Análise: Fur Squadron Phoenix - Eis aqui como fazer uma boa continuação

Embora aprimore tudo o que seu antecessor fez, Fur Squadron Phoenix peca por ser curto demais, ainda assim, é esencial para fãs de Star Fox 64.

em 25/02/2026

Alguns gêneros e jogos, devido às mudanças da indústria dos games no decorrer dos anos, transformaram-se e perderam protagonismo, quase desaparecendo, o que deixou um rombo em nossos corações. Mas, graças aos estúdios indies, muitas experiências outrora amadas e que hoje podem ser consideradas nichadas sobreviveram e entregam enormes experiências. É o caso de Fur Squadron Phoenix, da Razor Claw.

Fur Squadron Phoenix retorna com uma prequela de seu título anterior, que, não por acaso, já havia conquistado o coração de fãs de rail shooters, em especial de Star Fox, entregando uma experiência aprimorada e que não tem vergonha de suas inspirações, mas que certamente não quer viver à sombra da nostalgia.


O esquadrão Phoenix

Neste novo título, acompanhamos e assumimos o papel de Robin, que, com seus companheiros do Esquadrão Phoenix, é emboscado em uma missão de ronda rotineira. Dessa situação desastrosa, nosso protagonista é tido como o único sobrevivente. Após essa experiência sombria, Robin é indicado para treinamento com o esquadrão mercenário de elite Fur Squadron, para um dia conseguir vingança contra aqueles que eliminaram seu próprio time.


A trama é simples: uma jornada de aprimoramento e vingança, porém com contornos interessantes. Neste título, (quase) não controlamos Blaze, protagonista do jogo anterior, e também não estamos presos a aventuras em um ambiente de simulação, assumindo combates no “mundo real” do jogo, que aqui são chamados de missões de história.

Para além das missões de história, temos também as missões projetadas em um ambiente de simulação, como no jogo anterior, baseadas em missões e inimigos enfrentados pelo Fur Squadron — afinal, eles são um grupo experiente. E isso é refletido especialmente em diálogos nos quais os personagens indicam, direta ou indiretamente, lembrar-se daqueles ambientes e confrontos.

Poucas e longas fases

O estilo das fases e missões segue um padrão bem parecido com o do título anterior, mas sem se limitar a ele, e com um claro avanço na qualidade visual. O estilo gráfico retrowave (grades, objetos vazados, neon e scanlines) retorna, muito mais encorpado, misturado com uma composição sólida de objetos no cenário. No entanto, o jogo deixa claro que esse estilo não será tudo para a franquia, afinal as missões de história, por se passarem no mundo real, têm uma construção mais sólida e realista do que sua contraparte.


A diferença não é só visual: é também na jogabilidade. As missões de treinamento, que são a maioria, têm checkpoints em momentos específicos e contam com pontos de habilidade que podem ser utilizados para aprimorar diversos aspectos de sua aeronave. Já as de história, ao contrário, não liberam pontos de melhoria e também não contam com checkpoints: morreu, recomeça a fase — e elas são ligeiramente longas.

O game conta com poucas missões, oito no total, com duração razoavelmente longa. A desenvolvedora parece ter tentado lidar com a dificuldade acentuada — embora não impossível — das missões. Em Phoenix, não temos um sistema de dificuldade selecionável como no jogo de 2023; no entanto, o sistema de aprimoramento da nave e de suas armas faz as vezes desse seletor. Quanto melhores estiverem seus atributos, mais fáceis as fases, maiores as pontuações, mais estrago podemos fazer, e melhor a jogabilidade de nosso veículo — mas também não tanto assim.

Voando como numa Arwing, ou quase isso

Como um rail shooter declaradamente inspirado em Star Fox 64, certamente a usabilidade e a manobrabilidade dos veículos deveriam ser, provavelmente, os elementos mais importantes de Fur Squadron. No entanto, assim como em seu antecessor, o controle dos veículos aqui ainda é um pouco duro, embora tenha sido melhorado.


Sem aprimorar o atributo de movimentação, nosso veículo parece lento no começo e, durante as ótimas seções de manobra, curva e velocidade — que são parte da diversão do título —, a nave parece pouco responsiva, sendo fácil ser atingido ou colidir com quase tudo. Claro que, com alguma prática, dá para se acostumar e melhorar, porém, mesmo com o atributo no máximo, ainda parece que somos presos e puxados por uma força invisível.

E tal qual no primeiro Fur Squadron, nosso veículo é incapaz de alcançar os cantos da tela, tanto superiores quanto laterais, gerando um pequeno enclausuramento e impedindo a manobrabilidade que esse tipo de jogo parece exigir. Apesar disso, a jogabilidade de Phoenix é muito prazerosa e divertida, tendo como ponto mais agradável e interessante as armas especiais.

As armas especiais são a cereja do bolo

Além do visual, a grande melhoria que podemos citar é a inclusão das armas especiais. Elas são desbloqueadas no decorrer dos níveis, podendo ser aprimoradas e, com o Overdrive, nos tornam máquinas de destruição em massa — ao menos enquanto nossa barra de habilidades está carregada.


Esse arsenal especial conta com um raio laser, bombas, multi-míssil e um disparo nuclear massivo, sendo armas muito poderosas e fáceis de usar que, quando melhoradas, conseguem simplesmente derreter até os chefes do jogo, chegando a eliminar qualquer dificuldade que o título poderia oferecer. Para nossa sorte, é possível resetar os atributos.

As habilidades também são usadas de forma divertida em alguns combates e contra inimigos específicos, que têm suas barreiras derrubadas ou são atingidos de maneira diferenciada quando recebem determinadas habilidades, ajudando a variar um pouco a jogabilidade, que, em suma, pode rapidamente ser decorada, já que a variedade de inimigos é relativamente baixa.

Após terminar o jogo uma vez, não senti tanta vontade de continuar jogando novamente. Mesmo o desafio de pontuação para desbloqueio de skins da nave não me pareceu interessante o suficiente — afinal, o design dos veículos não é dos mais interessantes.

Arquétipos de Star Fox até demais

Fur Squadron Phoenix não esconde em momento nenhum que é muito inspirado em Star Fox 64 e faz referências frequentes durante a jornada, tanto em situações quanto em falas dos personagens. Até os arquétipos dos personagens estão quase completamente ali: é fácil identificar a personalidade de figuras da franquia da Nintendo — Fox McCloud e Falco Lombardi são quase transplantados para os corpos de Blaze e Kiro, e até o papel de Slippy Toad ressoa fortemente em Axel Mex. Mesmo os grandes inimigos do Skal Empire têm o jeito falastrão dos adversários de Star Fox.


Embora as referências e a construção de um universo inspirado sejam divertidas, estar preso demais a Star Fox pode acabar se tornando uma pedra na evolução dessa franquia, que desejo muito que continue, pela sua competência em ser um ótimo rail shooter em um gênero que Star Fox quase abandonou no decorrer de sua história — e que tanto queríamos que tivesse continuado.

No aguardo por DLC ou um novo jogo

Fur Squadron Phoenix se mostrou uma evolução muito bem-vinda em relação ao seu antecessor, aprimorando basicamente todos os seus quesitos e entregando uma experiência tão próxima do melhor jogo da franquia Star Fox como também traçando um caminho para se tornar o sucessor espiritual definitivo do título da Nintendo 64.

Apesar de sua curta duração e de algumas escolhas talvez não tão acertadas de jogabilidade e design, o jogo conta com muito mais acertos do que problemas e, com certeza, ajuda a satisfazer o eterno vazio que o título da Nintendo parece ter deixado no coração dos fãs da franquia da raposa espacial.

Prós

  • Aprimora praticamente todos os aspectos do jogo anterior;
  • Estilo retrowave mais encorpado e melhor composição de cenários, além de missões no “mundo real” com construção mais sólida;
  • Inclusão de habilidades especiais como raio laser, bombas, multi-míssil e disparo nuclear que ampliam a variedade e o impacto dos combates;
  • A progressão da nave e das armas atua como um substituto do seletor de dificuldade;
  • Apesar de limitações, o combate é prazeroso e satisfatório, especialmente com upgrades avançados.

Contras

  • A movimentação da nave continua um pouco dura e limitada, mesmo com melhorias;
  • Apenas oito fases, todas longas; ainda assim o jogo acaba se tornando muito curto;
  • Armas especiais aprimoradas podem eliminar praticamente toda a dificuldade;
  • A repetição pode tornar a jogabilidade previsível;
  • Desbloqueio de skins e desafios de pontuação não são suficientemente atrativos para continuar jogando após o fim da campanha;
  • Referências e arquétipos muito próximos aos de Star Fox 64 podem limitar a identidade própria da franquia.

Fur Squadron Phoenix — PC/Switch/Switch 2 — Nota: 8.5
Versão utilizada para a análise: Switch 2 


Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise feita com cópia digital cedida pela Raptor Claw

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Fernando Lorde
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