Yoshitaka Amano – Além da Fantasia: uma experiência verdadeiramente além da imaginação

Entre obras icônicas, pintura ao vivo e entrevista, vivemos a arte de Yoshitaka Amano no Rio.

em 24/04/2026

Fomos convidados pelo Centro Cultural do Banco do Brasil para participar da abertura da exposição Yoshitaka Amano – Além da Fantasia, na qual o próprio Yoshitaka Amano-san estava presente, assim como suas obras maravilhosas — vivas, pulsantes e repletas de detalhes — que o consagram como um dos maiores artistas modernos que temos hoje.

Level 99

Obviamente, uma exposição que recebe um artista da grandeza de Amano-san precisa estar à altura. O Centro Cultural do Banco do Brasil traz, com frequência, exposições de temas variados e de altíssimo nível — eu mesmo já tive a oportunidade de conferir diversas mostras incríveis por lá —, mas esta, com certeza, estava em outro level. Pelo menos, para mim, foi uma experiência acima de qualquer expectativa.

Logo na chegada, fomos agraciados com um coquetel cuidadosamente preparado: sucos, refrigerantes e, é claro, drinks sendo servidos em belas taças. Uma mesa farta com comidas oriundas do Japão chamava atenção, disposta em porcelanas de muito bom gosto, enquanto, ao fundo, éramos envolvidos por uma trilha sonora especial — com direito ao tema de Final Fantasy, que imediatamente transportava todos os presentes para aquele universo tão marcante.

A equipe, sem dúvida, não poupou esforços para oferecer uma abertura digna de quem seria prestigiado: Yoshitaka Amano, criador de tantas obras reconhecidas mundialmente. Sua trajetória inclui trabalhos na Tatsunoko Production, onde participou de produções icônicas como Speed Racer, Gatchaman e Casshern — obras que também marcaram a infância de muitas pessoas.

Contudo, é claro que, além dessas criações memoráveis, nosso foco está em suas ilustrações para a franquia Final Fantasy, que fizeram — e ainda fazem — parte da vida de inúmeros jogadores. Quem não se lembra da icônica ilustração de Firion, protagonista de Final Fantasy II?

Suas artes possuem um estilo único, imediatamente reconhecível. Com traços leves, quase etéreos, e ao mesmo tempo ricos em detalhes, Amano alcançou renome em todo o mundo — e não é difícil entender o porquê. Seu trabalho vai além da estética: ele constrói identidade, imprime emoção e dá alma às obras de Final Fantasy e a tantas outras criações.

Quem sabe faz ao vivo!

Para surpresa de todo o público, após a abertura fomos presenteados com uma demonstração ao vivo do talento de Yoshitaka Amano e de seu filho, Yumihiko Amano.

Sim, eles pintaram três quadros ali, diante de todos nós.

E eu pude presenciar, em primeira mão — e de queixo completamente caído —, o talento impressionante desses artistas. Em cerca de 40 minutos, Yoshitaka Amano-san pintou dois quadros belíssimos, enquanto seu filho, Yumihiko Amano-san, deu vida a nada menos que Sephiroth, o vilão mais icônico da franquia Final Fantasy.

Sendo sincero: foi uma oportunidade mágica, daquelas que dificilmente se repetem.

A cada pincelada, a cada traço, a cada troca de pincel, a pintura ganhava vida diante dos nossos olhos. Era possível sentir a profundidade, a emoção e o cuidado em cada detalhe. Mais do que assistir a uma pintura sendo feita, era como testemunhar a materialização de sentimentos — algo cativante, quase hipnotizante.

Foi nesse momento que ficou ainda mais claro o quão profundo e emocional é o trabalho de Amano. Suas obras não apenas encantam — elas comunicam, envolvem e permanecem.

Yoshitaka Amano

E então, o momento derradeiro finalmente chegou.

Pudemos entrevistar o responsável por tantas obras pelas quais somos apaixonados — obras que carregam um forte sentimento de pertencimento. Afinal, quem viveu Final Fantasy entende perfeitamente o quanto essas imagens cresceram junto com a gente ao longo dos anos.

No próximo ano, Final Fantasy completa 40 anos. De certa forma, nós já recebemos o presente.

Fomos direcionados a uma sala mais reservada. Ainda assim, a entrevista apresentou alguns desafios: o ambiente estava barulhento e o artista já demonstrava certo cansaço — afinal, ele já estava há bastante tempo presente na exposição. Por isso, não pudemos tomar muito do seu tempo.

Ainda assim, Yoshitaka Amano-san nos recebeu com extrema gentileza. E isso, sem dúvida, é um dos traços mais admiráveis — não apenas do artista, e sim da pessoa por trás de tantas obras inesquecíveis.

Foi nesse clima — ainda impactados pelo que vimos e sentimos ao longo da exposição — que tivemos a oportunidade de ir além das obras e conhecer um pouco mais da mente por trás de tudo aquilo. Em uma conversa breve, porém extremamente significativa, Yoshitaka Amano-san compartilhou conosco pensamentos, memórias e visões que ajudam a entender a alma de sua arte.

E então, chegou a hora de ir além da contemplação — era o momento de ouvir o próprio Yoshitaka Amano-san. Agradeço ao nosso redator Lucas Simões que trouxe algumas sugestões de perguntas e a Hiero, redatora do GameBlast que participou dessa jornada comigo.

Entrevista

Equipe NB/GB: Essa é a terceira vez que essa exposição acontece no Brasil. Como foi sua recepção por aqui? Conseguiu se sentir inspirado com o cenário?

Yoshitaka Amano san: Primeira vez eu vim para um evento, não para exposição, segunda vez foi em São Paulo e depois eu fui para Milão, Roma e depois voltei para o Brasil (agora), então, o tamanho da exposição e o números de obras aumentou. Esse evento do Rio de Janeiro é o maior se comparado com os anteriores. Quanto à inspiração que você perguntou, está acontecendo agora, então não sei responder.

Equipe NB/GB: Qual outro artista que o senhor se identifica/admira o trabalho, especificamente no mundo dos games?

Yoshitaka Amano san: Hironobu Sakaguchi! Começamos juntos com Final Fantasy. É estranho falar Sakaguchi, mas foi com ele que começamos e tenho boas recordações.

Equipe NB/GB: Qual a sua obra favorita do seu acervo e quanto à sua concepção?

Yoshitaka Amano san: O primeiro Final Fantasy, pois, se não tivesse esse, não teríamos um próximo. Foi o meu primeiro trabalho de jogo, personagem e mundo. Final Fantasy faz 40 anos no próximo ano, nunca pensei que iria tão longe na época. Tenho recordações muito fortes. Quanto ao conceito, no Final Fantasy tivemos espadas e magias, mas em Final Fantasy VI passou a ter equipamentos, máquinas, tecnologia, e achei o conceito mais interessante.

Equipe NB/GB: Como se manter criativo numa era de imagens criadas por IA? Como os artistas podem mostrar para as pessoas que podem fazer artes com as próprias mãos?

Yoshitaka Amano san: A inteligência artificial está tirando o trabalho de muitas pessoas. Pessoalmente, eu não consegui usar a Inteligência Artificial, eu gosto de ilustrar a mão mesmo. Ao mesmo tempo, a IA está substituindo o trabalho humano, alguns copiam os trabalhos, mas tudo bem, eu continuo fazendo como eu faço. A IA é um descobrimento através da tecnologia. Eu fico pensando, apontando para essa mesa, existem duas formas de criação: um vem da natureza, que é a madeira, e o outro vem do humano, que criou a forma. Então, o que um humano criou com a imaginação é muitas vezes melhor do que a inteligência artificial. Conseguimos entender o que foi criado por humano e o que foi criado por IA, mas a IA foi criada por um humano porque foi necessário. Eu acho que tudo bem artistas que criam com IA, mas acredito que, quando começa a usar, não vai mais conseguir parar e vai sentir falta de como era. Eu fico pensando se daqui a dez anos, com o desenvolvimento da IA, será que os artistas vão usar bem, eu tenho dúvidas.

A exposição segue em cartaz até 22/06 no Centro Cultural do Banco do Brasil, de quarta a segunda, das 9h às 20h — uma ótima oportunidade para vivenciar essa experiência de perto.
Revisão: Alessandra Ribeiro
Siga o Blast nas Redes Sociais
Leandro Alves
Leandro Alves é designer gráfico formado e especialista em Design Estratégico pela Unicarioca, além de UX Designer com formação pela ESPM e pela escola britânica Design Institute. Diretor Geral, Diretor Editorial e Diretor de Arte das revistas GameBlast e Nintendo Blast, iniciou sua paixão por videogames com The Legend of Zelda: A Link to the Past. Fã da Nintendo, mas sem esconder sua admiração pelo PlayStation, tem como séries favoritas Kingdom Hearts, Pokémon, Splatoon, The Last of Us, Uncharted e Xenoblade Chronicles. Está no Instagram e Twitter.
Este texto não representa a opinião do Nintendo Blast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).