Análise: Scott Pilgrim EX é uma aventura beat ‘em up agradável, apesar de alguns tropeços

Aventura inédita coloca Scott, Ramona e amigos em busca dos membros da banda do protagonista.

em 03/03/2026
Scott Pilgrim retorna aos videogames com um novo título depois de mais de uma década desde o lançamento de Scott Pilgrim vs. The World: The Game. Em Scott Pilgrim EX temos uma história inédita que segue a fórmula beat ‘em up em essência, com um pouco de exploração e desafios extras, mas que acaba continuando a tropeçar em alguns erros do passado.


Resgate sua banda

O jogo começa com Scott e sua banda, Sex Bob-Omb, ensaiando para uma apresentação que farão em breve. Tudo vai bem até que Scott de Metal, o principal antagonista dessa nova história, invade a casa do vocalista Stephen no meio do ensaio e sequestra todos os membros, exceto Pilgrim. E, para complicar ainda mais a vida do protagonista, cada um dos amigos fica preso em um buraco no espaço-tempo, obrigando-o a achar um caminho para resgatá-los.

A história ainda é tratada com leveza e humor característicos da série. A pixel art é um avanço notável em relação ao jogo anterior, destacando mais os personagens e seus trejeitos. Além disso, os ambientes dessa Toronto dividida entre portais dimensionais estão sempre vibrantes e em movimento, seja pelos inimigos na tela ou simplesmente os NPCs vivendo suas vidas enquanto assistem à pancadaria.

Explore um multiverso de referências

Como o jogo se propõe a fazer com que o jogador busque primeiro saber do paradeiro dos membros da banda, ele não funciona como um beat ‘em up de fases comum, como era o antecessor. Agora a cidade tem um pequeno mapa com algumas áreas para explorar. Cada área está, de alguma forma, ligada às três gangues principais do jogo: os Veganos, os Robôs e os Demônios.

A música é uma característica importante não só nessa história, como também para os personagens. Ela se integra ao ambiente com uma trilha de fundo gostosa de ouvir e faz parte da trama com Scott usando instrumentos para poder liberar caminhos no mapa, aprendendo riffs que abrem os portais. Fãs de Ocarina of Time vão reconhecer na hora a excelente referência.

E vai muito além de Zelda. Detalhes de diálogos e visuais no jogo sempre trazem aquele ar nostálgico, lembrando vários clássicos dos videogames. Alguns são mais diretos do que outros, porém está tudo lá para fãs curtirem sem fazer com que quem não entenda as referências deixe de aproveitar o jogo por isso.

Ação simples e direta

Mesmo que Scott Pilgrim EX seja considerado pelos desenvolvedores como um jogo de ação e aventura em vez de um beat ‘em up, as mecânicas dos clássicos jogos de briga de rua continuam ali para definir a jogabilidade.

Essencialmente, trata-se de fazer combos com ataques fracos e fortes, às vezes com ajuda de golpes especiais, tudo bem intuitivo, sem complicações desnecessárias. Ataque várias vezes até que o adversário caia, ou então use algum item no cenário para te ajudar a dar aquela pancada mais forte.

Para dar mais variedade, cada um dos sete personagens jogáveis conta com características distintas não só no estilo de luta, mas em atributos como força, vitalidade, agilidade e força de vontade. Além disso, todos eles podem utilizar especiais de personagens de suporte e equipar diversos itens que permitem dar novas habilidades ou melhorar determinados atributos.

Não é exatamente uma novidade, já que o primeiro jogo também tinha esse aspecto de características individuais, contudo, assim como ele, o novo título não aplicou bem a ideia.

Conforme missões e desafios são concluídos, o jogador recebe itens que vão aumentar algum atributo. No entanto, essa melhoria só se aplica ao personagem que pegou o item. 

Ou seja, nenhum dos outros personagens fica mais forte conforme o jogo progride. Isso acaba virando uma bola de neve, já que pode acontecer de chegar no final e ter personagens claramente melhores que os outros, ou então cada um evoluiu um pouquinho e as fases mais avançadas ficaram muito difíceis porque ninguém está forte o suficiente. 

Joguei dessa segunda forma para tentar aproveitar cada personagem e acabei tendo que fazer um pouco de grinding de moedas para comprar melhorias nas lojas, que, aliás, só revelam o efeito do item depois que ele for comprado, então você ainda pode escolher errado.

Mesmo que eu decidisse ficar apenas com um personagem até o fim, o jogo ainda usa de outras formas não muito boas de fazer a aventura render. Como existe um mapa para explorar, mesmo não sendo grande, algumas vezes somos forçados a fazer um backtracking e reexplorar áreas que já fomos para buscar algum item ou vencer ondas de inimigos. Como a jogabilidade é, no geral, agradável, não fica entediante, até porque o jogo não é longo mesmo com esse vai e vem.

Um jogo voltado para o multiplayer

A maioria dos jogos de ação como esse costuma oferecer uma experiência multiplayer local ou online porque é realmente divertido jogar com mais pessoas. No entanto, nesse caso, parece que certos trechos simplesmente não foram pensados para quem está jogando sozinho.

No geral, é melhor enfrentar inimigos individualmente. Grupos ficam perigosos muito rápido porque as formas de defesa e esquiva não funcionam tão bem, especialmente a esquiva, que é lenta e curta. A movimentação tem um ritmo um pouco estranho, pois os personagens andam bem devagar, mas correm rápido demais e podem fugir do seu controle, sem uma forma de parar que não seja apertando na direção contrária. Porém, é possível se acostumar.

Isso faz com que criar combos e defender bem seja a estratégia principal, mas não é o suficiente para cobrir certas áreas, onde parece que se espera que haja dois, três ou quatro jogadores em tela para dar conta de tudo.

Fica mais evidente ao ver como há personagens que se combinam muito bem, como Scott e Ramona. Ele tem combos focados em golpes que levantam os inimigos, enquanto ela tem golpes pesados que os arremessam para longe. É um levantar para o outro cortar ou então uma sinergia entre os especiais, como no caso de Robô-01 e Gideon.

Ainda dá para encontrar o riff perfeito

Scott Pilgrim EX consegue manter o carisma dos personagens e o estilo bem-humorado de escrita dos quadrinhos do começo ao fim com uma aventura descontraída e agradável. Dá para ver que esse novo jogo aprendeu algumas lições com o predecessor, como deixar todos os combos dos personagens liberados logo de início. Porém, continuam presentes certas mecânicas, como o sistema de progressão individual que já era mal utilizado e continua a ficar no caminho do progresso do jogo e, até certo ponto, da diversão do jogador.

No fim, ainda é um jogo de ação com combate beat ‘em up decente e é melhor aproveitado jogando com amigos.

Prós

  • Personagens com estilos únicos de jogabilidade;
  • Sistema de combate simples e intuitivo;
  • Ótimas referências de videogames;
  • Pixel art fluida que destaca o carisma dos personagens.

Contras

  • Sistema de progressão individual dos personagens tira o incentivo de trocar entre eles durante a campanha;
  • Backtracking de certas partes não agrega muito ao jogo;
  • A movimentação dos personagens é limitada;
  • As lojas não mostram os efeitos dos itens antes de comprá-los pela primeira vez.
Scott Pilgrim EX — Switch/PC/PS4/PS5/XBO/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Switch

Revisão: Alessandra Ribeiro 
Análise feita com cópia digital cedida pela Tribute Games
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Lucas Henrique
Redator e tradutor, sempre planejando escrever sobre algo (mesmo que seja só um rascunho). Acima disso, apenas a paixão por videogames e as várias formas que essa mídia conta histórias.
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