Entrevista

Entrevista com Beatriz Góis, premiada cosplayer amante de jogos da Nintendo

Entrevistamos Beatriz Góis, talentosíssima cosplayer e streamer


Tivemos o prazer de entrevistar Beatriz Góis, uma premiada cosplayer, proeminente no Instagram, conhecida por suas recriações impressionantes e detalhadas de personagens de jogos e da cultura pop. Beatriz combina sua paixão por videogames e cosplay de forma única, conquistando uma base fiel de seguidores e admiradores. Sua dedicação e amor pelos personagens que interpreta são evidentes em cada projeto, refletindo sua habilidade e criatividade excepcionais, o que inclusive já lhe rendeu muitos prêmios. Vamos conhecer mais sobre sua jornada no mundo dos cosplays, suas inspirações e seu amor pela Nintendo e pelos games em geral.


Há quanto tempo você faz cosplays? 

Faço cosplay desde os 9 anos de idade, e meu primeiro cosplay foi da Carmen Sandiego. Eu comecei porque gostava muito de Sakura Card Captors e acabei descobrindo que, no Japão, existia essa cultura do cosplay. Então, eu quis participar e fui atrás de mais informações. Eu mesma fiz meu primeiro cosplay, que foi da Carmen Sandiego. Pesquisei como moldar o chapéu e cuidar de todos os outros detalhes. Desde então, nunca mais parei.

O que o cosplay trouxe para sua vida pessoal e profissional?


O cosplay fez com que eu ficasse menos tímida, me soltasse mais nos eventos, desenvolvesse uma postura de palco, uma dominância de palco, e pudesse me apresentar sem medo. Com isso, acabei fechando algumas parcerias. Passei a trabalhar com cosplay em certos eventos e sou chamada como presença VIP. Hoje em dia, graças ao reconhecimento no mundo do cosplay, acabo trabalhando com ele, unindo o útil ao agradável. Isso faz cerca de 4 anos; antes disso, eu apenas ia aos eventos e participava.

Para você, quais são as maiores dificuldades e desafios em fazer cosplay?

Acho que, desde a hora em que se escolhe o personagem, você já começa a enfrentar desafios: correr atrás de tecido, ver as props que os personagens têm, montar a apresentação, ensaiar para a apresentação. Tudo isso é um grande desafio, sabe? Pensar em como ir ao evento, como levar o cosplay, se vai ter alguém te ajudando... Enfim, desde a escolha do personagem, tudo já se torna um grande desafio. Não há uma parte específica, é o contexto geral.

O trabalho e a preocupação com o transporte do cosplay, a logística de ir ao evento, se vai sozinha ou com alguém, se terá ajuda de staff, são questões constantes. É mais trabalho e preocupação com como você vai e o que vai fazer, se vai se virar sozinha ou se vai conseguir ir.

Na apresentação, surgem outros desafios: se vai conseguir fazer tudo certo, se vai lembrar de tudo. Às vezes, você ensaia em casa pensando em um tamanho de palco, mas quando chega no evento, o palco é muito menor ou maior, o que acaba sendo um grande desafio na hora da apresentação. Se você errar, precisa improvisar e não deixar parecer que foi um erro.

Andar pelo evento também é um desafio. As pessoas te param, querem fotos, e é preciso saber como lidar com crianças e até mesmo com adultos. Às vezes, é um personagem que eles gostam, com quem têm afinidade. Tudo isso é muito desafiador; não há um único desafio, é o contexto geral que torna tudo desafiador.

Você já ganhou algum prêmio ou competição? Quais?


Já ganhei alguns concursos, embora não me lembre de todos. Possuo alguns troféus e medalhas, e vou citar alguns que lembro. No Treta 2022, fiquei em segundo lugar; no Anime Summer, venci na apresentação livre e no desfile; fiquei em segundo lugar no Festival da Primavera; terceiro lugar na Expo Japão 2023; no primeiro reality cosplayer do Geek of Legends, fiquei em primeiro lugar; no décimo segundo Festival Nipo-Brasileiro de 2023, fiquei em segundo lugar; no circuito Cosplay Tradicional 2010; no Animeland 2023; segundo lugar no Londrina Matsuri Cosplay; e o último foi no Nikkei Fest 2024, onde fiquei em terceiro lugar no concurso e primeiro lugar no desfile. 

Com esse último concurso, ganhei a vaga para ir ao Expo Japão, um festival em São Paulo, onde quem ganhar concorre a uma vaga para ir ao Japão. É um concurso bem grande e requisitado, com poucas vagas, e que aconteceu por todo o Brasil. Eu acabei conseguindo uma das vagas.

Qual sua relação com os video-games e como eles influenciaram na sua carreira?

Jogo videogame desde criança. Em casa, meus irmãos são dez anos mais velhos e já tínhamos Atari e Mega Drive, então comecei a jogar bem cedo. Mas onde realmente começou foi com o Super Nintendo, quando joguei Super Mario World pela primeira vez. Foi ali que nasceu meu amor pelos jogos. No PlayStation 1, comecei a finalizar jogos e fiquei viciada em comprar novos títulos, procurar senhas, dicas e tudo relacionado. Essa paixão entrou na minha vida a partir do PS1 e nunca mais saiu.

Hoje em dia, consegui unir essa paixão pelos jogos com os cosplays. Em dezembro de 2023, comecei a fazer lives na Twitch. Não penso em parar, pois gostei muito de fazer lives e fiz muitas amizades na plataforma. É um ambiente muito acolhedor, onde posso ser eu mesma, me expressar, conversar. Às vezes, estou triste e o pessoal me anima, e outras vezes eles não estão tão bem e eu os animo. Essa troca é muito boa e quero levar isso adiante. Estou gostando muito desse processo.

Qual a sua relação com a Nintendo? Quais consoles e jogos preferidos?

Bom, tudo começou com o Super Nintendo, quando minha paixão por jogos começou, especialmente com a franquia Mario, que é a minha favorita. Apesar de amar muito Zelda, que também é uma franquia que eu adoro, Mario ocupa o primeiro lugar no meu coração, seguido de Zelda. Gosto muito de todos os jogos da Nintendo, que realmente faz parte da minha vida. Hoje, meu console preferido é o Nintendo Switch, mas ainda tenho meu Super Nintendo e o Nintendo GameCube. Entre os portáteis, tenho o Game Boy Color, Advance e Advance SP. A Nintendo está presente no meu dia a dia e eu gosto bastante dos jogos. Meus jogos preferidos são das franquias Mario, Zelda e Animal Crossing, especialmente o último jogo, New Horizons, entre outros.

O Animal Crossing: New Horizons foi um jogo que me ajudou muito. Comprei o jogo no lançamento, logo após adquirir meu Switch, e posso dizer que ele me salvou. Durante a pandemia, joguei muito esse jogo, que me ajudou a não ficar em casa sem fazer nada, pensando demais. Foi um jogo que fez parte dos meus dias e me impediu de cair em depressão, ajudando a lidar com aquele período tão difícil para todos. O jogo me trouxe salvação, acompanhei todas as suas possibilidades, fiz tudo o que era possível na ilha, inclusive montei meu quarto gamer dentro do jogo. Foi maravilhoso e preencheu minha vida num momento muito apropriado. O lançamento do jogo, em si, trouxe paz e diversão no estilo Nintendo que todos conhecemos. Foi perfeito.

E com relação aos cosplays. Da Nintendo, quais personagens você já fez cosplay e quais ainda tem vontade?


A Nintendo é minha empresa favorita, e ela tem muitos jogos que eu gosto. Zelda é uma das minhas franquias preferidas, então fiz cosplay do Link de Breath of the Wild e da princesa Zelda em seis versões: três de Tears of the Kingdom, duas de Breath of the Wild e uma de Twilight Princess. Também fiz a versão da Purah de Tears of the Kingdom.

Tenho vontade de fazer cosplay de vários personagens dos games, como Bayonetta, personagens de Persona, e muitos outros personagens da Nintendo. Tenho planos de trazer esses cosplays futuramente.

Entre esses da Nintendo, qual cosplay que você mais gostou de fazer?


Para mim, fazer cosplay da princesa Zelda de Twilight Princess foi a realização de um sonho. Sempre gostei da princesa Zelda, mas me identificava mais com as versões de Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. Quando fiz a versão de Twilight Princess, gostei muito de como fiquei parecida com ela e fiquei muito satisfeita com o resultado e com cada detalhe.

Ela usa um vestido que também é uma armadura, além de uma espada muito imponente, que eu também recriei. Gostei muito do resultado. Fiz também a versão dela usando capa e apresentei uma performance inspirada em cenas do jogo, o que me rendeu o segundo lugar no concurso. Fiquei muito feliz com o resultado, tanto da apresentação quanto do cosplay. Minha Zelda de Twilight Princess é meu xodozinho.

Para encerrar, quais dicas você daria para quem gostaria de se tornar cosplayer profissional?

O que costumo sempre dizer é que tudo o que você faz com amor, você consegue fazer bem-feito e alcançar o que deseja. Então, se você se dedicar e fizer com amor aquilo que gosta, essa é a dica essencial. Comece por personagens que você gosta, com os quais se identifica, seja de anime, filme ou desenho. Isso é fundamental, porque tudo o que você faz com amor, você faz bem-feito.

A dedicação será total, você conseguirá captar todos os detalhes e referências, e fará um trabalho bem-feito, com muito amor. Vai conseguir expressar essa paixão no personagem, e as pessoas vão perceber isso de uma forma especial. Tudo o que você faz com amor, faz bem-feito, e isso vale não só para o cosplay, mas para tudo na vida. O resultado será o que você deseja porque estará se dedicando a algo que gosta e ama, e isso é essencial na vida.


Para conhecer mais da simpática Beatriz Góis, basta encontrá-la no Instagram, plataforma em que ela é mais ativa, e também na Twitch, ambos com o mesmo nome (@beatrizgoiss).

Revisão: Davi Sousa
Fotos cedidas por: Beatriz Góis.


Fernando Paixão Rosa, normalmente referenciado por Lorde, nascido na Zona Leste de SP, mas sempre por aí a fora. É formado Bacharel em Letras, redator na web há mais de dez anos e escritor com alguns livros publicados. Escutando música 24h/dia, é fã de cultura pop em suas muitas manifestações e mais fã ainda das IP's da Nintendo. Ocasionalmente faz lives na twitch: @lordeverso
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