Análise: Tales of ARISE - Beyond the Dawn Edition é um port competente e completo no Switch 2

Com visual belíssimo e combate dinâmico, excelente port para o Switch 2 brilha e expande a biblioteca de JRPGs com a versão completa.

em 20/05/2026

Tales of ARISE é um jogo de RPG japonês da famosa série “Tales of” que chegou aos consoles e PC no ano de 2021. Depois de 5 anos, estamos recebendo sua versão para o console da Nintendo. O jogo está sendo lançado juntamente com seu DLC Beyond The Dawn; porém, ele não é nenhum remaster da edição que foi lançada em 2021. Na verdade, é a mesma edição, só que um port feito para o Nintendo Switch 2.


O jogo me lembrou muito Xenoblade Chronicles, com um visual muito bonito, uma história profunda e personagens carismáticos aos quais nos apegamos. O título também possui vários elementos que já estavam em outros jogos da série, mas não vi nenhuma novidade em relação aos anteriores no quesito combate e exploração.

A aliança improvável entre opostos

Começando pela história, Tales of Arise se passa em Dahna, um planeta onde o povo foi escravizado pela população de Rehna, o planeta vizinho. Durante 300 anos, as pessoas de Dahna foram obrigadas a trabalhar para eles por conta do seu nível militar superior, já que, ao chegarem ao planeta, rapidamente o tomaram. Alphen, nosso protagonista, é um escravo que usa uma máscara de ferro, perdeu a memória e não consegue sentir dor alguma; ele se sente injustiçado ao ser escravo de um povo tão cruel e almeja a liberdade junto do seu povo.


Durante seu trabalho forçado, ele se depara com uma mulher de cabelo rosa chamada Shionne, uma rehnana em fuga do seu povo, pois roubou uma relíquia muito importante para os lordes que comandam o planeta. Shionne tem uma maldição que faz com que todos aqueles que toquem nela levem um choque bem forte, dando a ela o apelido de “mulher espinhosa”. Juntos, fazem uma dupla um tanto diferente: um homem que não sente dor e uma mulher que machuca os outros. Como a história se desenvolve e como o povo de Dahna se torna livre ou não da escravidão, eu deixo para vocês descobrirem durante a jogatina.

Combate dinâmico, progressão linear e a barreira das duas primeiras horas

O gameplay não é muito diferente dos jogos da série: você entra em batalha ao encostar no inimigo e, então, dentro de um espaço limitado, o combate acontece. Você pode ter até quatro membros na party e eles batalham juntamente com você, porém a movimentação e a escolha de ataques deles são feitas pela IA do jogo. Também é possível escolher o modo: se será completamente automático, fazendo a IA jogar por você; semiautomático, onde você dá uma parte dos comandos; ou totalmente manual, onde você dá ordens para todos. O jogo vem configurado no modo semiautomático, o que achei o melhor modo por você não ter que ficar se preocupando com a movimentação de todos os personagens.

O game também possui estratégias para você utilizar na sua equipe; por exemplo, sempre que um dos meus personagens perde ao menos 40% da vida, sou curado pela Shionne. Isso faz parte de uma das estratégias, que podem ser agressivas ou mais defensivas, dependendo do seu estilo de jogo. Durante as batalhas contra chefes e subchefes, temos a opção de usar um ataque em conjunto que achei visualmente muito bonito, apresentando animações de batalhas impecáveis. O game é feito na Unreal Engine, e todo o modelo 3D dos personagens e a ambientação são muito bem feitos.


Uma das coisas que me incomodou um pouco foi o tutorial: achei um pouco extenso. Claro que, para um jogo de RPG que chega a mais de 40 horas de duração, apenas 2 horas de tutorial é pouco se for comparar. Mas para aqueles que já viram os trailers ou até mesmo a cena de abertura, sabem que nosso protagonista usa uma máscara de ferro e que, no decorrer da trama, ela se quebra e uma parte do seu rosto é revelada. Para isso acontecer, levou essas duas horas, e é também quando terminamos a primeira área do jogo — ou o “primeiro arco” —, momento em que podemos dizer que o “tutorial” foi finalizado.

O jogo é bastante linear; os mapas não são muito grandes e não há muito no quesito exploração. Temos as famosas side quests, importantes para adquirir itens, experiência e pontos para a árvore de habilidades, mas achei um pouco fraco a tentativa de nos fazer querer cumpri-las. Além disso, como o mapa não tem muitos pontos para explorar, você acaba preferindo fazer viagens rápidas para locais que já liberou antes em vez de precisar fazer todo o caminho a pé para explorar o ambiente.

Retratos estáticos e uma tradução sem tempero

A edição nos traz um bônus que achei extremamente generoso — e acredito que aqueles que quiserem começar a jogar um título da série “Tales of” vão concordar. O bônus inclui armas, itens cosméticos e também pontos para distribuirmos na nossa árvore de habilidades, além de bastante XP. Para mim, foi uma adição muito bem-vinda, pois sou o tipo de pessoa que gosta de aproveitar o modo história; mas, é claro, se você achar que isso pode atrapalhar sua experiência, é só não resgatar esse bônus, disponível nos extras do jogo.


O game está completamente legendado em português, o que é ótimo para um RPG que tem inúmeros diálogos. Isso ajuda muito a ser uma porta de entrada tanto para aqueles que não sabem inglês quanto para quem quer o jogo de sua amada franquia em português. No entanto, não deixei de notar que a tradução não foi muito bem localizada: muitas coisas parecem ter sido traduzidas diretamente do inglês, sem uma adaptação adequada dos termos para a nossa língua. Isso não atrapalha a jogatina e você consegue entender tudo, porém certamente é algo que pode ser melhorado em um futuro jogo da série. 

O título também conta com as esquetes, pequenos diálogos entre os membros da equipe que aprofundam um pouco mais a história dos personagens. Elas funcionam como um mangá animado: quadros estáticos que aparecem na tela, e isso pode parecer um pouco estranho no começo, já que os personagens ali são modelos 3D e coloridos.


No modo portátil do Nintendo Switch 2, notei algumas pequenas quedas de desempenho. Depois, fui fazer o teste no modo dock e essas quedas já não aconteciam. É de se esperar essa leve oscilação em um console híbrido, mas também não foi nada perturbador ou que tenha estragado a experiência; o jogo é muito bem portado e entrega um visual muito bonito, como comentado anteriormente.

O veredito de uma jornada que justifica sua presença no novo console

Tales of ARISE - Beyond the Dawn Edition se consolida por ser um port muito belo, trazendo um gameplay de combate que, de longe, posso dizer que é muito dinâmico e divertido — o ponto alto do jogo. O título é visualmente muito bonito, tanto no modo portátil quanto no modo dock do Nintendo Switch 2. É uma ótima adição à biblioteca do console da Nintendo, recomendadíssima tanto para jogadores novatos quanto para veteranos que queiram aproveitar o game no portátil, onde é possível jogar em qualquer lugar.

Prós

  • O combate é dinâmico, divertido e conta com ataques em conjunto que trazem animações impecáveis e muito bonitas;
  • O pacote de bônus é extremamente generoso, oferecendo vantagens de XP e habilidades ótimas para quem quer focar apenas na história;
  • O visual feito na Unreal Engine se adaptou muito bem ao console, entregando cenários e modelos 3D impressionantes tanto na TV quanto no portátil;
  • A presença de legendas em português é uma excelente porta de entrada para novos jogadores aproveitarem a longa jornada.

Contras

  • O início do jogo é um pouco arrastado por conta de um tutorial extenso que demora cerca de duas horas para engrenar de verdade;
  • Os mapas são lineares e têm poucos atrativos, deixando a exploração e o desejo de fazer as missões secundárias um pouco fracos;
  • A tradução em português ficou literal demais em vários momentos, parecendo uma conversão direta do inglês sem a devida adaptação;
  • O modo portátil apresenta pequenas quedas de desempenho que, embora não estraguem a experiência, não acontecem quando o console está na base.
Tales of ARISE - Beyond the Dawn Edition — Switch 2/PC/PS4/PS5/XSX — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: Switch 2
Revisão: Alessandra Ribeiro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Bandai Namco

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Renzo Raizer
Um entusiasta do universo Nintendo, com especial interesse pelas franquias Pokémon, Mario e The Legend of Zelda. No Nintendo Blast, compartilha notícias, análises, opiniões e curiosidades com um olhar dedicado ao público nintendista, sempre buscando unir informação e paixão pelo mundo dos games.
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