Análise: Marvel MaXimum Collection é um tributo efetivo à gênese da Marvel nos jogos

Coletânea reúne títulos conhecidos por sua ousadia artística e dificuldade punitiva.

O primeiríssimo jogo da Marvel foi Spider-Man para Atari 2600, lançado em 1982. Nessa época, a popularidade dos super-heróis estava em baixa e, pouco depois, mais jogos baseados na galeria da Casa das Ideias seriam lançados. Alguns dos mais populares nessa época foram desenvolvidos pela Konami e ficaram presos nas areias do tempo. Até agora.


Este ano, a Konami e a Limited Run se uniram para trazer estas pérolas antigas de volta em Marvel MaXimum Collection, com diversos suportes e filtros para usar. Venha comigo, vamos dar uma volta no tempo.

Das ruas de Nova York até o fim do universo

A coleção contém seis jogos ao todo, com sete versões alternativas de alguns títulos, totalizando 13 jogos, sendo eles:
  • Silver Surfer (NES): lançado em 1990 e o mais antigo dos jogos da coleção, o Surfista Prateado é enviado por Galactus para enfrentar diversos inimigos nos extremos cantos do universo para, enfim, derrotar alguns dos personagens mais poderosos da Marvel, como Mephisto e Fire Lord;
  • Captain America and The Avengers (NES, Arcade, Sega Genesis): o nefasto Caveira Vermelha juntou um grupo de perigosos vilões para conquistar o mundo e apenas os Vingadores (Capitão América, Homem de Ferro, Visão e Gavião Arqueiro) podem impedir os planos da Hydra;
  • X-Men (Arcade): com designs baseados no projeto piloto animado Pryde of the X-Men, os Filhos do Átomo (Ciclope, Colossus, Tempestade, Cristal, Wolverine e Noturno) precisam impedir Magneto de concretizar mais um de seus planos malignos;
  • Spider-Man and the X-Men in Arcade's Revenge (Sega Genesis, SNES, Game Gear, Game Boy): o Homem-Aranha descobre o crescente rapto de mutantes causado pelo vilão secundário Arcade. Aliando-se com Ciclope, Wolverine, Tempestade e Gambit, o “cabeça de teia” enfrentará desafios mortais criados pelo vilão lunático;
  • Spider-Man and Venom: Maximum Carnage (Sega Genesis, SNES): baseado no icônico arco Carnificina Total, Homem-Aranha e Venom precisam se aliar para impedir o diabólico Carnificina;
  • Venom/Spider-Man: Separation Anxiety (Sega Genesis, SNES): baseado no arco Protetor Letal, Venom e Homem-Aranha precisam mais uma vez se aliar para derrotar não apenas Carnificina, mas as diferentes proles de simbiontes originadas de Venom.

Fichinhas e cartuchos

Tal como a belíssima coletânea Marvel vs. Capcom, a MaXimum Collection conta com diversas adições de aprimoramento para atualizar os jogos. O tempo de carregamento para começar o software é extremamente rápido, e praticamente instantâneo para iniciar os jogos e trocá-los.

Ainda que os jogos estejam completamente em inglês, os menus estão muito bem traduzidos. Além disso, eles têm trapaças como vidas ilimitadas (exceto nas versões arcade, mas como podemos ter fichas infinitas, então se comporta da mesma forma), opções visuais como filtros de televisão antiga e imagens para preencher as laterais. No entanto, as adições mais bem-vindas são o save state e a capacidade de retroceder para corrigir algum erro; esta é crucial para o jogo Silver Surfer, conhecido por sua dificuldade alarmantemente alta até para os padrões do NES.

Como mencionei em análises passadas de outras coleções, é difícil analisar, em questão de qualidade, se os jogos valem a pena ou a coleção faz um bom trabalho no geral. Não vou mentir: boa parte dos jogos são bem arcaicos, mesmo com as adições mencionadas. A inclusão de diferentes versões dos jogos é bem aceita por questões de preservação, mas é fato que as versões portáteis ou de NES não são muito boas, controlando de forma dura e lenta.
Captain America and The Avengers, em especial, sofre bastante com essa lentidão, sendo um dos jogos mais antigos da coletânea, independentemente da versão escolhida. Arcade's Revenge éo jogo com mais versões, mas não impressiona em nenhuma delas e se perde no meio da coleção por ser simplesmente esquecível.

Felizmente, existem reais joias entre os jogos: X-Men e a duologia do Carnificina (especialmente Maximum). Eles são extremamente divertidos, respondem muito bem e são visualmente impactantes, remetendo bem ao sentimento das HQs e dos icônicos marcos da história da Marvel nos games.
X-Men, em específico, é bastante especial por ser o único jogo arcade da história a suportar seis jogadores ao mesmo tempo e o único da coletânea a ter multiplayer online, o que é muito legal, mas chato ao mesmo tempo, porque os outros jogos poderiam muito bem ter essa opção.

Pouca variedade, mas muita história 

Em comparação com outras coletâneas, MaXimum consegue trazer uma boa variedade de títulos, mas de forma bem reduzida: tirando Silver Surfer ( um shooter), todos os jogos são beat ‘em up de qualidades diferentes entre si. Teria sido interessante adicionar outros jogos para apimentar um pouco mais a variedade, como outros jogos da LJN (The Amazing Spider-Man, assim como sua sequência e o Return of the Sinister Six Wolverine; The Punisher) e o jogo de luta Avengers in Galactic Storm.

Felizmente, a coleção cumpre muito bem seu papel de preservação. Em análises passadas, dissemos que todo relançamento que se preze deve incluir rascunhos e desenvolvimento de seus jogos para fins de preservação e curiosidade. Esse pensamento se estende inclusive para ports de remakes, e Marvel MaXimum Collection é um exemplo forte deste critério, trazendo uma galeria grande da trilha sonora de todos os jogos e suas versões, manuais, processo de produção e até alguns banners de publicidade.

Welcome to die!

Marvel MaXimum Collection é um exemplo decente de preservação. A coletânea contém uma seleção interessante de jogos e versões alternativas, com aprimoramentos de vida bastante bem-vindos e uma galeria bem construída.

Porém, não encapsula muito o passado humilde da Casa das Ideias nos jogos e não traz fortes motivos para compra além de X-Men, a duologia Carnificina e, se você for masoquista, Silver Surfer. É uma coletânea competente, mas que poderia oferecer um pouco mais para prestar tributo a sua gênese.

Prós 

  • Sete jogos para escolher, sendo 13 ao todo considerando as versões alternativas;
  • Excelente galeria de making of;
  • X-Men e a duologia Carnificina são jogos genuinamente bons;
  • Silver Surfer é punitivo, mas jogável pela primeira vez;
  • Tradução competente para o português brasileiro;
  • Performance fluida e tempo de carregamento rápido;
  • Adições bem-vindas, como save state, rewind e filtros.

Contras

  • Ports de NES e portáteis são inegavelmente ruins, com jogabilidades inferiores das versões originais;
  • Pouca variedade de jogos;
  • Captain America and The Avengers e Arcade's Revenge não acrescentam muito por sua qualidade duvidosa.
MARVEL MaXimum Collection — PC/PS5/Switch/XSX — Nota 7.0
Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Cristiane Amarante
Análise feita com cópia digital cedida pela Limited Run Games
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Fábio Castanho Emídio (StarWritter)
Formado em Publicidade e Propaganda na USC e especializado em Marketing Digital, sou Editor de Vídeos também, meu TCC foi sobre a Guerra dos Consoles e evolução da publicidade nos games. Jogo um pouco de tudo e também escrevo. Me descrevo como um artista.
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