Jogos de quebra-cabeça existem há muito tempo e com as mais variadas formas, mas e quebra-cabeças de ação? Essa é a definição que a desenvolvedora HANDSUM dá para MotionRec: um puzzle/action focado em controlar a movimentação do pequeno robô Rec, passando por diversos desafios curtos e engenhosos.
Acorde, Rec
Não há muita apresentação de história, nem sequer um menu inicial. O jogo já começa com a tela de boot de Rec com uma mensagem dizendo: “Acorde, Rec. Sua hora chegou”. Imediatamente, o robozinho está sob controle do jogador.
O tutorial também é rápido, já que os comandos são muito simples: analógico para andar para os lados, um botão de pulo e os botões para gravar o movimento e ativar a gravação. Basicamente, é possível gravar por um limite de tempo todos os movimentos que Rec faz. Essa gravação fica salva e pode ser reproduzida em qualquer lugar, mesmo quando o personagem está no ar.
Rec está em um local aparentemente abandonado e seu objetivo é seguir em frente até sair da área. Essa será a essência do jogo até que o robozinho finalmente encontre uma saída e descubra mais sobre esse lugar onde ele acordou.
Pense e se movimente
Cada cenário de MotionRec é estruturado para ter um equilíbrio entre pensar e agir para não perder o ritmo. Toda plataforma, escada ou portal é muito bem posicionado, de formas bem variadas, e leva em conta as capacidades de Rec. Não há exageros para chamar atenção ou confundir o jogador, e o jogo faz bem em não repetir a estrutura dos locais.
Outro aspecto que ajuda nessa fluidez é o fato de que os pontos de salvamento são sempre muito próximos. Isso incentiva que você simplesmente comece a tentar atravessar o cenário enquanto pensa na solução. E o que poderia ser um design que solta demais a mão do jogador e o deixa perdido felizmente é algo raro aqui.
O minimalismo do visual do game contribui para deixar o jogador focado e consciente do que está fazendo, sem acumular informações demais. Até mesmo a mecânica de gravação faz isso, permitindo gravar apenas um movimento, que deverá ser a solução completa da travessia em certos casos. E, quando chegar no próximo checkpoint, a gravação apaga e outro quebra-cabeça começa.
Quebra-cabeças curtos e satisfatórios
Pode parecer que o jogo é simples até demais, mas dá para ver como houve um esforço da desenvolvedora em fazer com que o principal destaque seja a fluidez com que o jogador deve passar pelos desafios, tanto que a maioria se concentra apenas em um cenário por vez.
Como uma forma de comparação, é como se fossem os desafios de Celeste. No título protagonizado por Madeline, você atravessa um cenário e, no próximo, já será outro desafio. De vez em quando, no meio do caminho, pode ter um item colecionável, pedindo um leve desvio da rota.
Porém, no caso de Celeste, o foco está na precisão, pedindo que o jogador calcule bem a distância e velocidade dos saltos para não errar o timing. Em MotionRec, troca-se a precisão pelo raciocínio lógico. O jogo deixa óbvio onde o jogador deve ir e como será o movimento para chegar até lá; porém, o verdadeiro desafio está em como programar esse movimento com o poder de gravação antes de dar o play.
Alguns desafios extras e outros obrigatórios
Mesmo que, em média, os quebra-cabeças de MotionRec sejam tranquilos, existem certas áreas extras que trazem desafios maiores para jogadores que querem se testar com movimentos mais complexos.
As recompensas são as mesmas notas musicais encontradas pelo caminho principal. No geral, não é necessário, mas certas partes do jogo exigem uma quantidade mínima dessas notas para progredir, então é bom pegar pelo menos as que estão no caminho principal. O resultado do esforço maior de quem coletar tudo vem no fim, já que existe uma cena secreta que é desbloqueada após os créditos do jogo.
No entanto, ainda existirão alguns cenários obrigatórios que serão mais difíceis que o comum. Isso acaba sendo frustrante, porque a dificuldade nesses casos ocorre pela falta de clareza no desafio, algo que destoa do resto do jogo.
Alguns quebra-cabeças não apresentam adequadamente quais são as opções do jogador, e outros exigem que a gravação de movimentos seja feita, pelo menos em parte, no cenário anterior. Isso deixa a resolução confusa, porque, como comentei antes, a maioria dos desafios se concentra no cenário do momento, então o jogador não é levado a pensar em como o design da tela anterior se conecta com a próxima.
Talvez essas situações possam acabar quebrando o bom ritmo do jogo, mas, ainda assim, é uma experiência agradável no geral e pode ser um desafio interessante para aqueles que estejam achando muito fácil.
Um jogo que não dá vontade de parar
MotionRec utiliza muito bem aspectos de plataforma e ação em seus quebra-cabeças, que possuem uma curva de aprendizado, em sua maior parte, bem feita e enriquecedora para a experiência do jogador a cada descoberta.
O game é relativamente curto, porém, nesse caso, parece ser o ideal, já que ele consegue prover aquele estímulo no cérebro a cada solução, sem exagerar na quantidade para poder manter a qualidade.
Prós
- Quebra-cabeças integrados com a movimentação que deixam a jogabilidade bastante fluida;
- A maioria dos quebra-cabeças tem estruturas ou soluções diferentes entre si, evitando que o jogador fique entediado;
- Pontos de salvamento próximos, incentivando o jogador a arriscar mais sem perder progresso;
- Áreas opcionais para quem deseja desafios maiores.
Contras
- O jogo exige uma quantidade mínima de coletáveis acumulados para avançar na história;
- Alguns quebra-cabeças obrigatórios são bem mais difíceis do que a média por não serem tão claros sobre as possibilidades de movimento do Rec.
MotionRec — Switch/PC/PS5 — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: Switch
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise feita com cópia digital cedida pela Playism







