Análise: Tales of Berseria Remastered é um JRPG intenso que vai além dos clichês

Com história madura e localização em português, o JRPG retorna fortalecido, apesar de tropeços no combate.

em 10/03/2026

A série “Tales of” é uma das franquias de JRPG mais tradicionais do Japão, bastante conhecida e consolidada por lá ao longo das décadas. Entre seus títulos de destaque está Tales of Berseria, lançado originalmente em 2016 no Japão e em 2017 no Ocidente.


Agora, cerca de dez anos depois, o jogo recebe seu remaster e chega pela primeira vez ao Nintendo Switch. A iniciativa faz parte de um movimento da Bandai Namco para levar mais títulos da franquia aos consoles da Nintendo. Além disso, o relançamento também integra as comemorações de 30 anos da série, celebrando o legado de uma das marcas mais importantes do gênero JRPG.

Quando a vingança move a história

A história de Tales of Berseria me conquistou logo de início justamente por fugir do clichê tradicional do “grupo de heróis que precisa salvar o mundo”. Aqui, a narrativa é mais sombria, pessoal e movida por vingança, o que já muda completamente o tom da jornada.

Assumimos o papel de Velvet Crowe, que vive uma tragédia devastadora. Sua irmã mais velha e o bebê que ela esperava morreram por causa de uma praga demoníaca que assola a terra de Midgand. Os sobreviventes da família foram seu cunhado, Artorius, e seu irmão mais novo, Laphicet, com quem Velvet tenta reconstruir a vida em um vilarejo afastado.


Anos depois, a praga continua se espalhando, transformando pessoas em demônios que perdem sua humanidade e atacam qualquer um que encontram. Artorius atua como exorcista, combatendo essa ameaça. Após um novo ataque demoníaco, ele salva Velvet e Laphicet, mas, enquanto ela está desacordada, utiliza o próprio garoto como sacrifício em um ritual para erradicar a praga ao custo da vida dele.

Indignada, Velvet tenta impedir o ritual, mas acaba interferindo no processo e se transforma em um Therion, uma entidade metade humana, metade demônio. Mesmo assim, não consegue salvar o irmão. Artorius então a aprisiona por três anos. Quando finalmente consegue escapar, ela descobre que, durante esse período, ele fundou uma poderosa organização de exorcistas e passou a ser visto como o grande herói do mundo. Movida por ódio e desejo de vingança, Velvet inicia sua jornada e é aí que começa, de fato, a nossa aventura.


Um dos grandes acertos dessa nova versão é a localização completa em português. A edição original não contava com o nosso idioma, e agora, com o remaster, é possível acompanhar toda a história com legendas em português, o que deixa a experiência muito mais acessível e envolvente.

Além disso, as cutscenes foram produzidas pelo renomado estúdio Ufotable, o mesmo responsável pelo aclamado anime Demon Slayer. Isso já dá uma ideia do nível de qualidade apresentado: as cenas são belíssimas, com direção cinematográfica e animações que elevam ainda mais o impacto emocional da narrativa.

Laços, conflitos e pequenas falhas na localização

Durante a narrativa de Tales of Berseria, somos apresentados a diversos personagens que passam a acompanhar Velvet em sua jornada de vingança  e são justamente essas figuras que enriquecem ainda mais a trama. Cada integrante do grupo possui personalidade, motivações e conflitos próprios, e a química entre eles é um dos pontos altos da narrativa. Os inúmeros diálogos opcionais, apresentados em pequenas conversas paralelas, aprofundam o desenvolvimento dos personagens, fortalecem os laços entre o grupo e contribuem significativamente para a imersão no universo do jogo.


O que mais me chamou a atenção foi a qualidade da adaptação para o português. Não estou dizendo que seja ruim, muito pelo contrário: a tradução é boa e cumpre bem o seu papel na maior parte do tempo.

No entanto, senti que algumas piadas não foram totalmente adaptadas para o nosso contexto. Elas foram traduzidas de forma mais literal, o que acaba tirando parte do humor quando lemos em português. Além disso, encontrei uma situação específica em que personagens figurantes estavam conversando e não havia legendas exibidas na tela. Pode ser algo pontual, mas foi um detalhe que me incomodou.

Combate ambicioso que tropeça na complexidade

O sistema de combate do jogo parece um pouco confuso. O combate permite equipar até quatro habilidades nos botões de ação para formar combos. Também podemos alternar entre os personagens durante as lutas, o que deixa a jogabilidade mais dinâmica e oferece mais variedade ao combate, já que cada um possui habilidades únicas, combos e magias próprias.

Mas o problema mesmo começa no “Medidor de Alma”. O jogador tem “Almas”, que indicam a quantidade de ações disponíveis no combate. Caso você as esgote, os golpes são interrompidos ou se tornam ineficazes. Para as repor, é preciso executar combos corretamente e também desviar de ataques. O resultado é um sistema que tenta ser complexo, mas acaba se tornando confuso e repetitivo.

Novidades muito bem-vindas

A novidade da remasterização é a inclusão da Loja de Grau desde o início do jogo, algo que antes só era acessível após terminar a campanha. Agora é possível ajustar o ganho de experiência, o tamanho do inventário e outras opções logo no começo, o que pode facilitar o jogo para aqueles que nunca jogaram jogos dessa série antes.

Outra novidade é a inclusão da possibilidade de desabilitar encontros com inimigos, o aumento de 20% na velocidade de movimento dos personagens e um indicador no minimapa mostrando o objetivo principal. Todos os DLCs lançados anteriormente também estão incluídos no pacote.


Já para aqueles que gostam de saber sobre a performance do jogo, a remasterização trouxe melhorias na resolução e nas texturas. A trilha sonora também apresenta qualidade superior em relação ao jogo original. No Nintendo Switch, o jogo roda a 1080p no modo dock e a 720p no modo portátil. Em ambos os casos, a taxa de quadros é de 30 FPS.

Um Retorno Que Celebra 30 Anos de Jornada

Tales of Berseria tem uma ótima narrativa, que envolve o jogador durante toda a jogatina. Além disso, a remasterização traz melhorias gráficas e roda perfeitamente bem no Nintendo Switch. Para quem nunca jogou nenhum título da série, este é uma ótima porta de entrada, principalmente por estar totalmente em português. Apesar dos problemas no combate, o jogo ainda garante a diversão que se espera de um bom JRPG.

Prós

  • A história foge do óbvio ao focar em um enredo de vingança mais sombrio e maduro, o que prende a atenção logo de cara;
  • A chegada das legendas em português torna a trama muito mais acessível para nós;
  • O elenco de personagens é carismático e as conversas paralelas ajudam a criar um laço real entre o jogador e o grupo;
  • As melhorias de qualidade de vida, como a Loja de Grau liberada cedo, deixam o jogo bem mais moderno.

Contras

  • O sistema de "Alma" no combate acaba sendo confuso e repetitivo, o que pode frustrar quem prefere algo mais direto;
  • Algumas piadas da tradução ficaram literais demais, perdendo a graça ou o sentido que teriam no nosso contexto brasileiro.
Tales of Berseria Remastered — Switch/PC/PS5/XSX — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Cristiane Amarante
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco

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Renzo Raizer
Um entusiasta do universo Nintendo, com especial interesse pelas franquias Pokémon, Mario e The Legend of Zelda. No Nintendo Blast, compartilha notícias, análises, opiniões e curiosidades com um olhar dedicado ao público nintendista, sempre buscando unir informação e paixão pelo mundo dos games.
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