Descobrindo o que existe além de Estard
Para quem nunca jogou antes, a história de DRAGON QUEST VII Reimagined se inicia na pequena e pacata ilha pesqueira de Estard, vizinha ao reino de mesmo nome. Aparentemente, não há nada errado com a localidade, a não ser o fato de seus habitantes acreditarem firmemente que ela é a única ilha no mundo inteiro, crença sustentada pelo fato de seus pescadores jamais terem encontrado outras terras, mesmo em suas maiores expedições em alto-mar.
No entanto, para dois corajosos jovens — o príncipe Kiefer e o protagonista — está muito claro que existe, sim, algo além de Estard. Com o desejo de provar isso em mente, os dois começam a reparar um navio e a explorar segredos há muito deixados de lado, como a existência de um estranho local chamado Shrine of Mysteries (Capela dos Mistérios, em tradução livre) e de fragmentos coloridos igualmente enigmáticos, muitas vezes escondidos como tesouros.
Não demora para os dois, acompanhados pela espontânea Maribel, notarem que os tais fragmentos e a Capela em si estão intimamente ligados, revelando um segredo que mudará suas vidas e também o destino do mundo inteiro: a possibilidade mágica de viajar a localidades do passado. Fazendo isso e ajudando quem precisa, os heróis são surpreendidos com o fato de que esses mesmos locais surgem também no presente, indicando que o curso da história foi devidamente corrigido.
Logo, com a descoberta da habilidade de viajar no tempo, começa a aventura dos três para salvar esses territórios que, ao que tudo indica, foram dizimados e selados do presente por forças malévolas. Será você capaz de salvar o mundo, descobrindo a verdade sobre tudo que existe além de Estard?
Reimaginando um clássico à perfeição
Há vários motivos pelos quais DRAGON QUEST VII é, até hoje, um dos títulos mais elogiados da franquia, como a sua longa duração e a sua narrativa surpreendentemente sombria, que não teme explorar os traços mais assustadores da humanidade em seus vários arcos. Desde o início da aventura, também é praticamente impossível não simpatizar com a inocência juvenil dos protagonistas e seu desejo de descobrir se realmente existe algo além do que já conhecem.
No entanto, essas mesmas características também acabaram prejudicando um pouco sua percepção ao longo dos anos, com muitos jogadores questionando decisões de roteiro e a lentidão generalizada da obra, que precisava de várias horas de jogo para chegar ao primeiro combate. Tais problemas foram, em parte, remediados com a versão aprimorada para 3DS — Fragments of the Forgotten Past —, mas nunca verdadeiramente solucionados… até agora.
Sim, curiosamente, DRAGON QUEST VII Reimagined é o segundo remake de DRAGON QUEST VII e sua verdadeira versão definitiva. Isso graças a uma série de melhorias de qualidade de vida, novos visuais e conteúdo inédito, traços que fazem com que este RPG finalmente alcance o patamar que mereceu desde sua estreia no Ocidente, há 25 anos.
Mas o que exatamente mudou em Reimagined? Primeiramente, a narrativa foi reformulada, mas sem comprometer a identidade da obra. Enquanto a história continua apoiada na exploração do passado e seus impactos no presente, o ritmo foi ajustado, fazendo com que eventos marcantes como o primeiro confronto ou a chegada à Ballymolloy ocorram bem mais cedo do que nas versões anteriores. Seguindo a mesma linha de desenvolvimento, há novas seções — como interações com Kiefer adulto —, e os arcos narrativos que possuíam pouco ou nenhum impacto na trama geral foram repensados como missões secundárias, tornando a aventura mais concisa, mas não menos envolvente.
Aproveitando o hardware da atual geração, Reimagined também entrega uma direção verdadeiramente cinematográfica, com cutscenes feitas do zero e uma inédita dublagem que aprimora ainda mais a caracterização dos personagens — à la Dragon Quest XI S: Echoes of an Elusive Age. Os jogadores podem esperar sotaques diferentes em cada nova região visitada e um tom teatral que é difícil não elogiar (vide as engraçadas reclamações da resmungona, mas adorável, Maribel, ou os latidos e rosnados de Ruff).
E já que tocamos nesse ponto, é impossível não falar dos novos visuais. Lembrando um pouco o trabalho que a Grezzo fez no remake de The Legend of Zelda: Link’s Awakening, a Square Enix optou por reimaginar DRAGON QUEST VII como um diorama animado, recriando os personagens como bonecos artesanais que foram então escaneados para dar vida às suas versões virtuais.
O resultado é impressionante, principalmente por ressaltar e preservar a genialidade e o traço único do saudoso Akira Toriyama, responsável pelas artes e personagens do jogo. Como fã da obra do mangaká, confesso que cada novo encontro com um inimigo ou cutscene se provou um deleite visual para mim, e acredito firmemente que assim será para todos os jogadores deste remake.
Uma série de melhorias, com um único problema para o nosso público
Além dos novos visuais e dos ajustes na narrativa, DRAGON QUEST VII Reimagined traz diversas melhorias de qualidade de vida que ajudam o jogo a brilhar, como encontros visíveis no mapa (que podem ser evitados sem Holy Water, se você for rápido o bastante), dificuldade customizável e batalhas mais ágeis. Outra novidade muito interessante é que, se você estiver em um nível muito alto, atacar um inimigo no mapa resolverá automaticamente o confronto, evitando batalhas desnecessárias que renderiam pouca experiência para a equipe.
O sistema de classes também foi reformulado: agora, não é mais necessário viajar a Alltrades Abbey simplesmente para trocar de vocação e, uma vez que um certo ponto na história seja alcançado, o recurso “Moonlight” é desbloqueado, permitindo aos heróis usarem habilidades e vantagens de duas classes simultaneamente. Some-se a isso o fato de existirem vários graus de vocações (iniciante, intermediário, avançado) e há aqui bastante material para os entusiastas gastarem horas tentando fazer builds otimizadas — inclusive, elas serão praticamente necessárias para a nova Battle Arena, espaço focado em batalhas desenhadas especificamente para testar os limites dos protagonistas.
Quem já jogou as versões anteriores do título provavelmente também gostará de várias outras mudanças menores, mas muito bem-vindas, como a lista de Mini Medals e o Bestiário, que agora estão sempre acessíveis no menu. Feitos todos os elogios, é só uma pena que DRAGON QUEST VII Reimagined peque em um ponto crucial para o nosso público: a ausência de localização em PT-BR.
Sim, infelizmente, Reimagined não conta nem mesmo com legendas em português, o que prejudica a compreensão da história para quem não domina outro idioma e acaba contrastando com outras franquias da Square que oferecem suporte para a nossa língua, como Final Fantasy. Assim, fica registrada a esperança de que uma atualização futura conserte esse deslize — a comunidade brasileira certamente agradeceria e acredito que a franquia DRAGON QUEST também se beneficiaria.
Por fim, em termos de performance, Reimagined se comporta muito bem no Switch 2, com um desempenho praticamente impecável a 60 quadros por segundo. Eu digo “praticamente”, pois é possível perceber alguns micro travamentos aleatórios (semelhantes ao fenômeno de stuttering no PC) quando se está explorando, mas, por eles serem bem infrequentes e não ocorrerem durante o combate, julgo que serão rapidamente corrigidos em um patch futuro. Logo, o único problema de fato é a ausência de possibilidade de upgrade (gratuito ou pago) entre as versões de Switch e Switch 2, que são tratadas como jogos separados na eShop.
Dessa forma, se você adquirir a versão de Switch do título, terá que comprar novamente a preço cheio a versão de Switch 2 se quiser jogá-la também (e vice-versa). Tendo em vista que várias empresas têm oferecido pacotes de melhoria quando lançam games nos dois consoles, seria bom se DRAGON QUEST VII Reimagined também contasse com essa possibilidade. Quem sabe em breve?
A versão definitiva de um RPG verdadeiramente atemporal
Graças a uma série de melhorias e uma apresentação visual espetacular, DRAGON QUEST VII Reimagined eleva o clássico RPG à perfeição prática, sendo facilmente recomendável tanto para quem já jogou as versões de PlayStation e 3DS quanto para quem vai embarcar pela primeira vez nesta divertida e envolvente aventura que visa descobrir o que há além de Estard.
A verdade é que pouquíssimos remakes são conduzidos com tanto carinho e respeito pela obra original quanto este, e o resultado deste comprometimento fala por si só. Em resumo, graças à versão definitiva de um dos melhores jogos da saga, o quadragésimo aniversário de DRAGON QUEST não poderia ter começado de forma melhor — e os verdadeiros presenteados fomos nós, os jogadores.
Prós
- O novo visual se prova espetacular, destacando a genialidade e o traço único do saudoso Akira Toriyama;
- Mesmo anos após sua estreia no PlayStation, continua se sobressaindo por sua narrativa surpreendentemente sombria, com arcos emocionantes e personagens carismáticos e cativantes;
- As melhorias de qualidade de vida provam-se bem-vindas e ajudam a reduzir a lentidão (e repetição) que prejudicou a percepção dos lançamentos anteriores;
- Graças ao trabalho minucioso dos desenvolvedores e a inclusão de conteúdo inédito, consagra-se como a verdadeira versão definitiva de DRAGON QUEST VII — um RPG que merece ser conferido tanto pelos entusiastas quanto por quem não tem tanta intimidade assim com o gênero ou com a franquia.
Contras
- Stuttering ocasional na versão de Switch 2;
- Ausência de localização em português brasileiro;
- Ausência de possibilidade de upgrade da versão de Switch para a de Switch 2.
DRAGON QUEST VII Reimagined — PC/Switch/Switch 2/PS5/XSX — Nota: 9.5
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Johnnie Brian
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix
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