Em fevereiro de 1996, foram lançados oficialmente no Japão os jogos que mudariam a história dos videogames e a história de muitos de nós como eternos treinadores Pokémon. Com Pokémon Red e Pokémon Green, a Game Freak apresentou ao mundo uma ideia simples e genial, capturar criaturas, treiná-las e trocá-las com amigos. O jogo nasceu da imaginação de Satoshi Tajiri, inspirado por sua infância colecionando insetos para se tornar uma das marcas mais populares e valiosas da história.
Três décadas depois, Pokémon se consolidou como um fenômeno cultural global que atravessa gerações. Jogos, anime, filmes, cartas e aplicativos ajudaram a povoar a memória coletiva entre fãs que cresceram acompanhando os monstrinhos de bolso.
Ao longo dessa trajetória, alguns momentos se tornaram verdadeiros marcos, episódios que emocionaram, surpreenderam ou simplesmente uniram milhões de jogadores e espectadores ao redor do mundo. Então aqui vão alguns dos momentos que marcaram a história da nossa amada franquia.
O começo de tudo
Quando Pokémon Red e Pokémon Green chegaram ao Game Boy, ninguém imaginava que aquele RPG portátil se tornaria a franquia mais lucrativa da história do entretenimento. E esses pequenos jogos já chegavam revolucionando com a necessidade de completar a Pokédex trocando criaturas com amigos, usando o clássico cabo link, transformou a experiência em algo social, pouco comum para a época.
O sucesso japonês rapidamente atravessou fronteiras, algo que também não era tão comum, visto que muitos RPG japoneses da época ficavam restritos ao solo oriental. Quando os jogos chegaram ao Ocidente como Pokémon Red e Pokémon Blue, a febre logo se instalou, impulsionada também pelo anime em 1998, mesmo ano do lançamento dos jogos em solo norte-americano.
Quando o anime transformou Pokémon em fenômeno
A estreia do anime Pokémon em 1997 (1998 no Ocidente) ampliou o universo da franquia e ajudou a criar personagens que se tornariam icônicos. Foi ali que o público conheceu Ash Ketchum (cujo nome em japonês é Satoshi), um treinador teimoso e determinado, acompanhado por seu parceiro elétrico, Pikachu.
O anime apresentou versões de diversos personagens importantes dos jogos, Líderes de Ginásio como Brock e Misty se tornaram companheiros que acompanhariamos por anos, membros de elite, campeões, torneios e vilões, e mais importante, deu personalidade e carisma para todos os monstrinhos que apareciam em cena.
Entre os momentos inesquecíveis apresentados pelo anime está a batalha contra Lt. Surge, em que Pikachu derrota um poderoso Raichu sem evoluir. A vitória consolidou Pikachu como o símbolo definitivo da franquia e ajudou a moldar a identidade da série para milhões de espectadores.
A despedida que fez uma geração chorar
Nem todos os momentos marcantes de Pokémon vieram de grandes batalhas. Um dos episódios mais lembrados pelos fãs é a despedida de Butterfree, quando Ash decide libertar seu companheiro para que ele possa viver com outros da sua espécie.
A cena marcou profundamente quem cresceu acompanhando o anime. Muitos fãs lembram até hoje da sensação de ver um personagem abrir mão de algo importante pelo bem de outro. Foi um momento simples, mas poderoso, que mostrou o potencial do anime para contar grandes histórias, como comprovou várias e várias vezes.
O dia em que Pokémon dobrou de tamanho
Se o primeiro jogo criou a base da franquia, Pokémon Gold e Pokémon Silver elevaram a ambição da série a outro nível. A aventura na região de Johto parecia terminar quando o jogador derrotava a Elite Four, mas o jogo ainda guardava uma surpresa enorme.
Após a primeira grande vitória, a região original de Kanto era desbloqueada. O jogador podia revisitar cidades conhecidas, enfrentar novos líderes de ginásio e explorar novamente o mundo do primeiro jogo.
No topo do Mt. Silver aguardava Red (também chamado de Satoshi no Japão), protagonista silencioso dos jogos originais, em uma batalha que se tornaria lendária e debatida até hoje pelos fãs.
Lendas e mistérios que só cresciam
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| Mew, o primeiro mistério e maior mito dos jogos |
Nos primeiros anos da franquia, a internet ainda era limitada e grande parte das descobertas sobre os jogos circulava em forma de boatos. Em Pokémon Red/Blue, rumores sobre Pokémon secretos se espalhavam entre crianças e adolescentes.
O mais famoso deles envolvia Mew, um Pokémon misterioso que muitos acreditavam ser impossível de encontrar. Histórias sobre glitches e segredos escondidos, incluindo o famoso caminhão perto do navio S.S. Anne, alimentaram a imaginação coletiva. Verdade ou não, essas histórias ajudaram a construir o folclore da franquia.
Mewtwo contra ataca
No final dos anos 1990, Pokémon também chegou aos cinemas com Pokémon: The First Movie. A história centrada em Mewtwo apresentou um tom surpreendentemente dramático para uma produção voltada ao público jovem.
Um dos momentos mais lembrados acontece quando Pikachu tenta acordar Ash depois que ele é petrificado durante a batalha entre Pokémon clonados e originais. A cena emocionou plateias inteiras e consolidou o filme como um marco para a geração que cresceu acompanhando a série.
A era Nintendo DS e o nascimento da comunidade online
A chegada do Nintendo DS marcou uma mudança importante na forma como os fãs interagiam com a série. Com Pokémon Diamond e Pokémon Pearl, pela primeira vez foi possível trocar Pokémon através da GTS (Global Trade Station) e batalhar com jogadores de qualquer lugar do mundo pela internet com a Nintendo Wi-Fi Connection.
Esse detalhe transformou completamente a comunidade. Treinadores que antes dependiam de amigos próximos para completar a Pokédex passaram a encontrar parceiros online, e o cenário competitivo começou a ganhar força internacionalmente. Fóruns, rankings e torneios se multiplicaram, criando uma nova camada social para a experiência Pokémon.
A ousadia narrativa da quinta geração
Poucos momentos na história da série demonstraram tanta ousadia quanto Pokémon Black e Pokémon White. Ambientados na região de Unova, os jogos apostaram em uma narrativa mais madura, centrada em debates éticos sobre a relação entre humanos e Pokémon.
O personagem N se destacou como um antagonista diferente de tudo que a franquia havia apresentado até então, alguém que questionava o próprio conceito de capturar e batalhar criaturas. A história trouxe um tom mais reflexivo e maduro para a série, algo raro em jogos tradicionalmente voltados para públicos mais jovens.
Um mundo novo, sem nostalgia imediata
Outra decisão marcante da quinta geração foi a escolha de usar apenas Pokémon inéditos durante boa parte da aventura. Em Pokémon Black/White, os jogadores encontravam exclusivamente criaturas da nova região até que finalizassem a história principal e atingissem o pós-game.
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| Sprite de Glaceon em Black 2/White 2 |
A decisão foi arriscada, tornando-os dois dos títulos mais controversos da franquia até hoje. Para muitos a sensação lembrava os primeiros jogos da série: explorar um mundo totalmente desconhecido, sem depender da familiaridade com criaturas clássicas como Charizard ou Pikachu.
Em Black e White outra novidade havia chamado atenção. Pela primeira vez os sprites dos Pokémon em batalha eram animados, enriquecendo os combates. Os sprites foram ainda mais aprimorados em Black 2 e White 2, sendo os mais bonitos e animados da série e marcando o fim dos sprites que na geração seguinte seriam substituídos por modelos 3D.
A chegada das Megaevoluções
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| Mega Mewtwo Y |
Depois de anos mantendo a fórmula tradicional, a série principal passou por uma mudança significativa com Pokémon X e Pokémon Y. Além de levar a franquia para gráficos totalmente em 3D, os jogos introduziram pela primeira vez as mecânucas geracionais com as Megaevoluções.
Formas especiais de Pokémon clássicos, como Charizard e Lucario, ganharam novos visuais e habilidades temporárias durante as batalhas. A novidade renovou o entusiasmo da comunidade competitiva e trouxe uma nova camada estratégica para os combates.
Quando o mundo saiu para caçar Pokémon
Em 2016, a franquia viveu um de seus momentos mais inesperados com o lançamento de Pokémon GO, desenvolvido pela Niantic.
O jogo realizou o sonho de muitos jogadores de buscarem a aventura como treinadores. Não à toa até hoje, em especial em dias de eventos e reides mais raras, jogadores se reúnem em locais para batalhar e capturar as criaturas juntos, mantendo uma comunidade forte e fiel.
Embora os números de Pokémon GO tenham se estabilizado, o número de jogadores e a receita recorde do título o colocaram como um dos jogos mobile mais lucrativos de todos os tempos, provando mais uma vez o poder da marca Pokémon.
Pokémon GO também se tornou um exemplo de como transportar para o mundo real, dando sequência a uma série de experiências de games que tentaram algum tipo de interação entre mundo digital e o real, mostrando como a série continuava a ditar tendências.
A vitória que levou 25 anos para acontecer
Durante décadas, Ash Ketchum perseguiu o sonho de se tornar um campeão Pokémon. Ele perdeu ligas, chegou perto do título e recomeçou sua jornada inúmeras vezes ao longo do anime.
A consagração veio em 2022, quando Ash derrotou Leon no campeonato mundial do anime. O momento foi marcante tanto pela intensidade do combate quanto pelo fator emocional, com praticamente todos os companheiros e Pokémon do personagem acompanhando sua vitória definitiva e mostrando que o anime não os esqueceu e nem aos fãs de longa data.
Para nós quie acompanhamos a série desde os anos 1990, aquele momento representou o fechamento de uma história que atravessou gerações e fez parte de nossa vida.
A jornada nunca termina
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| O tão aguardado reencontro entre Ash e Butterfree |
Ainda sobre o anime, é impossível deixar passar a crise de propósito de Ash na sua fase final como protagonista. O tema foi bem abordado no decorrer dos episódios finais, que apontavam diretamente para o início da jornada. Ash reencontrou velhos amigos e Pokémon que deixou partir, como Butterfree e Pidgeot.
Com uma conclusão forte e ressignificação do propósito do protagonista, o anime nos dá respostas: um mestre Pokémon não é aquele que vence todas as batalhas. O mestre Pokémon é aquele que nunca para sua jornada e sempre continuará buscando pelas criaturas.
Pokémon é feito para criar memórias e conexões
Poucas franquias conseguem permanecer relevantes por tanto tempo quanto Pokémon. Ao longo de três décadas, a série se reinventou diversas vezes, passando de cartuchos portáteis para experiências globais conectadas pela internet e pela realidade aumentada.
Mas o que realmente sustenta essa longevidade é como a franquia consegue se conectar com os fãs. Seja enfrentando Red no topo de uma montanha, chorando com a despedida de um Pokémon ou correndo pelas ruas atrás de uma criatura rara, cada geração encontrou sua própria forma de viver o mundo Pokémon. E é justamente essa coleção de memórias que mantém Pokémon vivo depois de 30 anos.
E para vocês? Quais os momentos mais marcantes da franquia?
Revisão: Vitor Tibério













