Análise: Fairy Tail: Dungeons transforma magia em estratégia em um roguelike divertido

A adaptação transforma batalhas em estratégia por turnos, mas mostra que nem toda magia resiste à repetição constante.

em 21/01/2026

“O reino de Fiore, um país neutro com uma população de 17 milhões de habitantes, é um mundo de magia. Aqui a magia é vendida e comprada como qualquer outro produto e está profundamente enraizada na vida das pessoas. Algumas delas ganham a vida com o uso da magia, e com ela completam missões. Essas pessoas são chamadas de magos e esses magos pertencem a muitas guildas diferentes e aceitam missões que são solicitadas. Neste reino há muitas guildas diferentes, mas há uma certa guilda de feiticeiros em uma certa cidade, uma guilda onde nasceram várias lendas e onde no futuro muitas mais nascerão, e o seu nome é: Fairy Tail”.

Para quem acompanhava animes por volta de 2009, essa introdução certamente desperta uma forte sensação de nostalgia. O mangá principal já chegou ao fim há algum tempo, mas a saudade de acompanhar a obra permanece. Depois de todos esses anos, retornar ao Reino de Fiore é algo especial, agora por meio de Fairy Tail: Dungeons.

Um projeto inesperado, mas bem executado

O jogo nasceu a partir de um concurso promovido pela Kodansha, com incentivo do próprio criador do mangá, Hiro Mashima. Trata-se de um roguelike com construção de deck de cartas, que se mostra surpreendentemente divertido e bem executado. Mesmo sendo um projeto indie, o jogo entrega uma experiência sólida e carismática, especialmente para quem é fã da série Fairy Tail, fazendo dele uma recomendação fácil para esse público.

A história se passa no porão da própria guilda, onde Natsu e Happy encontram um portal misterioso junto ao Exceed Labi. Ele está à procura de seu amigo Arthur, que está no labirinto localizado além do portal. Ao atravessá-lo, os personagens perdem a capacidade de usar magia, sendo obrigados a depender exclusivamente de um tomo de cartas entregue por Labi. É por meio desse livro que a magia passa a ser acessada, permitindo que Natsu e seus aliados enfrentem os desafios do labirinto.

Sem conseguir resolver a situação sozinho, Labi pede ajuda a Natsu e Happy para encontrar Arthur, já que seu amigo havia solicitado especificamente que eles fossem chamados para essa missão.

A narrativa é simples, mas funciona bem como motivação para a jornada. No início do jogo, o jogador controla apenas Natsu, momento em que são apresentados os fundamentos da jogabilidade e o sistema de construção de deck de cartas. Com o avanço da aventura, outros personagens conhecidos da série, como Lucy, Gray, Erza e Wendy, juntam-se ao grupo, cada um trazendo cartas e ataques únicos, o que amplia as possibilidades de estratégia na montagem do deck.

Exploração em formato de tabuleiro

O mapa do jogo funciona como um tabuleiro, no qual o jogador possui uma quantidade limitada de movimentos por andar. Ao utilizar todos esses movimentos, é possível desafiar o chefe da área. No entanto, nem todas as casas do tabuleiro representam confrontos diretos com inimigos.

Ao longo do percurso, é possível encontrar baús de tesouro, encontros com outros membros da guilda que concedem bônus, lacrimas utilizadas como moeda para compra de itens, fogueiras para recuperar vida ou aprimorar cartas, além de vendedores que oferecem itens variados.

Um dos pontos que mais me agradou no sistema de combate é a possibilidade de interromper os ataques inimigos. Durante as batalhas, os inimigos podem preparar golpes especiais que, se executados, causam um dano elevado. O jogo informa claramente quais ações o jogador deve realizar para impedir esses ataques, como, por exemplo, utilizar cartas de três estrelas em dois turnos consecutivos, evitando assim o dano extra.

As cartas também podem ser evoluídas, aumentando o dano causado ou reduzindo o custo de estrelas necessário para utilizá-las. Além disso, é possível usar itens que ampliam o limite de estrelas disponíveis por turno. Normalmente, o jogador começa com três estrelas, e cada carta pode custar de uma a três estrelas. Ao aumentar esse limite, torna-se possível executar mais golpes em um único turno, potencializando o dano causado.

Por fim, o jogo conta com a mecânica de golpes em sequência chamada Magic Chain, que recompensa o uso estratégico das cartas ao aumentar significativamente o dano sofrido pelos inimigos quando os ataques são encadeados corretamente.

Onde a experiência perde a magia

Um ponto que não me agradou tanto é a pouca variedade de cenários. Os ambientes acabam sendo muito parecidos entre si, o que transmite a sensação de que o jogador está sempre no mesmo andar do labirinto mágico, mesmo após avançar na progressão do jogo. Essa repetição visual pode comprometer a sensação de evolução ao longo da jornada.

Outro aspecto negativo que merece destaque é a ausência de localização em português. Por estar disponível apenas em inglês, o jogo acaba se tornando menos acessível para jogadores que não dominam o idioma, o que pode limitar bastante o público, especialmente considerando a forte base de fãs de Fairy Tail no Brasil.

Um roguelike feito sob medida para fãs

Fairy Tail: Dungeons é um jogo bastante divertido e capaz de prender o jogador por horas. Ele não é excessivamente difícil, mas também não é fácil demais, apresentando um bom equilíbrio de desafio. Com o tempo, é possível salvar os tomos de magia onde ficam armazenadas as cartas de ataque, algo importante considerando sua estrutura roguelike: ao ser derrotado, o jogador retorna ao início da jornada, perdendo as melhorias conquistadas durante a partida.

Para os fãs do anime, o jogo é um verdadeiro prato cheio, repleto de referências e personagens queridos. Já quem não tem familiaridade com o universo de Fairy Tail pode acabar se sentindo um pouco perdido, já que o título não se aprofunda muito na apresentação de seu mundo ou de seus personagens.

Prós

  • Roguelike com construção de deck bem executado, com um sistema de combate estratégico e fácil de entender;
  • Estrutura de tabuleiro traz variedade ao progresso das runs com uma boa variedade de eventos no mapa;
  • Dificuldade equilibrada, sem ser frustrante.

Contras

  • Pouca variedade de cenários ao longo da jornada, e a repetição visual compromete a sensação de progresso;
  • Ausência de localização em português;
  • Pode ser pouco acessível para quem não conhece o universo de Fairy Tail.
Fairy Tail: Dungeons — Switch/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Kodansha
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Renzo Raizer
Um entusiasta do universo Nintendo, com especial interesse pelas franquias Pokémon, Mario e The Legend of Zelda. No Nintendo Blast, compartilha notícias, análises, opiniões e curiosidades com um olhar dedicado ao público nintendista, sempre buscando unir informação e paixão pelo mundo dos games.
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