Análise: Rayman: 30th Anniversary Edition é a celebração do mascote da Ubisoft em um documentário jogável

Edição de 30 anos traz as várias facetas do primeiro grande sucesso da Ubisoft.

em 25/02/2026
A primeira metade dos anos 1990 foi centrada na disputa entre Mario e Sonic, prendendo a atenção dos gamers que se perguntavam qual seria o próximo passo dessa rivalidade. No entanto, um humilde novo mascote estava para chegar ainda em 1995, com a promessa de entregar o próximo passo das aventuras 2D, com animação repleta de cores vibrantes e movimentos fluidos a 60 FPS. Rayman: 30th Anniversary Edition conta a história de como o personagem fez a até então pequena Ubi Soft (assim que se escrevia na época) começar a se destacar no mundo dos jogos.


Jogue a história do mascote da Ubisoft

Essa nova edição do Rayman original é uma carta de amor ao primeiro grande sucesso da empresa. O título é uma coletânea de um jogo só, algo curioso, mas que tem um valor histórico interessante, já que, na época, era comum um mesmo jogo apresentar mais diferenças entre cada console.

Falando em valor histórico, essa edição conta com uma página de história que apresenta um documentário completo sobre a produção do primeiro Rayman, desde o início profissional do seu criador, Michel Ancel, até a produção da edição de 30 anos.

Além de vídeos com comentários do criador e demais membros da produção, há também descrições sobre as várias fases do processo criativo e a presença de documentos e tech demo inéditos. Essa tech demo é uma versão nunca lançada de Super Nintendo. 

Como se trata de um projeto que nunca foi finalizado, é um trecho curto de alguns segundos com Rayman andando por um cenário ainda sem inimigos ou plataformas complexas, porém é interessante ver as ideias iniciais sobre o personagem.

As várias versões da primeira aventura

Indo para os jogos completos, a coleção possui cinco versões de Rayman para as seguintes plataformas: PlayStation, Atari Jaguar, MS-DOS, Game Boy Color e Game Boy Advance, todas com arte de capa e manual disponíveis. Inclusive, é engraçado ler o manual de um jogo do PlayStation no Nintendo Switch.

A única versão completamente diferente é a de Game Boy Color. Já que se tratava de um console bem mais fraco, os desenvolvedores tiveram que repensar todas as fases em 8-bits e criaram algo novo, mas que ainda segue a mesma história, focada em Rayman resgatando os Electoons com a ajuda da fada Betilla.

Os demais jogos têm basicamente as mesmas fases. Algumas têm visuais diferentes, porém os mesmos caminhos e segredos. A diferença gráfica da época não mudava muito, no entanto, cada plataforma tinha suas características.

A versão de Jaguar foi a primeira que começou a ser desenvolvida, mas a de PlayStation foi lançada antes. Enquanto a versão de PS1 possui animação de abertura e mais detalhes de áudio pela qualidade do CD, a de Jaguar, que utilizava cartucho, tem detalhes visuais diferentes e algumas animações a mais nos personagens.

No fim, talvez a versão de MS-DOS seja a superior, não tanto graficamente, mas por ter 24 fases extras, já que em 1997 fizeram uma nova edição com mais conteúdo.

Uma versão da qual senti falta para comparação é a de Sega Saturn. Na época, o Saturn acabou perdendo para o PS1 em desempenho nos jogos 3D, porém, em 2D, havia alguns títulos muito bonitos no console, como Keio Flying Squadron 2, Astal, Saturn Bomberman e o próprio Rayman. Sendo assim, é estranho a Ubisoft e a Digital Eclipse terem simplesmente deixado de lado essa versão, por ser a única que não está presente.

Recursos modernos e inclusão dos fãs

Alguns recursos sempre acabam aparecendo em relançamentos de jogos antigos hoje em dia. Rayman não seria diferente, apesar de que as funções de acessibilidade mudam bastante por plataforma.

Começando com a parte de imersão, existem filtros CRT e outros filtros visuais para os portáteis, todos muito bem feitos e que passam bem a sensação de jogar em uma TV de tubo ou na telinha de um portátil, especialmente no Switch.

Depois, no que é chamado de aprimoramentos, a única coisa em comum entre todas as versões é que agora é possível salvar a qualquer momento, inclusive durante as fases.

A versão de PlayStation é a mais completa. Além de salvar, há como rebobinar, ativar todas as habilidades do Rayman, desbloquear todas as fases e deixá-lo com vidas infinitas, HP máximo e continuações infinitas.

Jogando na versão de Jaguar ou Game Boy Advance, apenas a função de rebobinar está disponível. Enquanto isso, no MS-DOS, não é possível rebobinar, mas vidas, continuações e HP podem ser modificados.

Rayman é um daqueles casos clássicos de jogos de início de geração 32-bits dos anos 1990. As fases são pouco elaboradas, especialmente no início, com trechos bem curtos e até fáceis, mas a dificuldade escala bastante até o final, talvez para fazer render.

E por falar em render, além de difícil, o jogo é exigente para quem quer zerar. A única forma de entrar no último mapa do jogo é salvando todos os Electoons das fases. Ou seja, se não encontrar todos eles, é impossível terminar (exceto caso use o desbloqueio de fases nessa edição).

É justamente essa dificuldade que chamou a atenção de alguns fãs da época, que aproveitaram o software chamado Rayman Designer no MS-DOS para fazer suas próprias versões com desafios inéditos. Na edição de 30 anos, essas fases de fãs também estão presentes no Rayman By His Fans, lançado pela Ubisoft originalmente em 1998 com 40 fases.


O azarão dos jogos de plataforma sendo lembrado

Em uma época em que ainda não se sabia para qual direção iria o gênero de plataforma, Rayman apareceu com um visual estonteante e a promessa de animações fluidas e muita qualidade em 2D. Sem dúvida, era um dos jogos mais bonitos da época, com visuais que se sustentam até hoje, porém, infelizmente, não demorou para que títulos 3D como Crash Bandicoot e Super Mario 64 viessem e acabassem deixando o mascote da Ubisoft de lado nessa nova fase do gênero.

Hoje em dia, Rayman continua sendo aquela série considerada uma joia escondida, agora com seu primeiro título sendo lembrado e mantido como um item de valor histórico através da sua edição de 30 anos. Ela não está completa pela falta da versão de Sega Saturn e por ter uma nova trilha sonora que substituiu completamente a original, sem opção de trocar entre uma e outra. Ainda assim, para grandes fãs do boneco sem braços da editora francesa, é uma experiência que vale a pena.

Prós

  • Menu de extras com um documentário completo sobre a produção de Rayman, incluindo uma tech demo jogável inédita;
  • Ótima adaptação visual do filtro CRT para TVs e monitores modernos;
  • Recursos de acessibilidade, como sistema de salvamento, botão para rebobinar e desbloqueio de fases;
  • Mais de 120 fases, incluindo criações de fãs na versão de MS-DOS.

Contras

  • A trilha sonora original foi substituída por uma nova versão mais parecida com Rayman Origins;
  • Apesar da proposta de apresentar todas as edições da época, a coletânea não tem a versão de Sega Saturn;
  • As fases originais, no geral, são pouco elaboradas e exigem muitas revisitas para poder desbloquear o último mapa;
  • Como a coletânea consiste em várias versões diferentes de um mesmo jogo, pode ficar enjoativa.
Rayman: 30th Anniversary Edition — Switch/PC/PS5/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Alessandra Ribeiro 
Análise feita com cópia digital cedida pela Ubisoft
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Lucas Henrique
Redator e tradutor, sempre planejando escrever sobre algo (mesmo que seja só um rascunho). Acima disso, apenas a paixão por videogames e as várias formas que essa mídia conta histórias.
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