Análise: City Hunter acerta no fanservice, mas escorrega na modernização

Adaptação do clássico mistura fanservice e ação direta, porém nem sempre moderniza suas ideias.

em 04/03/2026

Adaptar uma obra clássica para os dias atuais nunca é tarefa simples. Quando falamos de City Hunter, a responsabilidade é ainda maior: trata-se de uma franquia marcada por carisma, humor irreverente e ação estilizada. Agora no Nintendo Switch, o jogo busca resgatar essa essência enquanto tenta dialogar com um público contemporâneo.

A grande questão é: a experiência funciona apenas como homenagem aos fãs ou consegue se sustentar por mérito próprio?

Fidelidade à obra original

O título demonstra claro respeito ao material clássico. Ryo Saeba mantém sua personalidade exagerada e confiante, enquanto a dinâmica com Kaori preserva o humor característico da série. O visual aposta em traços que remetem ao anime, com cores vibrantes e animações que evocam o estilo dos anos 80 e 90.

A ambientação urbana, as expressões caricatas e os momentos cômicos ajudam a capturar o espírito da obra. Quem não vai dar uma gargalhada quando entrar em um ambiente com uma personagem seminua e seus pontos de vida se recuperarem, claro, depois do susto. Para fãs, o fanservice é evidente e funciona bem. Já para quem não conhece a franquia, a narrativa é simples, embora parte do impacto dependa do apego ao material original.

O combate

A base da jogabilidade é focada em ação direta, com combates rápidos e objetivos claros. O sistema é acessível, com comandos simples e foco em ataques à distância e confrontos diretos. Há variedade razoável de situações, mas a progressão poderia ser mais aprofundada, pois às vezes nos sentimos perdidos pela quantidade de portas.

O ritmo é ágil, porém, em alguns momentos, a repetição de inimigos e padrões pode reduzir o impacto da experiência. Os confrontos contra chefes são bem simples também, basta identificar a movimentação e atacar. Tem chefe que fica apenas pulando de um lado para o outro disparando, então não senti nenhuma dificuldade ou necessidade de fazer algum movimento que não fosse atirar na direção dele.

No Nintendo Switch, os controles respondem bem, tanto com Joy-Con quanto com Pro Controller. A adaptação ao modo portátil funciona de maneira satisfatória, mantendo legibilidade na tela e boa fluidez nas ações.

Embora o jogo ofereça missões com objetivos distintos, a estrutura geral segue um padrão relativamente tradicional. Isso pode agradar quem busca uma experiência arcade direta, mas talvez se limitada para quem espera sistemas mais modernos ou profundos como é o meu caso.

No quesito desempenho, o jogo se mantém estável na maior parte do tempo. A performance é consistente tanto no modo dock quanto no portátil, sem quedas significativas que comprometam a jogabilidade. Os tempos de carregamento são aceitáveis e não quebram o ritmo da ação. Visualmente, o estilo artístico ajuda a mascarar limitações técnicas, funcionando bem dentro da proposta retrô.

Novidades

A nova edição de City Hunter traz opções que atualizam a experiência sem abandonar suas raízes. Além da versão original de 1990, os jogadores podem escolher dois novos modos: Enhanced e Hard.

O Enhanced Mode mantém a estrutura e a dificuldade clássicas, porém corrige diversos problemas do game original, como problemas de controle, bugs e inconsistências nos projéteis, tornando a jogabilidade mais estável.

Já o Hard Mode inclui todos os ajustes do modo Enhanced e adiciona modificações mais desafiadoras, como reposicionamento de itens, inimigos mais agressivos e comportamento dos adversários, além de chefes reformulados. Uma sequência inédita também foi incluída para oferecer um desafio extra aos jogadores veteranos.

O relançamento adiciona, ainda, melhorias de qualidade de vida, como save states, função de rewind — recurso que permite voltar alguns segundos no tempo durante a jogatina —, filtro CRT, suporte a diferentes proporções de tela, galeria com ilustrações do anime e um player de música com a trilha completa.

Pela primeira vez, o jogo recebe localização oficial em inglês, francês, italiano, alemão e espanhol, além do texto original em japonês. Como homenagem ao anime, a música “Get Wild”, da TM Network, também está disponível no player interno do jogo.

Direto ao ponto

City Hunter, no Nintendo Switch, entrega exatamente o que promete: uma experiência nostálgica, com foco em ação arcade e respeito à obra original. Não é um título que reinventa o gênero nem amplia significativamente suas mecânicas, mas cumpre seu papel ao proporcionar diversão direta e descomplicada, porém repetitiva.

Para fãs da franquia, é uma adaptação competente e carregada de referências. Para novos jogadores, pode funcionar como porta de entrada, desde que as expectativas estejam alinhadas com uma proposta mais tradicional. No fim, o jogo acerta ao mirar no próprio legado — mesmo que não amplie muito seus horizontes.

Prós

  • Fidelidade ao espírito original, com Ryo Saeba carismático e humor preservado;
  • Visual retrô fiel ao anime;
  • Desempenho estável e controles responsivos no Switch;
  • Modos Enhanced e Hard agregam valor;
  • Recursos modernos (save states, rewind, galeria) e trilha com TM Network.

Contras

  • Modernização superficial;
  • Combate simples e pouco desafiador;
  • Repetição de inimigos e padrões;
  • Progressão limitada e pouco aprofundada.
City Hunter — Switch — Nota: 6.5
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia digital cedida pela SUNSOFT / Clouded Leopard Entertainment
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Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
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