Criado pela brilhante Rumiko Takahashi, também conhecida por obras como Inuyasha e o recente Mao, Ranma 1/2 é uma série de mangá de comédia romântica. O título recebeu uma adaptação em anime que foi extremamente popular ao longo dos anos 1990 e, além de ser altamente influente dentro do seu gênero, também foi um dos responsáveis por ajudar a popularizar produções japonesas no Ocidente.
Como toda série de anime de grande sucesso, esse universo acabou sendo expandido para outras mídias, incluindo os videogames. Um dos jogos baseados nessa franquia foi o RPG de turnos Ranma 1/2: Akanekodan Teki Hihou, lançado exclusivamente no Japão para o Super Nintendo em 1993.
Ao resgate de Genma
A história de Ranma 1/2 acompanha o jovem artista marcial Ranma Saotome, que, após treinar nas fontes amaldiçoadas de Jusenkyo, passa a se transformar em garota sempre que entra em contato com água fria, retornando à forma original com água quente. Ao lado de seu pai Genma, igualmente vítima da maldição e capaz de se transformar em um panda, ele se muda para o dojo dos Tendo, pois foi prometido em casamento à Akane Tendo, a filha mais nova da casa.
A partir dessa premissa maluca, Ranma 1/2 desenvolve seu humor por meio da clássica relação de amor e ódio entre os noivos arranjados. A obra também aborda rivalidades criadas por pretendentes excêntricos interessados em cada um deles (alguns também amaldiçoados) e confrontos que, embora envolvam técnicas marciais, geralmente terminam de maneira igualmente cômica.
Ranma 1/2: Akanekodan Teki Hihou apresenta uma história original ambientada nesse universo. Em um dia aparentemente comum, o guia de Jusenkyo derruba um túmulo e acaba despertando uma antiga entidade conhecida como o Rei Gato Fantasma, que reúne a chamada Gangue do Gato Vermelho. O grupo invade o dojo Tendo e sequestra Genma Saotome, sob a justificativa de que está recrutando lutadores poderosos.
Diante dessa ameaça, Ranma e Akane partem para salvá-lo. Durante a jornada, a dupla descobre que a gangue deseja encontrar três artefatos mágicos que lhes permitirão recriar um cristal especial capaz de conceder o desejo de dominação do mundo. Eventualmente, os protagonistas recebem o auxílio de personagens como Ryoga Hibiki (que se transforma em porco), Mousse (que se transforma em pato) e Shampoo (que se transforma em gato).
No geral, a trama de Akanekodan Teki Hihou carece do humor característico da obra que lhe serve de inspiração, apresentando diálogos simples que apenas replicam os exageros de cada personagem, sem a preocupação de construir situações minimamente plausíveis para isso. Apesar disso, existem momentos em que as particularidades dos heróis são utilizadas de forma interessante, como o péssimo senso de direção de Ryoga, que frequentemente acaba se separando do grupo durante a jornada.
Um mundo sem muito brilho
Ranma 1/2: Akanekodan Teki Hihou segue os elementos mais básicos dos RPGs da época, apresentando um mapa-múndi que abriga cidades e dungeons, além de confrontos iniciados de forma aleatória. Na maior parte da campanha, a estrutura de navegação é bastante linear, conduzindo o jogador de uma região à outra sem oferecer muitas oportunidades relevantes de exploração opcional.
Embora os sprites dos personagens não sejam ruins, também estão longe de figurar entre os mais interessantes do Super Nintendo. Os cenários, por sua vez, são bastante simplórios e genéricos, raramente criando qualquer tipo de familiaridade para quem conhece a obra original.
Um aspecto interessante é que, já no início da aventura, o jogador recebe um balde de água gelada e um bule de água quente. Com esses itens, é possível alterar as formas dos personagens a qualquer momento e, em determinadas situações, a progressão da campanha exige que eles estejam em uma forma específica para avançar.
Heróis com nuances significativamente distintas
Akanekodan Teki Hihou traz um sistema de combate por turnos simples. Aqui, os personagens jogáveis são Ranma Saotome, Akane Tendo, Shampoo, Ryoga Hibiki, Mousse e Genma Saotome. Com exceção do protagonista, os demais heróis ingressam e deixam o grupo em momentos específicos da campanha.
Além dos ataques padrão, é possível utilizar habilidades especiais, que consomem uma barra própria, que se recupera com o uso de itens ou enquanto caminhamos pelo cenário. Também é possível ativar um comando de combate automático, no qual todos os integrantes entram em uma briga generalizada, visualmente similar ao ataque em grupo visto nos jogos mais recentes da série Persona.
Embora não haja muito espaço para personalização ou estratégias muito elaboradas, cada personagem possui, de fato, habilidades distintas que fazem com que os confrontos mais complicados contra chefes não se resumam apenas a atacar.
Para exemplificar, enquanto Ranma é um combatente de atributos equilibrados e com ataques majoritariamente de alvo único, Ryoga conta com alta defesa e golpes voltados a múltiplos inimigos. Já Akane e Shampoo possuem técnicas de cura, com a primeira contando também com a habilidade de ressuscitar aliados, enquanto a segunda é capaz de aplicar efeitos maléficos.
No geral, o sistema de combate de Ranma 1/2: Akanekodan Teki Hihou cumpre seu papel dentro da proposta do jogo, oferecendo variedade suficiente para evitar a monotonia. Contudo, falta profundidade e desafios mais acentuados para que o título consiga se destacar minimamente entre os concorrentes da época.
Mais um RPG comum sustentado por uma franquia popular
Seguindo uma tendência que permanece até os dias atuais em adaptações de animes para games, Ranma 1/2: Akanekodan Teki Hihou é um jogo medíocre que dificilmente seria notado se não carregasse um nome popular. Apesar disso, o título cumpre com eficácia o papel de transportar os personagens e elementos do universo criado por Rumiko Takahashi para um RPG simples. A despeito de suas limitações, para os entusiastas da obra original, vale a pena dar uma conferida.
Revisão: Beatriz Castro






