de Final Fantasy, gosta de um bom papo de boteco com cerveja e Rock'n Roll. Escreve para a Game Blast pois sonha em ser escritor.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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