Análise: Detective Instinct: Farewell, My Beloved é uma verdadeira homenagem aos jogos de mistério

O jogo de investigação da Armonica LLC consegue reunir o que há de melhor no gênero, sem reinventar a roda.

em 12/12/2025
Detective Instinct: Farewell, My Beloved
marca a estreia da desenvolvedora indie Armonica LLC com um título que abraça o charme dos clássicos do gênero de aventura. Com um sistema de comandos típico de jogos de investigação, como Famicom Detective Club, Detective Instinct é uma excelente porta de entrada graças à execução competente de seus elementos, ainda que não apresente nada realmente novo para jogadores mais experientes.

Bem-vindos à Vendreka

Ao falar de jogos de aventura, nos referimos a obras focadas em história, exploração e, frequentemente, na resolução de quebra-cabeças. Dentro desse espectro dos jogos de aventura, estão desde experiências mais voltadas para ação, como Uncharted e Tomb Raider, até jogos focados na exploração do cenário, como Grim Fandango, clássico do point-and-click. Detective Instinct se aproxima mais desse segundo grupo, ainda que não seja um point-and-click, já que utiliza um menu lateral com diferentes comandos que variam conforme o cenário e o personagem com quem estamos interagindo.

A narrativa acompanha um estudante de literatura em uma viagem acadêmica ao país fictício de Vendreka, na Europa. No dia anterior à sua saída, ocorre um assassinato no hotel onde ele está hospedado. Pouco depois, já embarcado em um trem para uma viagem que levará três dias no total, ele descobre que aquele trem tem alguma relação com o crime da noite anterior. Enquanto isso, uma mulher misteriosa desaparece de dentro do trem e ninguém além de sua mentora se lembra de tê-la visto. Esses elementos colocam o protagonista no centro de uma trama envolvente, conduzida quase que em sua totalidade dentro do trem, o que faz sentido no escopo enxuto do jogo, que pode ser concluído em cerca de cinco ou seis horas.

O que mais chama a atenção, na verdade, é a profundidade do contexto que cerca a trama principal. Vendreka possui sua própria história e tradições, reveladas aos poucos ao longo da jornada. Descobrimos, por exemplo, que sua independência foi fruto de uma revolução violenta e que Ganbrika, território originalmente pertencente a Vendreka, permaneceu ocupado após o processo de independência. Esse tipo de contextualização não só aumenta a imersão no mundo do jogo como aprofunda a dinâmica entre os personagens e a sociedade, abordando temas como imigração e xenofobia. É um dos grandes acertos do roteiro.

Beleza na simplicidade

Sempre digo que não precisamos de fotorrealismo para criar um jogo bonito — e, para ser honesto, o excesso de fotorrealismo nos videogames tem se tornado cada vez mais cansativo. Se outras artes tratam o realismo apenas como uma alternativa entre muitas opções, não há motivo para que os jogos sejam uma exceção.

Detective Instinct aposta em personagens em pixel art muito bem feitos. A Armonica LLC não hesita em se inspirar em estilos orientais como os da franquia Ace Attorney, mas também não deixa de adicionar sua própria personalidade estética. Todos os personagens têm ótimas animações, com uma variedade de expressões que enriquecem a experiência.

Mecânica simples, mas funcional

Como já mencionado, todo o jogo se baseia em um menu lateral cujas opções mudam conforme o ambiente ou a pessoa com quem estamos falando. Testar diferentes combinações para observar reações dos personagens faz parte da diversão, e aqui isso funciona muito bem. A experimentação, seja para avançar na história ou por pura curiosidade, é um dos principais atrativos desse tipo de jogo.

O único ponto negativo sobre as mecânicas é que Detective Instinct acaba sendo fácil demais, até mesmo comparado a outros jogos do gênero. Por apostar em uma história mais “pé no chão” e realista — sem as reviravoltas mirabolantes feitas apenas para chocar o jogador, como costuma acontecer com os jogos da Too Kyo Games, por exemplo — os quebra-cabeças são simples de entender e superar. A desenvolvedora parece ter priorizado uma narrativa coerente mais do que um desafio complexo e, nesse aspecto, o jogo cumpre bem seu papel.

Obrigado e volte sempre!

Detective Instinct: Farewell, My Beloved é um jogo de aventura competente, capaz de agradar tanto novatos quanto veteranos. Ele apresenta um mundo bem construído, personagens bem desenvolvidos e uma estética muito agradável. Minha principal crítica é que ele raramente consegue ir além da soma de suas partes: é um jogo bem executado, mas que não se destaca em nenhum aspecto específico quando o comparamos a outros jogos já bem estabelecidos no gênero. Ele é ideal para quem quer descobrir se o gênero é para si, especialmente por ser curto e fácil. Veteranos também devem se divertir, embora possam sentir que Detective Instinct não oferece nada que outros títulos mais aclamados já não tenham feito antes.

Prós

  • História envolvente;
  • Bom desenvolvimento de personagens e construção de mundo;
  • Belíssimos visuais em pixel art e boas composições musicais;
  • Mecânica responsiva.

Contras

  • Sem tradução para o português;
  • Jogo fácil e simples demais, poderia trazer maior complexidade ao gênero.

Detective Instinct: Farewell, My Beloved — Switch/PC —  Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital adquirida pelo próprio redator 
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Matheus Alexandre
Tradutor com mais de 10 anos de experiência e entusiasta de JRPGs. Acompanha de perto franquias como Shin Megami Tensei e Tales of, além de ter em Fire Emblem e Kirby suas séries favoritas entre os exclusivos da Nintendo.
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