Agora estamos com a última versão do jogo, especifica para o Nintendo Switch 2, usando o potencial máximo do novo hardware híbrido da Nintendo. Sem mais delongas, pegue suas coisas e venha comigo explorar Tamriel mais uma vez.
O mito, a lenda, o épico
17 de agosto, século II da Quarta Era (ou em linguagem leiga, 17th de Last Seed, 4E 201). O líder da rebelião Stormcloak, Ulfric, está sendo levado para a vila de Helgen, onde sua execução está marcada por arquitetar a queda do Império. Na mesma caravana, o jogador se encontra e, logo antes de ser executado, um enorme dragão surge e irrompe o céu, queimando e destruindo o pequeno vilarejo, efetivamente permitindo que o jogador fuja.
Ao longo do tempo, descobre-se que aquele dragão era Alduin, um lendário e perigoso dragão, decidido a devorar o mundo e que está trazendo dragões mortos de volta à vida. Com isso, a única esperança de Skyrim está nos ombros do protagonista, o mais novo Dragonborn, que deve não apenas parar a guerra civil em Skyrim mas deter o apocalíptico deus pagão Alduin.
O mesmo de sempre, mas nada mal
O que eu acabei de escrever, de forma extremamente rápida e pouco caprichada, é o objetivo central de Skyrim, mas que não para por aí. Centenas de missões paralelas para se aventurar, tarefas miscelâneas para cumprir e histórias para vivenciar são alguns dos pontos mais icônicos de Skyrim desde que nasceu em 2011. Alie isso a um variado e belo mundo a se explorar, com uma enorme variedade de fauna e flora para descobrir, incontáveis livros que exploram a lore oculta do mundo e dos personagens, além de uma excelente árvore de habilidades para melhorar nosso Dragonborn, e temos um dos melhores jogos mundo aberto que já foi lançado.
Liberdade deve ser o melhor adjetivo para descrever Skyrim. Quer ser um bandido e tocar o terror? Vá em frente, mas tome cuidado. Seguir a história, simplesmente? Vá pela sombra. Desbravar esse bravo novo mundo? Não se esqueça dos seus suprimentos. A decisão final do que fazer jaz na sua limitação (e das pouquíssimas paredes invisíveis na borda do mundo). Ao final do dia, Skyrim no Switch 2 é tão como Skyrim em 2011: uma enorme caixa de areia para lutar contra ladrões, comer 150 rodelas de queijo, praticar artes arcanas, matar dragões, roubar na furtividade aberta, construir um lar, atirar com arco-flecha, virar um lobisomem/vampiro mas, acima de tudo, viver uma fantasia.
Armadura polida
No entanto, resta uma dúvida crucial: como Skyrim evoluiu, em comparação com seu lançamento inicial lá na Sétima Geração? Com isso, caro leitor, permita-me contar um pouco da lore deste redator que vos fala: desde 2015, meu irmão mais novo joga Skyrim no Xbox 360, tendo criado uma extensa coleção de recursos, riquezas e parceiros em sua jogatina, ainda impressionado com a vastidão do jogo e como opera. Em comparação com sua versão original, a edição de Switch 2 roda absurdamente bem, seja na renderização do jogo ou no tempo de carregamento.
Para se ter uma ideia da evolução de processamento, a versão de Xbox 360 precisa de muitos segundos e até mesmo quase 30 segundos para carregar o jogo no início e outros tantos ao redor da jogatina como entrar ou sair de locais e viagens rápidas. Os carregamentos são praticamente inexistentes, seja para começar o jogo ou se locomover, nem dando tempo para ler as dicas e pedaços de lore nas telas estáticas, algo extremamente comum na versão original.
Claro, os gráficos parecem datados para os padrões atuais, com a grande correção sendo a luminosidade em comparação com a versão do Switch original, mas os visuais continuam muito bonitos. Em seu lançamento inicial, a versão de Switch 2 contava com diversos atrasos de performance e especialmente de input, como notificado pela análise no site Nintendo Life, mas estes foram extremamente suavizados com atualizações, restando apenas um leve atraso de input aqui e ali (como apertar o botão do grito mas não sair ou a inteligência artificial simplesmente desligar). Porém, ainda existem alguns bugs irritantes, como colocar uma arma em sua casa e não conseguir mais tirar ela.
Os menus continuam intimidadores no começo, com o botão Pause servindo como menu de missões, Select para acelerar o tempo e B como menu de inventário, mas logo tudo começa a fazer sentido e a adaptação aos comandos de nosso avatar fica natural. Em comparação às outras versões, a edição de Switch 2 também traz suporte a amiibo, uso dos recursos de giroscópio, movimento e mouse dos Joy-Con 2 e do próprio hardware, funcionando extremamente bem e inclusive ajudando a mirar direito em momentos mais difíceis.
A flechada no joelho
Em relação às adições da Anniversary Edition, temos 26 criações do Creation Club, mods criados por fãs que foram abençoados pela Bethesda. Entre os mais legais são pescaria, poder fazer uma fazenda e novas armaduras para seu cavalo. Sem contar as adições anteriores como novas flechas (como fogo, elétrica, gelo e de osso), armaduras, inimigos e parceiros (Goblins era algo que eu sentia que estava faltando desde o começo) e muito mais. É absurdo como Skyrim continua vivo10 anos depois, mesmo que esse update tenha um valor estranhamente alto (100 reais) para jogadores que já tem Skyrim, seja em mídia digital ou física.
Contudo, infelizmente, tem três pontos cruciais que essa versão definitiva deixa a desejar que impedem sua perfeição absoluta. Em primeiro lugar, a falta de legendas em português brasileiro. Uma década no futuro e o jogo continua sem localização para nosso idioma, algo um tanto absurdo considerando todas as adições.
Em análises passadas, eu disse que todo relançamento que se preze deve incluir rascunhos e desenvolvimento de seus jogos para fins de preservação e curiosidade. Esse meu pensamento se estende inclusive para ports de remakes, e The Elder Scrolls V: Skyrim Anniversary Edition falha muito nesse quesito. Para um jogo tão influente, icônico e importante para a cultura gamer, é crucial que poderíamos ver algo do desenvolvimento dentro de algum menu do jogo.
Por fim, a falta de acessibilidade a velhos jogadores. Por exemplo: como mencionei, meu irmão tem uma longa jornada por Skyrim no Xbox 360 e ele ficou bastante animado com as adições que foram colocadas nas edições futuras… mas que então significaria que ele teria que começar desde o começo, jogar fora uma história inteira que ele já formou porque é impossível trazer o save antigo para a geração atual. A Bethesda tem um sistema próprio de inscrição, então teria sido legal uma adição de cross-save, onde poderíamos trazer antigos perfis de volta para a geração atual, sem a necessidade de ter que fazer tudo de novo.
FUSRODAH!
The Elder Scrolls V: Skyrim Anniversary Edition é a versão definitiva de Skyrim. É inevitável dizer que ele é extremamente recomendável para qualquer fã de dragões, sandbox e aventura.
Mesmo com uns erros crassos, é uma odisseia imperdível que ficou ainda mais gloriosa no Switch 2. Ergam suas taças de vinho para celebrar 10 anos de um dos pilares dos jogos modernos.
Prós
- História densa e lore extremamente forte;
- Mundo rico e aberto para exploração;
- Performance praticamente impecável, com pouquíssimos bugs;
- Trilha sonora fenomenal;
- Excelente uso dos recursos exclusivos do Switch 2;
- Adições legais, creditando fãs criadores;
- Skyrim continua sendo Skyrim.
Contras
- Ausência de português brasileiro;
- Sem bônus de relançamento como concept art ou preservação de conteúdo;
- Certos bugs irritantes;
- Impossibilidade de carregar saves de plataformas antigas pode afastar velhos jogadores.
The Elder Scrolls V: Skyrim Anniversary — Switch/Switch 2 — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bethesda Softworks







