Análise: Divinity: Original Sin 2 - Nintendo Switch 2 Edition é uma ótima forma de jogar o clássico da Larian Studios

Escreva sua história em Rivellon no novo console da Nintendo com este upgrade, gratuito para os donos do jogo no Switch.

em 01/01/2026
Aproveitando o hype gerado com a revelação do novo game da série Divinity — que roubou completamente a cena na edição de 2025 do The Game Awards —, a Larian Studios (de Baldurs’ Gate III) anunciou que um de seus jogos mais famosos e elogiados ganharia uma versão aprimorada para os consoles da atual geração, como o Nintendo Switch 2. Gratuito para quem já possui o jogo no Switch, este upgrade de fato apresenta uma série de melhorias concretas, fazendo com que Divinity: Original Sin 2 - Nintendo Switch 2 Edition seja uma ótima forma de jogar o clássico CRPG. Confira nossa análise!

Escrevendo sua história em Rivellon

Apesar do “2” em seu nome, Divinity: Original Sin 2 é, na verdade, o sexto jogo da franquia Divinity, que nasceu em 2002 com o título Divine Divinity, lançado para PC e MacOS. Mas não se assuste com esse fato: este é um ótimo — talvez o melhor, sendo sincero — ponto de partida para quem deseja conhecer a saga, graças à sua narrativa bastante independente e seu refinamento em aspectos cruciais para jogadores novatos, como os controles e tutoriais.

A história de Divinity: Original Sin 2 se passa no mundo fictício de Rivellon, onde a aparente morte de Lucian, o Divino (uma figura quase messiânica para a série), tem sido associada ao aumento na taxa de aparição das Criaturas do Vazio — seres monstruosos e altamente perigosos que atacam todas as criaturas vivas, semeando tragédia e destruição onde aparecem.

Como o uso de magia também tende a atrair os habitantes do Vazio, todos que detêm habilidades mágicas estão sendo procurados, encoleirados (para não conseguirem usar seus poderes) e presos. Infelizmente, é o seu caso: no papel de um dos personagens pré-construídos do game ou da sua própria criação, você desperta em um navio a caminho da prisão, impossibilitado de recorrer às suas habilidades para escapar.

No entanto, como o destino é inevitável, um ataque de uma criatura do mar logo destrói a embarcação e abre uma brecha para que você e alguns outros detentores de magia consigam se salvar da prisão que os aguardava. Assim começa sua jornada pelo mundo de Rivellon, onde pouco a pouco o jogador descobre que é chamado a exercer um papel importantíssimo neste universo, altamente moldável a partir das suas escolhas.

Diretamente dos computadores para os consoles

Na prática, Divinity: Original Sin 2 é um legítimo “CRPG”, sigla usada na indústria dos jogos para definir os Computers RPGs. Historicamente, os RPGs de computadores são associados à grande liberdade de ação e escolhas, além de uma complexidade raramente vista em outros gêneros (e que exige bastante dedicação do jogador para que o domínio seja alcançado).

Todas essas características se fazem presentes nesta obra da Larian, que, ao contrário de jogos que vão perdendo o fôlego com o tempo, vai ficando mais interessante conforme passamos tempo com ela. Assim como em Baldur’s Gate III (o título mais famoso do estúdio, amplamente considerado o jogo do ano de 2023), não há uma única forma de resolver as missões: várias abordagens são possíveis no combate por turnos, e até NPCs considerados importantes podem morrer sem que a história seja interrompida por isso.

O resultado é um título altamente rejogável, com múltiplos finais escritos e que certamente demandará bem mais do que uma centena de horas de jogo para quem deseja ver tudo que a obra pode oferecer. Se hoje Baldur’s Gate III é considerado o melhor CRPG do mercado, é preciso lembrar que essa coroa por muito tempo pertenceu justamente a Divinity: Original Sin 2, que, inclusive, foi considerado o jogo do ano para várias publicações em 2017, ano de sua estreia no PC.

No Switch 2 — assim como no Switch —, todas as qualidades que consagraram o game como um dos melhores de todos os tempos permanecem perfeitamente perceptíveis, graças ao bom trabalho de adaptação para os consoles, principalmente no que tange aos comandos. Porém, mesmo com o saldo positivo, falando especificamente da versão para o console mais poderoso da Nintendo (que é o foco desta análise), é difícil não pensar que os desenvolvedores poderiam ter ido além em alguns aspectos. Vamos a eles.

Repaginado para a atual geração

Começando pelo principal, Divinity: Original Sin 2 - Nintendo Switch 2 Edition é uma atualização completamente gratuita para quem já possui o jogo no Switch. Se você ainda não tem o RPG no console da Nintendo, pode adquirir tanto a versão do console antigo e o pacote de melhoria (gratuito) na eShop quanto ir direto na versão mais nova.

A primeira e mais perceptível melhoria com esta atualização é a qualidade final da imagem: no Switch 2, Divinity: Original Sin 2 apresenta uma resolução de saída muito maior do que a da versão de Switch, fazendo com que os cenários, personagens e todos os outros elementos visuais sejam exibidos com mais clareza tanto no modo TV quanto no portátil. Sem dúvidas, é um upgrade considerável, que eleva a qualidade da experiência e ressalta ainda mais a parte artística do game, apesar das texturas em si ainda estarem aquém do que é visto em outras plataformas.

Outra diferença significativa está na taxa de quadros: no Switch, Divinity: Original Sin 2 operava a 30 quadros por segundo, com quedas frequentes em cenários complexos ou cenas com muitos efeitos visuais. Agora, com o Switch 2 conectado à TV, os jogadores podem esperar 60 frames fixos por segundo, fazendo com que a aventura seja muito mais responsiva e agradável no quesito performance.

Todas essas são ótimas notícias, mas há um porém: no modo portátil, mesmo atualizado, o RPG continua renderizando a 30 quadros por segundo, fazendo com que a transição entre TV e portátil não seja tão suave como esperado e com que a jogabilidade fora da dock não seja tão fluida, se comparada com o console conectado a ela. 

Honestamente, não é algo que chega a comprometer a experiência (muito longe disso), principalmente porque os 30 fps se mantêm muito mais estáveis do que no Switch original e porque a jogabilidade por turnos de Divinity não necessariamente precisa de muita agilidade para funcionar bem. Mas, ainda assim, me pergunto o porquê os desenvolvedores não deixaram a escolha para o jogador, talvez introduzindo um modo com foco na “qualidade” e outro com foco na “performance”, como temos visto em tantos outros títulos desta geração.

Uma suposição da minha parte envolve a duração da bateria — limitar o RPG a operar a 30 quadros por segundo no modo portátil sem dúvidas proporciona mais horas de jogo, graças ao poder de fogo economizado. Contudo, novamente, não vejo motivos para não deixar a escolha nas mãos do jogador, ou então mirar nos 40 quadros por segundo e fazer uso da tecnologia VRR da tela — humildemente, creio, inclusive, que essa seria uma solução muito mais equilibrada entre qualidade visual e performance. Quem sabe em uma atualização futura?

Espera, cadê o modo mouse?

Outra ausência significativa é a de suporte ao modo mouse. Quando a Nintendo revelou que os novos Joy-Con poderiam ser usados como um mouse, logo pensei em alguns gêneros que certamente se beneficiariam da inovação, e CRPGs — com seus complexos recursos e extensos menus — ficaram no topo da minha lista.

Infelizmente, esta Nintendo Switch 2 Edition não conta com suporte ao recurso, mantendo apenas o (bom) layout dos controles que é visto nas versões de console. Novamente, assim como os 30fps no modo portátil, não é algo que compromete a experiência — de modo algum —, porém é difícil não ficar com a sensação de que tivemos uma oportunidade perdida.

No mais, para encerrar esta análise de forma mais positiva, gostaria de destacar a excelente localização da obra para português brasileiro — que é de inegável ajuda na interpretação dos efeitos e contextos —, e um recurso que já estava presente na versão de Switch, mas que retorna nesta releitura: a possibilidade de jogar com o mesmo save da versão de Steam.

A configuração se dá mediante à conexão entre as plataformas no menu inicial, e permite que você continue a aventura mesmo estando bem longe do PC. No meu caso — eu já possuía o game no Steam —, esta é uma possibilidade valiosíssima, a ponto de eu desejar muito que outros jogos fizessem o mesmo. Então, obrigado por isso, Larian.

No fim, uma ótima forma de conhecer ou revisitar o clássico CRPG

Reunindo tudo que há de melhor nos RPGs de computadores, Divinity: Original Sin 2 continua sendo um dos melhores jogos do gênero já feitos, mesmo anos após sua estreia. Apesar de alguns pontos questionáveis, sua conversão para o Switch 2 tem um saldo geral muito positivo, especialmente quando consideramos o caráter gratuito do upgrade para quem já possui (ou pretende adquirir) a versão de Switch.

Portanto, no fim, não há como negar que Divinity: Original Sin 2 - Nintendo Switch 2 Edition é uma ótima forma de conhecer ou revisitar a extensa e cativante aventura da Larian, agora no console mais novo da Nintendo. Logo, que não restem dúvidas: enquanto não conhecemos a fundo a próxima jornada do estúdio (ou recebemos o aguardado port de Baldur’s Gate III), esta incursão por Rivellon continua imperdível para os fãs da proposta.

Prós

  • O aumento na resolução de saída em comparação com a versão de Switch — tanto no modo TV quanto no modo portátil — é perceptível e valoriza ainda mais a bela parte artística do game;
  • Apresenta uma performance muito mais estável do que o Switch original, inclusive alcançando e mantendo 60 quadros por segundo quando o Switch 2 está conectado à TV;
  • Mesmo anos após sua estreia original, continua sendo uma aventura cativante e facilmente recomendável para fãs de CRPGs e jornadas duradouras, com múltiplos finais e possibilidades de concluir as missões;
  • Possui cross-save com a versão de Steam, para quem já possui ou pretende adquirir o jogo no PC;
  • Localizado em português brasileiro;
  • Trata-se de um upgrade 100% gratuito para atuais e futuros donos de Divinity: Original Sin 2 no Switch.

Contras

  • A decisão de limitar a performance a 30 quadros por segundo no modo portátil, apesar de não comprometer a recomendação, torna a experiência menos fluida para quem prefere essa configuração;
  • Sendo este um jogo que se beneficiaria bastante do recurso, a ausência de suporte ao modo mouse é bastante sentida.
Divinity: Original Sin 2 - Nintendo Switch 2 Edition — Switch 2 — Nota: 8.0
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Larian Studios
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Alan Murilo
é publicitário e copywriter que aprecia um bom jogo tanto quanto um bom café. Gamer desde que segurou um controle de Super Nintendo pela primeira vez, tem um apreço especial pelos títulos independentes e pelas diversas franquias da Big N.
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