Análise: Dragon Ruins II é uma mistura interessante entre o retrô e o moderno

Apesar de rápido e divertido, o jogo não consegue convencer os fãs mais ortodoxos do gênero.

em 03/01/2026
Dragon Ruins II é o jogo mais recente da desenvolvedora Graverobber Foundation. A proposta da desenvolvedora com seus jogos parece bem clara: trazer novos elementos aos dungeon RPGs.


Quando eu — que nunca havia jogado o primeiro Dragon Ruins até conhecer sua sequência — vi esse jogo, esperava enfrentar mais um dungeon crawler tradicional, com bastante grinding e diferentes estratégias para a formação da equipe. Eu não poderia estar mais enganado. Dragon Ruins II mistura muitos elementos modernos a um gênero verdadeiramente retrô e, de forma até surpreendente, esses elementos demonstram uma bela sinergia com as mecânicas mais fundacionais do gênero. No entanto, não é um jogo para todo mundo, pois tenho certeza de que os fãs mais ortodoxos desse tipo de jogo irão considerar Dragon Ruins II moderno até demais.

Um jogo para pessoas cansadas

A desenvolvedora descreve o jogo como um “dungeon crawler para pessoas cansadas”, e essa descrição não poderia ser mais precisa. Começamos o jogo escolhendo entre 21 classes para formar uma equipe de quatro aventureiros. Cada classe possui uma habilidade que a diferencia das demais, como causar uma condição específica aos inimigos, preencher a barra de golpe especial mais rapidamente ou obter descontos na compra de itens. Outro ponto a destacar é que não há personalização dos personagens; nem mesmo os nomes podem ser alterados.

Ao montar sua equipe, você vai até a cidade Faselei, que atua como o hub do jogo. Lá, é possível evoluir personagens, melhorar armas, salvar o progresso e escolher quests. As histórias existem apenas como um adendo interessante, mas não oferecem nada que realmente justifique o engajamento do jogador. Ao escolher uma das quests, o jogador é levado a um mapa que deve explorar em busca de itens e armas, além de enfrentar inimigos. A exploração funciona como um dungeon crawler em primeira pessoa baseado em grid, o que significa que a visão é em primeira pessoa e a movimentação não é completamente livre, com o jogador avançando um “bloco” por vez.

A maior novidade da franquia em relação ao gênero é, sem dúvida, o combate. Diferente de praticamente todos os dungeon crawlers que conheço, as lutas acontecem de forma automática no mapa, e a única interação do jogador se resume a observar números aparecendo na tela e apertar o botão de golpe especial quando a barra estiver cheia.

Entendo como esse estilo de batalha, por não oferecer grande complexidade ou estratégia por parte do jogador, pode desanimar algumas pessoas, em especial os fãs mais antigos do gênero. Ao mesmo tempo, a ideia é genial para um jogo que se vende como um “dungeon crawler para pessoas cansadas”. De fato, é o tipo de jogo que eu gostaria de jogar após um dia exaustivo de trabalho, quando tudo o que quero é desligar o cérebro e apenas ver coisas acontecendo na tela.

Uma beleza minimalista

Os cenários do jogo cumprem bem seu papel, apesar de serem bastante minimalistas. As dungeons mantêm sempre um aspecto de “rascunho”, com poucos detalhes e o uso de uma única cor ao longo da exploração, cor essa que parece mudar conforme a quest selecionada.

Os inimigos aparecem como pequenos retratos na parte superior da tela e não impedem o progresso do jogador pelo mapa. Isso significa que é possível se mover livremente enquanto sua equipe enfrenta os inimigos, permitindo inclusive fugir rapidamente de uma batalha em que você esteja em desvantagem.

Recomendo, no entanto, conferir a arte completa das criaturas no bestiário, acessível ao visitar a cidade. São artes muito bonitas e foi assim que descobri que elas são bem mais detalhadas do que o que é possível ver durante as batalhas.

Cuidado com sua próxima missão, aventureiro

Dragon Ruins II é um jogo pequeno, claramente feito com orçamento limitado e com um escopo diferente dos dungeon crawlers tradicionais. Por isso, seria até injusto medi-lo pela mesma régua. Dentro da sua proposta de “dungeon crawler para pessoas cansadas”, ele se sai muito bem. Para quem deseja descansar a mente com um pouco de grinding e exploração de calabouços, o jogo é uma ótima escolha. Por outro lado, com suas mecânicas de autobattler, não agradará a todos e certamente não é um jogo que eu escolheria para o meu momento “principal”, aquele em que quero algo que exija maior investimento de tempo e atenção.

Os gráficos são simples e procuram não distrair o jogador da exploração do labirinto em momento algum. Mesmo com essa simplicidade visual e certa repetição de cenários — há variação, mas ela nunca parece suficiente —, o jogo possui um charme bastante único. Gostei especialmente das artes dos inimigos e sempre conferia o bestiário após explorar uma região nova ou concluir uma quest diferente.

Em resumo, é um bom jogo para jogar antes de dormir ou para relaxar, mas não cometa o erro de jogá-lo esperando encontrar seu próximo Etrian Odyssey. Para mim, o dungeon crawler moderno ideal é capaz de unir a complexidade tradicional do gênero à velocidade de jogos mais ágeis, como Labyrinth of Galleria. Dragon Ruins II não chega exatamente lá, mas sua jogabilidade rápida é algo que precisa ser elogiado.

Prós

  • Jogo ágil e direto ao ponto;
  • Exploração divertida;
  • Bonito, apesar de simples;
  • Ciclo de gameplay viciante para quem se adapta ao sistema de batalha extremamente simplificado.

Contras

  • Sistema de batalha excessivamente simplificado não agradará a todos;
  • Os mapas poderiam ter mais variedade, já que as salas de um mesmo calabouço parecem sempre iguais.
Dragon Ruins II — Switch/PC —  Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela KEMCO
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Matheus Alexandre
Tradutor com mais de 10 anos de experiência e entusiasta de JRPGs. Acompanha de perto franquias como Shin Megami Tensei e Tales of, além de ter em Fire Emblem e Kirby suas séries favoritas entre os exclusivos da Nintendo.
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