Poucas pistas de videogame conseguem provocar, ao mesmo tempo, empolgação e um frio na barriga como a Rainbow Road. Desde sua estreia no Super Mario Kart (SNES, 1992), essa estrada multicolorida no espaço se tornou sinônimo de desafio, trilha sonora marcante e, claro, quedas épicas e copas arruinadas. Ao longo de mais de três décadas, cada nova versão trouxe mudanças visuais e mecânicas que mantiveram a pista fresca, mas sem perder a essência: um teste de habilidade para os pilotos mais ousados.
A Rainbow Road sempre foi mais do que um simples circuito final; ela é a “prova de fogo” para os pilotos, sendo seu grande desafio final. Seus traçados estreitos, curvas traiçoeiras e ausência de guard rails (na maioria das versões) criam uma experiência em que um único erro pode significar despencar no vazio. É a pista que consagra campeões — ou destrói amizades em modo multiplayer
Do pixel ao brilho em 4K
A primeira Rainbow Road, no Super Nintendo, era simples: um piso preto cravejado de estrelas e blocos coloridos, mas com um nível de dificuldade que traumatizou muita gente. Sem guard rails e com curvas fechadíssimas, bastava um deslize para cair. Era pura tensão pixelada.
Com o Mario Kart 64 (Nintendo 64, 1996), a pista ganhou um visual mais amplo e cores vibrantes, mas com uma grande mudança: barreiras de proteção. Embora menos punitiva, essa versão era longa — tão longa que se tornou famosa pela possibilidade de “atalhos” com saltos precisos. Já no Mario Kart: Double Dash!! (GameCube, 2003), a Rainbow Road ficou mais acelerada e imprevisível, com loopings visuais e mudanças de inclinação que davam a sensação de montanha-russa.
As Rainbow Roads dos portáteis sempre mostraram como a Nintendo sabia adaptar o espírito da pista para telas menores sem perder impacto. No Mario Kart: Super Circuit (GBA, 2001), ela manteve o layout técnico e traiçoeiro, mas com cores vibrantes e uma trilha sonora acelerada para compensar as limitações gráficas. Já no Mario Kart DS (Nintendo DS, 2005), a versão trouxe loops e saltos inéditos para a época, explorando melhor o 3D e oferecendo um desafio balanceado para o multiplayer online.
No Nintendo 3DS (2011), a Rainbow Road surpreendeu ao incluir trechos no anel de Saturno e seções em que o kart quicava em planetas. Foi a primeira vez que a pista abraçou a ideia de mudar de superfície e altitude de forma tão ousada, antecipando elementos que seriam explorados nos Mario Kart futuros.
A era HD começou com Mario Kart 8 e 8 Deluxe (Wii U/Switch), que trouxe não só uma nova Rainbow Road futurista, mas também versões retrô repaginadas. Com reflexos brilhantes, trilhas de luz deixadas pelos karts e curvas em gravidade zero, a pista ganhou uma dimensão cinematográfica. E novamente, Rainbow Road é o que não falta aqui.
A Rainbow Road definitiva
A Rainbow Road de Mario Kart World é a versão mais longa e ambiciosa da franquia, desbloqueada ao concluir as sete copas do modo Grand Prix. Dividida em quatro seções distintas, ela combina homenagem e inovação: começa com curvas clássicas em meio a vitrais coloridos, passa por ilhas cristalinas sobre um rio futurista e um trem flutuante, entra numa estação espacial vermelha com trechos de antigravidade e culmina num trecho final caótico, com pistas entrelaçadas, saltos e boosters.
Cada parte tem identidade própria, tanto visual quanto sonora, trazendo referências a versões anteriores e incorporando mecânicas modernas. A variedade de cenários mantém a corrida dinâmica e imprevisível, exigindo habilidade em diferentes tipos de terreno e estilos de curva.
Com voltas que podem ultrapassar quatro minutos em 150cc, esta é a pista mais longa da série. Sua dificuldade e grandiosidade a transformam não apenas em um desafio final, mas também em uma celebração do legado da Rainbow Road, unindo nostalgia e espetáculo visual.
Desafios, nostalgia e futuro
Parte da magia da Rainbow Road está no equilíbrio entre desafio técnico e espetáculo visual. Mesmo quando a Nintendo decide “amenizar” a dificuldade, sempre há um elemento de imprevisibilidade — seja um atalho arriscado, uma curva maldita ou um adversário que decide te acertar com um casco azul no pior momento possível.
A pista também é um reflexo de como a franquia Mario Kart evoluiu tecnicamente. Cada versão carrega o DNA da sua geração: do visual minimalista do SNES, passando pelo 3D experimental do Nintendo 64, até os efeitos de luz e física refinada no Switch. E, ainda assim, todas compartilham aquela sensação de que você está correndo em algo grandioso, maior que o próprio campeonato.
Com a Nintendo sempre buscando formas criativas de reinventar suas franquias, é difícil imaginar um Mario Kart sem Rainbow Road. Talvez no futuro vejamos versões com realidade aumentada, elementos interativos ou até pistas que mudam de forma durante a corrida. Mas uma coisa é certa: não importa a plataforma, a Rainbow Road vai continuar sendo o último e mais memorável teste para qualquer piloto.
Uma pista e um ícone do mundos jogos
A Rainbow Road é mais do que uma pista; ela é um símbolo da cultura gamer, ultrapassando até mesmo sua própria franquia, sendo referenciada em vários locais, aparecendo inclusive em Super Mario Bros. O filme. Cada versão é uma cápsula do tempo que mostra onde a tecnologia e a criatividade da Nintendo estavam naquele momento. Entre quedas frustrantes, risadas e momentos de pura adrenalina, ela continua sendo um lembrete de que a diversão — e o desafio — estão no caminho, não apenas na linha de chegada. No universo Mario Kart, todas as estradas podem levar à vitória, mas só a Rainbow Road leva à eternidade gamer.
Revisão: Vitor Tibério






