Análise: Shadow Tactics: Blades of the Shogun – A Arte da Guerra em tempo real

Entre ninjas e samurais, o título entrega desafio estratégico sólido, mas tropeça na adaptação ao console.

em 16/03/2026

Lançado originalmente em 2016, Shadow Tactics: Blades of the Shogun chega ao Nintendo Switch 2 dez anos depois. O jogo de tática do estúdio Mimimi Games nos leva de volta ao Japão feudal, no período Edo, uma era de poderosos samurais e ninjas assassinos, ambientação que, particularmente, gosto bastante.


O título segue o estilo RTS. Apesar de ser estratégico, não funciona por turnos como em Fire Emblem; aqui, tudo acontece em tempo real. Isso significa que as estratégias precisam ser muito bem planejadas e executadas em conjunto para que você não acabe falhando na missão.

Vou explicar tudo na análise a seguir, então chega de “mimimi” (espero que tenham entendido o trocadilho) e vamos lá!

Cinco especialistas, cinco estilos de jogo

A história do jogo é relativamente simples, mas bastante interessante para quem gosta de intrigas políticas. Iniciamos a jornada na pele do ninja Hayato, com a missão de abrir os portões de um castelo para que as forças do Xogum invadam e ponham fim a uma guerra civil.

Alguns anos depois, surge um novo e misterioso antagonista que deseja derrubar o Xogum: Kage-sama. A partir daí, somos encarregados de localizar Kage-sama e impedir sua conspiração.

Um ponto importante para entender bem a narrativa é que o jogo conta com legendas totalmente em português. Já as dublagens estão disponíveis em inglês e japonês, permitindo que o jogador escolha a experiência sonora que mais combina com a ambientação e com sua preferência pessoal.

No jogo, somos apresentados a cinco personagens que vão nos ajudar nessa missão. O primeiro é Hayato, o ninja e o mais versátil do grupo. Sua shuriken elimina inimigos à distância e pode ser recuperada para reutilização. Ele também pode arremessar pedras para distrair vigias e consegue escalar telhados, eliminar inimigos saltando sobre eles, andar em cercas e cordas, além de nadar.

Mugen, o poderoso samurai, é o mais forte do grupo e o único capaz de enfrentar samurais inimigos em combate direto. Sua habilidade Vento da Espada elimina vários inimigos de uma só vez. Ele carrega uma garrafa de saquê que pode atrair soldados comuns. Mugen é o único que consegue carregar dois corpos enquanto corre; porém, devido à sua pesada armadura, não pode nadar, andar em cordas ou escalar vegetação.

Takuma, o sábio e idoso atirador, domina armas de fogo com maestria. Seu rifle tem grande alcance e elimina inimigos instantaneamente. Ele também pode lançar uma granada capaz de derrotar todos dentro da área de explosão. Além disso, conta com a ajuda de seu mascote, o tanuki Kuma, que pode distrair oponentes. Devido à sua perna de pau, Takuma tem limitações de mobilidade e não pode carregar corpos, nadar ou escalar vegetação.

Yuki, a jovem ladra, é a mais ágil da equipe. Ela pode preparar pequenas armadilhas que eliminam inimigos ao serem acionadas, habilidade que combina com sua capacidade de atrair vigias ao imitar o canto de um pássaro com seu assobio. Seu porte pequeno a torna extremamente leve e rápida, mas dificulta carregar corpos.

E, por último, mas não menos importante: Aiko, a kunoichi, especializada em disfarces, espionagem e ataques furtivos corpo a corpo. Focada e objetiva, mas também sensível, ela carrega um passado sombrio, que descobrimos mais sobre no DLC que carrega o nome dela. Aiko pode se disfarçar, passando despercebida por soldados comuns. Ela também é capaz de lançar uma nuvem de rapé nos oponentes, diminuindo temporariamente o campo de visão deles.

Furtividade em tempo real e combinações inteligentes

Como cada personagem possui habilidades diferentes, é justamente isso que torna o jogo divertido. Em diversas partes da campanha, será necessário utilizar mais de um integrante da equipe para concluir os objetivos.

Durante a jogatina, é essencial combinar as habilidades deles para não ser visto e conseguir avançar despercebido. O próprio jogo oferece a função Sombra, que permite agendar ações para que os personagens as executem simultaneamente. Usei bastante esse recurso para eliminar mais de um guarda ao mesmo tempo, já que, se você derrota um inimigo enquanto outro está dentro do campo de visão, ele dará o alerta e chamará reforços, revelando sua localização.

O calcanhar de Aquiles no console

Há um ponto que acaba atrapalhando bastante a gameplay: a movimentação da câmera. O jogo possui mapas em 3D, ou seja, é possível girar a câmera para ajustar a visão, já que ela não é totalmente de cima, mas levemente inclinada. Por isso, precisamos rotacioná-la constantemente para enxergar melhor os esconderijos ou localizar todos os guardas no cenário.

Não sei como é jogar no computador, mas dá a impressão de que o jogo foi bastante pensado para essa plataforma. No Switch, a movimentação da câmera não ficou tão confortável. Talvez com o uso do mouse essa função funcione de forma mais precisa, mas, no console, isso acabou me atrapalhando bastante no início, levando um tempo até me acostumar, o que acabou atrasando um pouco o gameplay.

Falando em mouse, o Switch 2 conta com o modo mouse, e o jogo é compatível com ele. Ao ativar essa opção, toda a interface muda e fica bem semelhante à versão de PC, o que achei bastante interessante. Ainda assim, como aconteceu com a câmera, não consegui me adaptar totalmente a esse modo no Switch. Os botões do controle acabam confundindo quando ele está virado para baixo, o que também prejudica a jogatina. No fim, preferi jogar no modo padrão mesmo.

Outro detalhe do gameplay que me incomodou acontece quando um inimigo detecta o jogador. Assim que somos vistos, o campo de visão do guarda muda para amarelo e, em seguida, para vermelho. Quando atinge o vermelho, eles começam a atacar e a chamar reforços.

O problema está no momento da fuga. Quando tentamos correr após sermos detectados, o nosso personagem entra em câmera lenta, o que dificulta bastante conseguir se esconder novamente enquanto os guardas continuam se movendo normalmente.

Eu até entendo que isso seja um mecanismo de balanceamento, para que o jogo não se torne fácil demais, afinal, estamos falando de um título focado em estratégia e furtividade. Ainda assim, foi algo que acabou me irritando em alguns momentos do gameplay.

Mapas amplos e liberdade estratégica

Um ponto que gostei bastante no jogo são as missões. A campanha é dividida como se fossem capítulos, e cada uma leva em média de 1h30 a 2 horas para ser concluída. Os mapas são amplos e oferecem diversos caminhos diferentes para alcançar o objetivo, o que incentiva a criatividade e a experimentação nas estratégias.

Os cenários também são extremamente bonitos. As construções no estilo do Japão feudal e os castelos são muito bem detalhados, com uma modelagem de cenário realmente caprichada. Visualmente, o jogo entrega uma ambientação muito competente e imersiva.

Minha única ressalva em relação às missões é que, para concluí-las, precisamos levar todos os personagens de volta ao ponto inicial do mapa. Ou seja, você atravessa todo o cenário para cumprir o objetivo e depois precisa retornar praticamente ao mesmo lugar onde começou. Não chega a atrapalhar a experiência, mas é uma exigência que achei um pouco desnecessária.

Uma expansão focada na história de Aiko

Junto do jogo base, também foi disponibilizado o DLC Shadow Tactics: Blades of the Shogun – Aiko’s Choice. Nele, podemos explorar um pouco mais do passado da kunoichi Aiko, com três novas missões principais e três pequenos interlúdios.

A jogabilidade é praticamente a mesma do jogo base, com os mesmos personagens e mecânicas já conhecidas. A principal diferença está no tamanho das fases: as missões do DLC são maiores, levando cerca de 3 a 4 horas para serem concluídas. Já os interlúdios são mais curtos e simples, funcionando quase como um respiro entre os desafios mais longos.

Vale destacar que Aiko’s Choice é uma expansão independente, ou seja, não é necessário possuir o jogo base para jogá-lo. Ainda assim, meu conselho é jogar ao menos metade da campanha principal antes de partir para o DLC. Primeiro, porque é no jogo base que as mecânicas são ensinadas e bem desenvolvidas. Segundo, pelo fator narrativo: é durante a campanha principal que criamos vínculo com os personagens, passamos a gostar deles e nos interessar por suas histórias. Começar diretamente pelo DLC pode tornar a experiência um pouco desconexa.

Uma boa experiência tática com ressalvas Técnicas

Shadow Tactics: Blades of the Shogun é um bom jogo tático. A proposta é muito bem executada, especialmente no que diz respeito à combinação de habilidades dos personagens e à liberdade estratégica oferecida nas missões. Porém, como mencionei anteriormente, os problemas com a câmera acabam atrapalhando bastante a experiência e pesando negativamente.

Já o DLC não traz grandes mudanças em relação ao jogo principal. Ele aprofunda a história de uma das personagens centrais, o que é interessante, mas pode deixar a sensação de falta de novidades.

Ainda assim, a ideia central do jogo é muito bem aplicada e funciona como uma ótima porta de entrada para quem nunca jogou um título tático no estilo RTS, oferecendo um desafio estratégico consistente e recompensador.

Prós

  • Ótima combinação estratégica entre os integrantes da equipe;
  • Estratégia em tempo real bem aplicada e desafiadora;
  • Mapas amplos com múltiplos caminhos e liberdade de abordagem;
  • Jogo inteiramente em português;
  • Cenários detalhados e visualmente caprichados.

Contras

  • Movimentação de câmera pouco confortável;
  • Modo mouse no Switch pouco intuitivo, os controles podem confundir;
  • Câmera lenta ao ser detectado pode gerar frustração;
  • DLC traz poucas novidades.
Shadow Tactics: Blades of the Shogun — Switch 2/PS4/PS5/XONE/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela Mimimi Games

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Renzo Raizer
Um entusiasta do universo Nintendo, com especial interesse pelas franquias Pokémon, Mario e The Legend of Zelda. No Nintendo Blast, compartilha notícias, análises, opiniões e curiosidades com um olhar dedicado ao público nintendista, sempre buscando unir informação e paixão pelo mundo dos games.
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