Análise: BlazBlue Entropy Effect X chega ao Switch com foco em ação estilosa e variedade de personagens

Entropy Effect X é um spin-off da franquia BlazBlue focado em ação frenética com personagens do universo da Arc System Works.

em 20/02/2026
Arc System Works é um estúdio que virou sinônimo de jogos de luta de qualidade e personagens com habilidades e combos estilosos, desde franquias próprias como BlazBlue até adaptações de outras propriedades como Dragon Ball FighterZ. Mas ainda havia espaço para explorar outros gêneros com as franquias da empresa, e a parceria com a 91 Act fez surgir BlazBlue Entropy Effect X, a versão de consoles do título que antes estava disponível apenas para PC.


Um mar de possibilidades

Entropy Effect X não só é uma versão definitiva, mas também uma reestruturação da premissa original do título de PC. Ao contrário do primeiro, em que você controlava um robô navegando por um centro de criaturas mecânicas com elementos de história, agora você é um personagem desconhecido que começa confinado em uma única sala, chamada simplesmente de O Laboratório, e precisa ajudar pesquisadores que buscam Fragmentos de Possibilidade em um local virtual além da realidade conhecida.

No entanto, ainda se trata de uma história spin-off no universo BlazBlue, como era a versão anterior. O personagem principal, chamado de Dr. A, é o único capaz de usar a Plataforma de Mergulho para entrar no Mar de Possibilidades. Para isso, ele usa avatares de guerreiros que são os personagens de BlazBlue, sendo o ponto principal da jogabilidade.

Combos de Potencial e Tática

O jogo segue uma fórmula simplificada de roguelite em fases lineares, com cenários que mudam as recompensas e melhorias dos avatares, enquanto o combate com habilidades descoladas é o foco principal.

Existem 16 avatares desbloqueáveis. Dois deles são convidados de outras franquias, sendo a ICEY (ICEY) e o Prisioneiro (Dead Cells), todos com uma boa variação de estilo de combos. As habilidade individuais deles são chamadas de Potencial, enquanto as que podem ser adquiridas por todos ao longo das fases são as Táticas.

As Táticas são um pouco mais simples e variam entre golpes elementais e físicos, como criar uma sombra ao desviar, queimar ou envenenar inimigos ao acertar um combo, ou invocar lâminas que giram ao redor do avatar.

O que vai destacar cada avatar e fazer o jogador ter os seus preferidos é o Potencial. São habilidades ligadas às armas e movimentos específicos de cada um. Tanto o Potencial quanto a Tática podem ser melhorados conforme os cenários avançam, criando possibilidades ainda maiores de combos e misturas de elementos.

Entre os cenários também existem pontos de descanso e sorteio ou compra de itens e melhorias utilizando os Pontos de Troca adquiridos ao longo das fases. Em dificuldades maiores, surgem outros caminhos como salas de Pacto e Treinamento, que geram punições temporárias ao jogador em troca de melhorias. A maioria dos cenários oferecerá três opções de caminhos, permitindo ao jogador escolher qual será a recompensa no final.

O destaque acaba ficando somente nas recompensas mesmo, pois não há uma variedade de caminhos real no jogo, apenas uma mudança entre receber Pontos de Troca, adquirir/evoluir uma Tática ou desbloquear/melhorar o Potencial.


Sistema de herança com diversas combinações

Você só pode desbloquear um avatar ao iniciar o jogo usando um item especial chamado Analisador de Avatar. Conforme a história progride e o jogador completa os Mergulhos, mais Analisadores ficam disponíveis para desbloquear mais avatares.

O ciclo de jogabilidade de Entropy Effect X gira em torno de liberar avatares e poder combiná-los através do sistema de Herança. Toda vez que terminar o Mergulho com um avatar, o jogador pode escolher algumas Táticas adquiridas nas fases e salvá-las para herdá-las na próxima tentativa. Isso faz com que o nível de variedade, que já era grande, torne-se ainda maior.

Cada novo Mergulho permite herdar as Táticas de dois avatares, fazendo com que a próxima tentativa já inicie com alguma vantagem e a possibilidade de invocar o golpe especial de cada um deles. No entanto, a escolha de quais Táticas adquiridas ficarão disponíveis para herança é restrita a três opções geradas aleatoriamente pelo jogo — acredito que como uma forma de impedir que o jogador crie builds muito fortes logo de cara.


Um jogo que entrega a qualidade visual da franquia

Com pouco tempo de jogo dá para ver como o visual de franquias da Arc System realmente brilha. Todas as habilidades são bem projetadas esteticamente, deixando claro o estilo de cada avatar e o destacando em cena enquanto destrói vários inimigos de uma vez.

Especialmente nas lutas contra chefes, fica evidente a qualidade da estética. Eles também possuem habilidades especiais e sequências de golpes que, embora menos exageradas que as dos avatares, criam o cenário de luta de anime perfeito.

Com relação às fases, apesar de terem um cenário cyberpunk distópico interessante, não demora para ver tudo o que elas têm a oferecer.

Não há obstáculos ou diferentes saídas, apenas corredores que uma vez ou outra têm um trecho de plataforma que logo fica manjado. Isso faz os ambientes ficarem repetitivos com pouco tempo de jogo.

Alguns belos tropeços pelo caminho

Apesar de acertos interessantes, BlazBlue Entropy Effect X acaba cometendo erros bem complicados.

Com relação ao Switch, o desempenho não está bom. O jogo tem travamentos constantes ao voltar para o HUB após concluir um Mergulho, chegando ao ponto em que certas cutscenes da história ficam sem imagem. Mesmo fechando o jogo e abrindo outra vez, a cutscene já tinha passado e eu perdi o diálogo dos personagens. É uma pena, já que o jogo está todo legendado em português.

Até mesmo a transição entre cenários pode travar em uma tela preta e te deixar sem saber se o jogo parou de vez ou só está carregando a fase. Esse último não quebra a progressão da campanha, mas diminui a fluidez da jogabilidade.

O que realmente quebra a progressão são as cutscenes durante os combates. Essas são bem poucas, para chefes específicos, mas aconteceu duas vezes durante minhas tentativas. Acabei tomando dano para um golpe do chefe logo antes de ele trocar de fase, e esse dano continuou sendo aplicado enquanto a cena acontecia. O resultado foi que em uma dessas tentativas acabei perdendo porque um golpe que tiraria X pontos de vida do meu avatar tirou uns 6X.

E falando da jogabilidade em si, embora seja ótimo que exista uma configuração de dificuldade no qual o jogador possa fazer o jogo funcionar como deseja, os inimigos comuns são fáceis e só estão lá para ficar no caminho. A IA não é bem desenvolvida, a ponto de ter inimigos que simplesmente ficam parados usando o mesmo golpe à distância, ou parados esperando que o jogador se aproxime para que ataquem.

As funções de acessibilidade somente alteram a quantidade de PV dos inimigos e o dano que eles causam, então não há uma mudança significativa. Mesmo no modo Zona de Entropia, a dificuldade está mais atrelada a impor restrições ao jogador do que a deixar os inimigos mais desafiadores.

Nas batalhas de chefe, felizmente, as coisas são mais interessantes. Mas o que pode agradar a alguns é justamente esse fato de tornar os inimigos comuns mais insignificantes para que o avatar possa atropelar todos eles com sequências criativas de habilidades.

E, por último, o pior dos problemas aconteceu na fase especial de Dead Cells. Essa é a única com caminhos diferentes, mas um desses está injogável. Todas as vezes que tentei passar por aquele trecho, o jogo crashou, chegando ao ponto que simplesmente desisti de ver o que tinha lá e segui direto para o final da fase.


Estilo acima da fórmula

BlazBlue Entropy Effect X foca no estilo acima da fórmula, com habilidades intensas e boa disponibilidade de avatares, o que pode não ser o suficiente para agradar aos fãs de roguelites e tornar a experiência repetitiva muito rápido, por seu sistema de progressão simples e falta de variedade nos cenários e inimigos. Ainda assim, o jogo traduz fielmente a experiência de combate dos jogos da Arc System Works em um novo gênero.

Uma pena que a versão de Switch não entregue a melhor experiência, especialmente em partes essenciais da narrativa em que as cutscenes somem ou te prejudicam durante o combate. No entanto, são aspectos que ainda podem ser corrigidos.


Prós

  • A boa variedade de avatares consegue dar personalidade ao jogo com seus diferentes estilos de jogabilidade;
  • Combate ágil focado em combos e habilidades estilosos para finalizar os inimigos;
  • Sistema de herança de táticas aumenta o fator replay e dá liberdade para o jogador criar suas próprias combinações.

Contras

  • Travamentos constantes no Nintendo Switch ao voltar para o HUB do jogo, fazendo com que algumas cutscenes fiquem sem imagem;
  • A fase extra de Dead Cells tem áreas que fazem o jogo crashar, impossibilitando explorar todo o mapa;
  • Se o avatar recebe algum dano antes de uma cutscene ativar, o dano continua sendo aplicado durante a cutscene, fora do controle do jogador;
  • Os inimigos normais não oferecem nenhuma dificuldade a não ser na quantidade;
  • Mapas com pouca variedade de cenários e caminhos.
BlazBlue Entropy Effect X — Switch/PC/PS5/XSX — Nota: 6.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela Astrolabe Games
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Lucas Henrique
Redator e tradutor, sempre planejando escrever sobre algo (mesmo que seja só um rascunho). Acima disso, apenas a paixão por videogames e as várias formas que essa mídia conta histórias.
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