Análise: Planet of Lana II: Children of the Leaf expande seu universo em uma aventura surpreendente

Lana e Mui continuam a se aventurar em um mundo de constantes descobertas.

em 18/03/2026
Em 2023, Planet of Lana chegou como mais um jogo indie aos moldes de títulos como Inside, juntando jogabilidade de plataforma cinematográfica com quebra-cabeças em um mundo misterioso com criaturas singulares. Planet of Lana II: Children of the Leaf continua nessa fórmula, mas como uma sequência que foca na expansão do próprio universo e no refinamento das mecânicas do título anterior. E isso o jogo faz muito bem.


O amadurecimento de Lana

Para quem não jogou o primeiro título, não tem problema. O segundo jogo abre com um resumo dos eventos, incluindo uma breve explicação. Esse será o único momento legendado, já que a proposta é que o jogador interprete as falas do idioma fictício desse universo apenas pelos gestos dos personagens e acontecimentos em cena.

Parte dessa introdução serve também para mostrar Lana como uma garota mais madura, ou mais confiante para ser exato, sabendo do que ela e Mui, sua criaturinha companheira, são capazes.

Logo no primeiro cenário em que o jogo te passa o tutorial, o jogador não só resolve seus primeiros quebra-cabeças de travessia como também já precisa lidar com algumas criaturas que tentam atacar Lana e Mui, mais uma vez mostrando como a protagonista já está acostumada com aquele nível de perigo.

E é nesse “conforto” de um mundo em que ela está acostumada a lidar que o jogo faz sua reviravolta. Lana vê outras pessoas investigando a área próxima de sua vila em busca de um minério estranho que acaba envenenando sua amiga Anua. A partir disso, começa a busca por ingredientes especiais capazes de curar a garotinha.

Aventuras grandiosas com consequências maiores

A saga de Lana também se concentra em dar uma cara mais grandiosa para a aventura dela. Mesmo partindo de um conceito simples que é ajudar uma criança em perigo, o jogo ainda faz um ótimo trabalho em transformar essa jornada de Lana e Mui a cada novo local visitado.

Parte dessa grandiosidade também está em mostrar as consequências dos atos de Lana. Agora que ela é responsável por uma vida além dela própria, todos os erros e acertos da personagem têm mais peso.

Além disso, o acesso a novos lugares também ajuda a variar um pouco mais os biomas do segundo jogo em comparação ao primeiro. Florestas, cenários urbanos, montanhas geladas, ruínas de civilizações esquecidas e, como principal destaque nesse game, cenários subaquáticos.

Os quebra-cabeças de cada local parecem mais integrados com o que o ambiente apresenta, desde objetos que servem como apoio ou ferramentas até criaturas misteriosas que podem ajudar a protagonista a chegar ao seu destino.

Essas criaturas são, em alguns momentos, o recurso principal da solução do quebra-cabeça, como o peixe que ataca tinta para cegar predadores e até uma bolinha de cinzas que deixa rastros de um tipo de pólvora que gruda no chão e pode queimar obstáculos.

Quebra-cabeças mais complexos, sem serem chatos

Um dos pontos principais que os desenvolvedores comentavam sobre a sequência era que eles queriam quebra-cabeças mais desafiadores, porém sem perder o nível de acessibilidade que tinham atingido no primeiro jogo.

A forma de fazer isso acontecer foi dar a esses quebra-cabeças algumas etapas a mais, em vez de continuar em sessões curtas que só fossem mais difíceis e que poderiam travar o progresso.

No fim, achei todos os desafios do segundo jogo mais interessantes do que o primeiro. Cenários como os quebra-cabeças debaixo d’água são mais verticais, enquanto outros locais continuam em uma progressão lateral, mas quase todos sempre exigem participação da dupla de protagonistas constantemente.

Isso age em benefício dos próprios personagens, especialmente da Mui. No primeiro jogo, a participação dela era quase limitada a servir de isca para robôs e criaturas ou então alcançar um botão ou uma porta. No segundo, ela pode interagir com mecanismos mais complexos com seu poder de energizar, além de ajudar Lana a controlar criaturas ou desligar robôs para serem hackeados.

Esses novos elementos de jogabilidade me fizeram ficar mais apegado à Mui, visto que agora não é ajudar ela a chegar do ponto A ao B junto com a Lana só porque o jogo exige isso. Durante vários momentos estava pensando: “como faço as duas personagens cooperarem nesse cenário para chegarem no próximo? Porque eu não posso ficar sem a Mui”.

Ainda assim, o jogo acaba deixando a desejar em certos pontos. Nos quebra-cabeças, o principal é a câmera. Às vezes ela fica tão próxima da Lana que é impossível ver todo o cenário e planejar as ações, o que complica especialmente em lugares onde Lana precisa estar de um lado e Mui do outro para que tudo funcione. O jogo até deixa um ícone indicando o que Mui está fazendo na tela, mas não é tão bom como seria expandir a câmera nesses locais mais abertos.

Outro ponto negativo é o quanto o jogo exige perfeição em plataforma nos trechos de fuga. Esses momentos são bem pontuais, em que Lana precisa fugir de um inimigo invencível ao melhor estilo Ori and the Blind Forest.

Porém, como esse jogo é um plataforma cinematográfico, cada movimento importa muito: basta um tropeço da personagem para ela perder velocidade e ser pega. O lado bom é que os checkpoints são sempre bem próximos; ainda assim tiveram momentos que eu só passei quando fiz saltos e corridas perfeitamente calculados.

Um universo em expansão

Planet of Lana II: Children of the Leaf faz um trabalho excelente em expandir seu universo através de uma narrativa encantadora que te faz querer mais aventuras. Às vezes essa história acaba focando demais na dupla de protagonistas a ponto de tornar outros personagens irrelevantes muito rápido, mas ainda existem reviravoltas e descobertas que fazem a jornada valer a pena.

Os quebra-cabeças são bem mais interessantes e conseguem ser mais complexos sem serem longos demais ou muito exigentes. Eles se integram melhor ao ambiente, tanto visualmente quanto mecanicamente, melhorando a experiência de explorar um planeta que tanto o jogador quanto a protagonista ainda não conhecem por completo.

Prós

  • Quebra-cabeças complexos sem travar demais o progresso do jogador;
  • História com reviravoltas interessantes que te fazem querer descobrir mais sobre esse universo;
  • Maior participação de Mui na jogabilidade.

Contras

  • Alguns trechos de fuga exigem timing quase perfeito do jogador;
  • A proximidade da câmera às vezes atrapalha a ver todo o quebra-cabeça e planejar suas ações;
  • Certos personagens se tornam irrelevantes muito rápido.
Planet of Lana II: Children of the Leaf — Switch/Switch 2/PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise feita com cópia digital cedida pela Thunderful
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Lucas Henrique
Redator e tradutor, sempre planejando escrever sobre algo (mesmo que seja só um rascunho). Acima disso, apenas a paixão por videogames e as várias formas que essa mídia conta histórias.
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