Análise: Mega Man Star Force Legacy Collection é um retorno sólido com algumas falhas

A volta de uma fase esquecida de Mega Man acerta no conteúdo e nas facilidades, mas sofre com decisões de interface.

em 06/04/2026
A chegada dessa coletânea ao Switch é, acima de tudo, um resgate importante de uma fase muitas vezes esquecida da franquia Mega Man. A proposta aqui é simples: reunir toda a trilogia de Mega Man Star Force, incluindo suas múltiplas versões, e torná-la acessível para uma nova geração. No total, estamos falando de sete títulos distintos, algo que por si só já adiciona bastante valor ao pacote.


Entre os jogos incluídos estão: Mega Man Star Force Pegasus, Mega Man Star Force Leo, Mega Man Star Force Dragon, Mega Man Star Force 2 Zerker x Ninja, Mega Man Star Force 2 Zerker x Saurian, Mega Man Star Force 3 Black Ace e Mega Man Star Force 3 Red Joker. Para quem nunca teve contato com a série no Nintendo DS, essa é praticamente a experiência definitiva, ao menos em termos de conteúdo bruto.

A história segue Geo Stelar, um garoto de 11 anos lidando com o desaparecimento de seu pai astronauta em um mundo futurista dominado por tecnologia de ondas. Após um encontro inesperado com Omega-Xis, um ser alienígena composto por ondas eletromagnéticas, a narrativa ganha contornos mais épicos. É uma premissa que mistura ficção científica com drama pessoal, e que ainda funciona muito bem hoje.

Estrutura da coletânea

Como coletânea, o jogo cumpre bem seu papel básico: preservar e disponibilizar títulos que estavam presos a um hardware específico. Trazer essa trilogia para o Switch é uma decisão acertada, especialmente considerando como o acesso ao Nintendo DS se tornou mais limitado com o tempo. Para fãs antigos, é uma oportunidade de revisitar; para novos jogadores, é uma porta de entrada.

Outro ponto positivo está nas melhorias de qualidade de vida. O speed boost, por exemplo, é extremamente bem-vindo. Ele acelera a progressão e reduz o ritmo mais arrastado típico de RPGs portáteis da época, tornando a experiência muito mais dinâmica e agradável no contexto atual.

Além disso, a possibilidade de ajustar a taxa de encontros aleatórios é uma adição excelente. Esse era um dos aspectos mais criticados dos jogos originais, e aqui pode ser controlado pelo jogador. Isso não apenas reduz a frustração, como também permite adaptar o ritmo da aventura ao seu estilo de jogo.

Problemas técnicos e adaptação

Infelizmente, nem tudo funciona tão bem quanto deveria. Um dos problemas mais estranhos são alguns bugs visuais durante cutscenes: em certos momentos, quando os personagens estão andando, a tela inteira começa a tremer de forma anormal. Não é algo constante, mas quando acontece, chama bastante atenção e não de um jeito positivo.

A adaptação da estrutura de duas telas do DS também é um ponto controverso. Durante a exploração, até funciona razoavelmente bem: a segunda tela fica posicionada em um canto, e você pode acessá-la segurando um botão. Não é perfeito, mas é funcional o suficiente para não atrapalhar muito.

O problema real aparece no sistema de combate. Diferente da exploração, aqui a troca entre telas é feita com um simples botão, o que faz o jogo praticamente pausar para que você escolha seus cards de ataque. Isso entra em conflito direto com a natureza do combate, que mistura estratégia com movimentação em tempo real. O resultado é uma experiência truncada, na qual o fluxo da batalha é constantemente interrompido.

Combate e experiência em geral

Esse conflito entre ação e pausa acaba sendo o maior problema da coletânea. O sistema de batalha de Mega Man Star Force sempre teve esse híbrido interessante entre RPG de turno e ação em tempo real, exigindo posicionamento rápido e reflexos. Porém, na versão do Switch, essa dinâmica perde fluidez por causa das interrupções constantes para seleção de cartas.

Isso quebra bastante a “vibe” do combate. Em vez de uma luta contínua e estratégica, você acaba alternando entre momentos de ação e pausas abruptas. Para quem já jogou os originais, isso pode soar como um downgrade na experiência e, para novatos, pode parecer um sistema estranho e pouco intuitivo.

Ainda assim, apesar desses problemas, Mega Man Star Force Legacy Collection mantém o charme original da série. A história continua envolvente, os personagens são cativantes e o conceito de um mundo conectado por ondas ainda é criativo e único dentro da franquia Mega Man. Com alguns ajustes mais cuidadosos, essa poderia ser uma coletânea praticamente definitiva, mas, do jeito que está, é uma experiência boa, porém com ressalvas importantes.

Prós

  • Pacote robusto de conteúdo;
  • Speed boost que deixa o jogo mais ágil (aceleração do jogo);
  • Controle da taxa de encontros aleatórios;
  • Preservação de uma fase “esquecida” da franquia.

Contras

  • Bugs visuais em cutscenes;
  • Fluxo de batalha inconsistente;
  • Experiência menos fluida que o original em alguns aspectos.

Megaman Star Force Legacy Collection — PC/PS5/PS4/XSX/XBO/Switch — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: Switch


 Revisão: Vitor Tibério

Análise produzida com cópia digital cedida pela Capcom







Siga o Blast nas Redes Sociais
João Pedro Vale
Escreve para o Nintendo Blast sob a licença Creative Commons BY-SA 4.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).