Análise: Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection supera seus antecessores e entrega a melhor aventura da série

Um RPG surpreendente que amadurece a série, expande o universo dos Monsties e entrega uma das melhores aventuras da franquia.

em 12/03/2026

A Capcom não está para brincadeira em 2026, e traz mais um grande jogo neste início de ano. Monster Hunter Stories é um spin-off que começou no Nintendo 3DS em 2017 no Ocidente. Diferente da série principal, na qual atuamos como caçadores de monstros, aqui fazemos parceria com eles e os chamamos de Monsties. Em um primeiro momento, a comparação com Pokémon é inevitável, o que é até natural. Contudo, Stories segue um caminho próprio e bastante original. Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é o ápice da franquia e, de antemão, já posso dizer que é um Monster Hunter top tier.

O início

Os jogos anteriores seguiram com personagens mais jovens. No Stories original tivemos uma criança; em Stories 2 seguimos com um adolescente, e por isso a história já culminava em uma campanha mais madura. Em Stories 3, nós somos um adulto e príncipe do reino de Azuria, com responsabilidades tanto com o reino quanto com a Patrulha — equipe criada por sua mãe, a rainha Amara, responsável pela restauração do ecossistema dos Monsties.

A história começa com perdas significativas para o protagonista. Em uma das patrulhas, a rainha Amara descobre o ovo de uma criatura há muito extinta. No momento da eclosão, o protagonista, ainda criança, sente que havia duas criaturas dentro do ovo, e dois Rathalos nascem. Contudo, a superstição do reino coloca a vida de uma das criaturas à beira da morte. Temendo pelo pior, a rainha resgata o monstro antes que pudessem matá-lo e foge, tornando-se uma traidora do reino. Anos mais tarde, nós nos vemos como capitão da Patrulha, tomando o lugar de sua mãe e liderando uma equipe de patrulheiros e amigos muito próximos.

Conflitos entre os reinos

O reino de Azuria é rico e próspero, contudo uma força da natureza vem ganhando espaço e consumindo Monsties e tudo o que toca. Apesar de Azuria ter sido pouco afetado, Vermeil, o reino vizinho, não teve a mesma sorte. Boa parte de seu território foi cristalizado pelo fenômeno da crostalização, e o reino se viu obrigado a entrar em conflito com Azuria.

O fenômeno continua avançando, deixando seus habitantes com poucos recursos. Além disso, monstros afetados pelos cristais ficam enfurecidos e passam a atacar e invadir territórios humanos, trazendo ainda mais desgraças. Sem encontrar uma forma de acabar com o fenômeno, Vermeil decide atacar e conquistar Azuria, quebrando um pacto que existia há anos.

Em uma reunião, Eleanor, irmã da rainha de Vermeil, decide ficar como refém para tentar impedir uma guerra. Seu pai (protagonista), Arken, o rei de Azuria, decide confiar em você para fazer o que for preciso para proteger o reino e evitar o conflito. Eleanor, princesa de Vermeil, também não concorda com os meios que sua irmã está utilizando, contudo entende o desespero de ver seu povo padecendo. Os dois decidem unir forças para ajudar os reinos e partem em uma aventura em busca de respostas para acabar com o conflito.

A caminhada é cheia de reviravoltas, conflitos políticos, tragédias e uma boa história de amizade e gentileza, tudo apresentado de forma bastante madura. Apesar de o jogo apostar em uma identidade visual com cell shading, ele consegue transmitir uma narrativa séria e convincente. Stories 3 faz você se importar com os personagens, algo que seus antecessores não fizeram tão bem. Aqui também encontramos missões secundárias e missões chamadas de arcos, que contam histórias envolvendo seus amigos, expandindo a lore do jogo e desenvolvendo ainda mais os personagens. Entre as atividades estão buscar Poogies perdidos, minerar cavernas, encontrar monstros raros e muito mais.

Monstros e mais monstros

Uma das principais dúvidas entre os fãs é quais Monsties estarão disponíveis nesta sequência, e posso dizer que há uma grande variedade — com certeza algo que agradará aos jogadores. A Capcom também trouxe de volta uma mecânica que havia se perdido: as subespécies de Monsties, agora com diferentes elementos.

Isso foi implementado de forma bastante inteligente. Através da restauração do ecossistema, podemos avançar e encontrar ovos de criaturas há muito extintas. Quando encontramos Monsties invasores, precisamos fazê-los recuar para que retornem ao local do ninho onde escondem seus ovos. Ao resgatá-los, podemos cuidar deles, chocá-los e recolocá-los no ecossistema, trazendo novos Monsties para aquele território.

Mas não para por aí. Com a nova espécie aparecendo, podemos enfrentá-la novamente e fazê-la recuar para encontrar mais ovos e povoar ainda mais o local. Através de um sistema simples de entender, repetimos esse processo até atingir o rank S. Nesse nível, os ovos encontrados passam a ter chances de gerar Monsties mais poderosos e com técnicas de rank S.

Para diversificar as subespécies, por exemplo, um Velocidrome com elemento fogo e coloração avermelhada pode surgir em territórios correspondentes a esse elemento, permitindo que o jogador personalize seu time da forma que desejar.

A mecânica dos genes também está de volta. Assim que o ritual do legado é liberado durante a campanha, torna-se possível transferir genes entre Monsties. A grande melhoria é que o Monstie que cede o gene não é perdido. Também existe agora uma forma de buscar genes específicos entre seus Monsties, facilitando encontrar habilidades desejadas. Em outra tela, é possível reorganizar os genes para montar o famoso sistema de bingo e garantir bônus adicionais.

A beleza de uma terra arrasada pelos cristais

Twisted Reflection traz territórios muito bonitos, com cenários e ecossistemas incríveis que incentivam a exploração de cada canto do mapa. Cidades, florestas, desertos, cachoeiras e rios compõem ambientes vivos, repletos de Monsties e outras criaturas que formam a fauna e flora local.

Explorar esses ambientes pode render encontros com Monsties poderosos que você certamente desejará adicionar à sua equipe. Alguns eventos especiais também podem ocorrer, como a aparição de dragões anciões durante a noite após certas batalhas, deixando itens valiosos para criação de armaduras e armas poderosas.

O jogo roda em torno de 30 fps. Não tenho equipamentos para medições exatas, mas principalmente no modo portátil há quedas perceptíveis de desempenho, especialmente dentro do reino de Azuria. O HDR funciona muito bem, com cores vibrantes e cenários muito bonitos. Não tenho do que reclamar em relação ao visual e à direção de arte criativa.

Apesar de o mundo não ser totalmente aberto, ele apresenta áreas amplas e bem equilibradas. As animações, expressões e movimentações dos personagens estão muito bem aplicadas, tornando a experiência mais imersiva. Como mencionei antes, você realmente se importa com os personagens, e isso tem muito valor para mim. O game conta com legenda em nosso idioma e muito bem adaptado com frases como: “Nada de feijoada! Pururuca também não! Ninguém toca no meu suíno”, frase essa tirada em uma das missões do arco da personagem Thea. Espere por diversas conversas neste nível.

Batalhas mortais e repetitivas

O cerne de todo RPG se baseia em três pilares: história, exploração e batalhas. Nos dois primeiros quesitos, o jogo se destaca com excelência. Contudo, o sistema de batalhas não segue exatamente o mesmo nível.

Isso não significa que as batalhas sejam ruins. O sistema segue a base presente desde o primeiro jogo. Aqui lutamos ao lado de nosso Monstie, além de um companheiro patrulheiro e seu próprio Monstie. As batalhas são por turnos e seguem um sistema semelhante a pedra, papel etesoura — utilizando força, velocidade e técnica, cada uma com vantagens e desvantagens.

Cada Monstie possui seu próprio comportamento. Por exemplo, Tobi-Kadachi tende a usar velocidade, mas quando fica enfurecido passa a atacar com força. Isso se aplica aos demais monstros do jogo. Cada criatura possui também um elemento principal, embora algumas subespécies possam apresentar variações elementais, algo perceptível pela coloração e habilidades.

O jogo conta ainda com uma monstropédia, que coleta informações à medida que você enfrenta os monstros, sendo sempre útil consultá-la.

Durante as batalhas também acumulamos energia de afinidade. Quando ela está cheia, podemos montar em nosso Monstie, aumentando nosso poder e liberando uma técnica especial. O ideal é aguardar até o nível máximo de afinidade para liberar a habilidade com potência máxima. Seu parceiro também pode fazer o mesmo e, em Stories 3, é possível ativar você mesmo as finalizações conjuntas com animações bem elaboradas que causam dano massivo.

Mas, nem tudo são flores. As batalhas podem ser demoradas, e como enfrentamos muitos Monsties ao longo da campanha, isso acaba tornando o processo repetitivo e cansativo. A Capcom parece ter percebido isso e implementou um sistema de término rápido: se você estiver muito mais forte que o inimigo e já tiver enfrentado aquela espécie antes, basta pressionar L + R para encerrar a batalha imediatamente, recebendo experiência e itens.

Ainda assim, não considero essa a melhor solução. Uma reformulação no sistema de batalhas, tornando os combates mais dinâmicos e curtos, talvez seja a melhor saída para o futuro da série.

Também senti falta de um calendário de eventos como aconteceu em Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin, que trouxe eventos online multiplayer e novas espécies de Monsties. Isso aumentou bastante a longevidade do jogo. Até o momento, não há informações sobre algo semelhante em Stories 3, e também não encontrei nenhum recurso multiplayer no jogo, infelizmente.

Batalhas, monstros e muita originalidade

Monster Hunter Stories vem evoluindo a cada jogo lançado, e isso me anima demais. A franquia acabou se tornando uma das minhas favoritas, superando até mesmo a linha principal na minha opinião. Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection é um jogo altamente qualificado — diria mais, um grande concorrente ao jogo do ano. Com belos visuais, cenários ricos e criativos, monstros diversos e personalizáveis, além de uma história madura e bem escrita, o jogo também apresenta NPCs bem desenvolvidos e carismáticos. Rudy que o diga: o felino quase me arrancou lágrimas.

O sistema de desenvolvimento de Monsties traz surpresas agradáveis, embora ainda precise de uma renovação no sistema de batalhas. Também senti falta do multiplayer com eventos para derrotar monstros poderosos ao lado de outros jogadores, algo que trouxe muito mais longevidade ao título anterior. Talvez isso apareça em uma atualização futura? Porém, o que posso analisar é o que está em minhas mãos agora, e esse é um ponto negativo. Ainda assim, Stories 3 representa a evolução da franquia e entrega um Monster Hunter de altíssimo nível.

Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection mostra que a série encontrou sua identidade definitiva e entrega a melhor aventura da franquia até agora.

Prós

  • História madura e envolvente;
  • Grande variedade e personalização de Monsties;
  • Cenários bonitos e ótima direção de arte;
  • Legendado em nosso idioma com boa adaptação;
  • Personagens carismáticos.

Contras

  • Sistema de batalhas pode se tornar repetitivo;
  • Combates longos durante a campanha;
  • Ausência de multiplayer e eventos online.
Monster Hunter Stories 3: Twisted Reflection — Switch 2/PC/XBX/PS5 — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Vitor Tibério
Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom Brasil
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Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
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