Análise: Dynasty Warriors: Origins busca um novo começo para a série musou

A série de Musou tenta se reinventar com combates mais estratégicos, deixando para trás o botão de ataque infinito, pelo menos um pouco.

em 22/01/2026

Os jogos do gênero Musou seguem há décadas uma fórmula bastante conhecida: o jogador controla um único personagem extremamente poderoso, capaz de dizimar exércitos inteiros enquanto avança por grandes mapas de batalha. A Koei Tecmo explorou esse modelo em diversas franquias de peso, como The Legend of Zelda, Fire Emblem e Persona, que conseguiram se adaptar bem a essa estrutura. Já a própria série principal do estúdio, Dynasty Warriors, passou por vários tropeços ao longo dos anos, perdendo força e ficando em segundo plano. Esse cenário, no entanto, começa a mudar com Dynasty Warriors: Origins, um reboot que pode representar um novo fôlego para o futuro da franquia.

Os Três Reinos sob um novo ponto de vista

Assim como nos jogos anteriores, Dynasty Warriors: Origins revisita o clássico romance Os Três Reinos, obra do século XV que retrata os conflitos ocorridos na China entre os séculos II e III. Trata-se de uma narrativa altamente romantizada, em que generais e guerreiros históricos são apresentados quase como super-heróis, capazes de derrotar milhares de inimigos sozinhos no campo de batalha. A principal diferença desta vez está na abordagem narrativa e jogável: em vez de controlar personagens lendários do livro, o jogador assume o papel do Andarilho, um personagem original criado exclusivamente para o jogo e que não faz parte da obra original.

Essa escolha pode causar estranhamento e até desagradar jogadores veteranos da franquia, já que os títulos Musou sempre se destacaram pela grande variedade de personagens jogáveis. Por outro lado, a decisão também traz vantagens claras: ao focar em um único protagonista, o jogo consegue alinhar melhor a narrativa aos acontecimentos vivenciados pelo jogador, oferecendo uma experiência mais coesa e pessoal dentro desse universo.

Escala, encenação e identidade de guerra

Nos jogos anteriores da franquia Dynasty Warriors, o combate era construído em torno de uma progressão extremamente simplificada. Bastava avançar pelo mapa e executar ataques contínuos para eliminar grandes quantidades de inimigos, com pouca necessidade de leitura do cenário ou adaptação às ameaças. Em Dynasty Warriors: Origins, essa lógica é reformulada, introduzindo um sistema de combate mais atento ao ritmo das batalhas.

Os confrontos, especialmente contra generais inimigos, passam a exigir maior domínio das mecânicas defensivas. Elementos como parry, esquivas bem cronometradas, quebra de postura e janelas de contra-ataque são fundamentais para o sucesso. A abordagem baseada apenas em ataques constantes deixa de ser eficiente, forçando o jogador a observar padrões de comportamento e responder de forma mais estratégica às investidas adversárias.


Outro aspecto que ganha relevância é o papel das tropas aliadas no campo de batalha. A presença de soldados próximos influencia diretamente a moral dos soldados envolvidos, afetando tanto o desempenho dos aliados quanto a resistência dos inimigos. Essa mecânica reforça a ideia de que o jogador faz parte de um exército maior e não atua de forma completamente isolada. Ainda assim, o jogo mantém uma curva de dificuldade equilibrada, oferecendo alternativas como reposicionamento e mudança de rota para lidar com situações inesperadas.

Essa nova estrutura também contribui para uma melhor sensação de escala durante as batalhas. Dynasty Warriors: Origins trabalha de forma mais cuidadosa a representação dos confrontos em larga escala, com momentos coreografados, avanços coordenados de aliados e uso de câmera dinâmica para destacar a dimensão do campo de guerra. O resultado é uma experiência que preserva a identidade da série, mas adiciona camadas de profundidade que estavam ausentes em jogos anteriores.

Uma narrativa que não acompanha a evolução da jogabilidade

Enquanto o combate evolui de forma significativa, a narrativa não acompanha o mesmo nível. As interações entre os personagens históricos e o Andarilho apresentam um certo distanciamento, principalmente pela escolha de tornar o protagonista um personagem mudo. Assim como Link em The Legend of Zelda, o Andarilho não verbaliza respostas, limitando-se a reações visuais e sons mínimos, enquanto figuras históricas conduzem diálogos extensos a seu respeito.

Essa decisão cria momentos narrativos pouco naturais, já que o protagonista permanece passivo mesmo em situações nas quais sua participação ativa seria esperada. O contraste entre discursos elaborados e a ausência de respostas diretas acaba transmitindo uma sensação estranha, enfraquecendo o envolvimento emocional com a trama.


Outro ponto que merece destaque é a ausência de legendas e dublagem em português, uma carência recorrente na série. Até onde se tem registro, Dynasty Warriors 9 foi o único título da franquia a oferecer suporte completo ao nosso idioma. Em Dynasty Warriors: Origins, tanto a dublagem em inglês quanto em japonês apresentam ótima qualidade e interpretações convincentes, reforçando o tom épico dos conflitos e personagens históricos.

No entanto, a falta de localização em português limita o alcance da narrativa, especialmente em um jogo fortemente baseado no romance Os Três Reinos. O suporte ao idioma não apenas tornaria a experiência mais acessível, como também permitiria que um público maior se aprofundasse no contexto histórico e político da obra. Considerando o crescimento do mercado brasileiro e o investimento recente em acessibilidade por parte de outras grandes franquias, já é um ponto que a Koei Tecmo deveria tratar com mais atenção nos próximos lançamentos.

Um novo começo com espaço para crescer

Dynasty Warriors: Origins se consolida como um acerto importante para a franquia. O título encontra um caminho mais coeso para o futuro da série, e o subtítulo “Origins” se justifica ao apresentar uma história que não se encerra completamente, deixando um espaço claro para uma continuação. A campanha é extensa e sustentada por múltiplos sistemas de progressão, além de uma variedade de armas que incentivam o jogador a experimentar estilos diferentes de combate.

Embora apresente uma estrutura longa e, em certos momentos, repetitiva, o jogo constrói um loop eficiente e envolvente. A progressão constante e a alternância de objetivos reforçam a sensação de “vou jogar só mais uma missão”. A ausência de múltiplos personagens jogáveis pode afastar parte do público tradicional da franquia, mas a abordagem mais focada e acessível tem potencial para atrair jogadores que antes se mantinham distantes do gênero musou.

Prós

  • Sistema de combate mais profundo e estratégico;
  • Uso de parry, esquiva e quebra de postura adiciona um desafio maior ao jogo;
  • Batalhas com melhor sensação de escala e encenações com a mecânica de moral das tropas que reforça a ideia de guerra em larga escala;
  • Ritmo de dificuldade equilibrado, com alternativas táticas;
  • Campanha extensa com bom ritmo de progressão;
  • A variedade de armas incentiva estilos diferentes de combate.

Contras

  • Narrativa não evolui no mesmo nível da jogabilidade;
  • Protagonista mudo gera interações estranhas e pouco naturais;
  • Falta de múltiplos personagens jogáveis pode afastar fãs veteranos;
  • Estrutura longa pode se tornar repetitiva em alguns momentos;
  • Falta de dublagem e legendas em português.
Dynasty Warriors: Origins — Switch 2/PC/PS5/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela Koei Tecmo

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Renzo Raizer
Um entusiasta do universo Nintendo, com especial interesse pelas franquias Pokémon, Mario e The Legend of Zelda. No Nintendo Blast, compartilha notícias, análises, opiniões e curiosidades com um olhar dedicado ao público nintendista, sempre buscando unir informação e paixão pelo mundo dos games.
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