Análise: Lil Gator Game é uma simpática e generosa aventura com um doce gosto de infância

Embarque numa aventura com um fofo jacaré para impressionar sua irmãzona.

Crescer é barra. Essa é uma das verdades da vida (a outra é: garapa com pastel de feira é absolutamente gourmet). É preciso crescer para termos mais responsabilidade, autoridade e, o maior dos "idades", maturidade.


Em Lil Gator Game, vemos a agridoce passagem da pré-infância para a infância e um pequeno vislumbre para o ocupado mundo adulto pelos olhos de um pequeno heroizinho. Sem mais delongas, pegue o graveto mais legal que achar, um balde na cabeça e uma tampa de lixo e venha comigo brincar um pouco.

O herói verdinho

Estamos em uma pequena ilha no meio do nada. Nela, a população é completamente feita de animais antropomorfizados super fofos que vivem uma tarde sem fim. No palco principal, temos nosso pequeno herói (cujo apelido pode ser escolhido por nós e, pela linguagem neutra do jogo, interpretado com qualquer gênero, o que é bem legal), um jacarezinho animado e bastante contente em passar um dia divertido com sua irmã mais velha, com quem visitava a ilha quando mais novo. Juntos, participavam de 1001 aventuras, cheias de reviravoltas e coisas malucas.

Agora, no presente, no entanto, a irmã está ocupada demais com trabalhos da faculdade, dando pouca atenção para o jacarezinho. Para piorar, seus três melhores amigos também parecem não estar muito interessados em brincar com ele, optando ou por temas diferentes ou simplesmente em ficar com outras pessoas! Vendo um perigo iminente na diversão, o jovem bocudo faz questão de reunir a galera e qualquer outro participante na ilha para mostrar o mundo mágico que sua irmã está perdendo.

Terra do Nunca

A trama é simples, mas extremamente eficiente. Existe um tratamento muito bem feito entre a brincadeira do jogo com a normalidade do que seria o ‘mundo real’, ou seja, os personagens interagem como atores em uma trama porém, ao mesmo tempo, como indivíduos próprios em suas vidas. Por exemplo: uma garotinha se declara uma princesa e tem uma festa do chá preparada, com frufrus e coisinhas rosas adoráveis ao seu redor, mas está chateada porque a mãe está muito ocupada com uma ligação de negócios. Essas pessoas não estão aí apenas para enfeitar o mundo; elas são cruciais para a progressão do jogo, pois é necessário um número específico de amigos novos para poder ampliar a ‘pequena cidade’ que nosso herói criou para impressionar sua irmã.

Os dilemas e minigames destes personagens são fáceis de resolver, contudo não são insultantes, fazendo ser uma real caça ao tesouro para descobrir, por exemplo, onde está o próximo esconderijo do macaco que pode te ajudar a escalar, ou então como estourar os balões mais rapidamente ou como comprar sorvete para uma vampira preguiçosa.

Como numa brincadeira, no entanto, uma boa trama não se sustenta com promessas vazias e má execução. Felizmente, Lil Gator consegue mostrar seu valor não só como protagonista, e sim como proposta. O jogo opera com um pequeno, mas variado mundo aberto, alternando com paisagens de floresta, praia, cavernas e uma pequena área urbana com um playground para explorar, todas bastante divertidas e moderadamente fáceis de se aventurar, ambientadas com uma trilha sonora muito meiga que muda de acordo com a localidade.

Infestando esse pequeno maravilhoso mundo estão criaturas horríveis como slimes, esqueletos, morcegos e outras abominações!... todas feitas de papelão, não apresentando um real perigo, porém totalmente em par com a brincadeira das crianças. Quebrando as criaturas malignas, conseguimos o que seria equivalente à moeda do jogo: confete e pedaços de papel! Com isso, podemos gastar para “comprar” novos equipamentos, como capacetes, armas e escudos diferentes. Com armas, quero dizer parafernalhas jogadas por aí que qualquer criança veria e acharia legal de usar como seu valioso equipamento, como um graveto muito legal, espadas de madeira, pincéis e até um sabre de luz (de brinquedo, lógico).

Tirando óbvias inspirações de Breath of the Wild, o herói tem à disposição um paraquedas (nada mais do que uma camisa) para poder cruzar o céu e um escudo para escorregar com mais velocidade, exatamente como alguém faria com um carrinho de rolimã ou pedaço de papelão quando criança. A parte mais legal é a variedade dos escudos, operando de formas diferentes com suas propriedades. Uma tampa vai descer normalmente; um carrinho ou skate serão mais rápidos; uma bóia irá flutuar; um trampolim irá saltitar. São pequenos detalhes, mas que mostram o carinho colocado no jogo e no que seria a imaginação de uma criança.

Além do ataque e defesa, o jacarezinho também conta com dois itens adicionais que podem carregar e ativar com os botões ZL e ZR, como uma pistola de tinta, balões para poder chegar mais alto em lugares (esse é meu favorito), uma câmera para tirar foto e até um ursinho para “desligar” o herói, deixando-o flácido como uma boneca. Não se preocupem: se ele cair de uma altura alta, ele não se machuca. Afinal, como ele mesmo disse, nessa brincadeira não tem dano por queda. Falando em quedas, o jogo roda sem problemas algum no Switch, sem quedas de performance e carregando praticamente instantaneamente para começar o jogo ou entre pontos específicos atrás de cachoeiras.

Dodóis e curativos

Se a apresentação visualmente já não fosse charmosa, o vocabulário do game consegue prender com sua inocência. Extremamente bem traduzido para o português brasileiro, todos os diálogos emanam uma paixão na criação do jogo, com o vocabulário das crianças todo escrito em letras minúsculas (até mesmo as primeiras letras de cada frase e nomes), cheios de adjetivos e animação para se divertirem nesse enorme parquinho, trazendo um humor muito bem dosado para não soar cringe (como diria a geração atual).

Esse humor e escrita afiada inclusive pingam em cada um dos itens que nosso herói carrega, trazendo alguma descrição divertida, ao mesmo tempo que tem maturidade para contar a trama dos irmãos verdes, onde nosso heroizinho anda em algum lugar e se lembra de alguma historinha que fez com sua irmã e onde ela, agora mais velha, fala normalmente e tem coisas para fazer.

Se existem problemas com o jogo, está um pouco na literalidade em ‘saia e explore’. Por mais que seja divertido desbravar a ilha, um mapa seria muito bem-vindo, mesmo se fosse algo vago para podermos nos localizar melhor, além de um compendium para vermos as missões, personagens e coletáveis que nos faltam.

Pôr do Sol

Lil Gator Game já é um dos meus jogos favoritos desse ano. As inspirações são óbvias, porém não tiram o mérito da originalidade de apresentação desse jogo. Um produto feito com amor e diversão, inocente e reflexivo, dando um gosto de infância ao mesmo tempo que apresenta o fluxo iminente do tempo.

Com a proximidade da expansão In The Dark, é a oportunidade perfeita para reviver sentimentos há muito tempo guardados no coração e se preparar para uma nova aventura. Mesmo crescendo, é bom mantermos um coração de criança.

Prós

  • História meiga e simpática, envolvendo inocência e maturidade;
  • Ambientação imersiva e super divertida, digna de uma brincadeira;
  • Muito bem traduzido para português brasileiro;
  • Trilha sonora adorável e muito bem feita, além de adaptável ao ambiente;
  • Variedade de minigames e equipamentos para experimentar.
  • Performance excelente no Switch.

Contras

  • Ausência de mapa deixa a exploração meio desajeitada;
  • Ausência de lista de tarefas e perfis de personagens.
Lil Gator Game — PC/Switch — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Playtonic Friends
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Fábio Castanho Emídio (StarWritter)
Formado em Publicidade e Propaganda na USC e especializado em Marketing Digital, sou Editor de Vídeos também, meu TCC foi sobre a Guerra dos Consoles e evolução da publicidade nos games. Jogo um pouco de tudo e também escrevo. Me descrevo como um artista.
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